Dicas de Saúde
 

 

ACIDENTES DOMÉSTICOS

ACIDENTES DOMÉSTICOS

São previsíveis e podem ser prevenidos. O conceito de que são eventos do destino, inesperados e casuais se torna uma das principais barreiras para o progresso do seu controle.
A maioria dos acidentes na infância acontece no ambiente doméstico e, com a chegada das férias escolares, em geral, as crianças permanecem mais tempo em casa. Para mais esclarecimentos, o Vide Bula ouviu o alerta de profissionais especializadas.
Grande número de pais não percebe as situações de perigo que existem em casa: camas e berços com proteção inadeqüada, móveis com bordas cortantes, medicamentos,
objetos pequenos, plantas e produtos de limpeza ao alcance das crianças.
O bebê que engatinha apanha objetos ou partes de brinquedos no chão podendo obstruir as vias aéreas superiores.
A cozinha também pode representar outro ambiente de perigo para os pequenos. Segundo a Pediatra do HMB, Dra. Nadia Kusznir, a maior incidência de queimaduras ocorre quando a criança começa a brincar na cozinha. Panelas no fogão, forno quente, fósforos e alimentos quentes são os principais agentes. Os cabos de panelas devem estar sempre voltados para dentro do fogão, tomadas devem ficar cobertas e escadas/degraus devem ser bloqueados.
É importante o papel que o pe-diatra desempenha na área de prevenção e controle de acidentes. As orientações feitas durante uma consulta de rotina podem ser simples, diretas e adaptadas à idade, às fases do crescimento e ao desenvolvimento da criança.
Para Dra. Nadia, o Pediatra deve atuar no sentido de aumentar a percepção dos familiares quanto aos
acidentes mais freqüentes nas diferentes idades e situações de risco, decorrentes dos hábitos de vida.
“É comum as mães descobrirem que a criança já se vira quando cai do trocador”, explica.

Existem certos aspectos, relativos
à idade das crianças, que as tornam suscetíveis às diferentes situações de risco.

Recém-nascido: é totalmente dependente do adulto e os acidentes são determinados pelo tipo de cuidados que recebem dos pais. São completamente indefesos, não possuem controle motor e não levantam a cabeça. Passam a maior parte do tempo no berço ou carrinho. As principais si-tuações de risco são: quedas (colo, berço e trocador); queimaduras (água do banho, mamadeira e cigarro); afogamentos (banho); intoxicações (medicamentos); sufocações e engasgos (leite, talco, brinquedo e vestes inadequadas).

Primeiro ano de vida: caracteriza-se pelo desenvolvimento rápido: aos quatro meses já se vira, senta com apoio, leva tudo à boca, rola, agita-se no banho; a partir dos sete meses, está em movimentação contínua, senta-se sem apoio, tenta pôr-se de pé; aos nove meses engatinha, seu mundo amplia-se, sua enorme curiosidade faz dele um pequeno explorador. Principais riscos de acidentes, além dos citados ante-riormente: aspiração, ingestão ou introdução de objetos pequenos nos orifícios naturais, engasgos com objetos e choques elétricos (dedo na tomada ou fio descascado).

Crianças de 1 a 3 anos: possuem grande energia motora, andam, correm, necessitam de espaços, não desviam de obstáculos, não conseguem parar com facilidade, sobem e descem escadas, chutam bola, pedalam triciclos, aperfeiçoam o equilíbrio, têm maior domínio sobre os grandes movimentos e realizam movimentos delicados. Nessa idade, os acidentes são mais freqüentes e graves, como: afogamentos (piscina, tanques, baldes); atropelamentos; picadas venenosas; mordeduras; traumas (quedas ou colisões); queimaduras (térmicas, elétricas e químicas), além dos já citados nas outras faixas etárias.

Crianças de 3 a 7 anos: o mundo delas já se amplia: brincam no parque e na calçada, freqüentam a escola, sua curiosidade é infinita, perguntam como e por que sobre tudo que as rodeiam, inclusive sobre normas de segurança que devem seguir. Querem fazer sempre o que desejam, mas com pequena capacidade de previsão de riscos. Estão sujeitas a acidentes de trânsito, ferimentos, traumas (inclui-se o uso de bicicletas e patins), além dos citados nas outras faixas etárias.

Crianças de 7 a 10 anos: já podem ter aprendido noções de segurança, mas ainda não possuem o pensamento concreto e organizado; seu comportamento reflete desafio às regras estabelecidas que visam à sua proteção, suas habilidades estão aquém de seu julgamento crítico e, sem a supervisão do adulto, em situações complexas, como no trânsito, tornam-se vítimas de atropelamento, quedas, ferimentos, agressões, impactos contra objetos e pessoas.
Adolescentes de 10 a 14 anos: nesta etapa descobrem a própria personalidade, possuem maior força física, seus movimentos estão mais coordenados, porém atuam algumas vezes sem pensar nas conseqüências, experimentam e exploram seu ambiente com mais liberdade, sofrem influência de amigos e do ambiente. Nessa fase também se reflete imprudência ou desorientação. Principais riscos: traumas, contusões (esporte, trânsito); queimaduras, afogamentos e vícios (fumo, álcool e drogas).
No Pronto Atendimento do HMB, as maiores ocorrências se referem a quedas, decorrentes de andador, cama, berço ou colo da mãe, de acordo com a Pediatra plantonista Dra. Andréa Tochio Horn Dellavanzi.
Crianças de até quatro anos sofrem quedas com maior freqüência em casa, de um nível para o outro, de escadas, móveis e de janelas. Crianças maiores caem ou escorregam, em um mesmo nível, ou colidem com outra pessoa ou com a mobília. As lesões mais freqüentes decorrentes de quedas são as as fraturas. Os traumatismos cranioencefálicos contribuem com a maioria das mortes.
Ocorrências com armas de fogo não são comuns no PA, lembra
Dra. Andréa. No entanto, ela ressalta que um dos grandes problemas enfrentados atualmente decorre do aumento da violência, somado à atitude das pessoas em manter armas de fogo em casa, carregadas, destravadas e em local acessível para as crianças.

Dicas

• nunca deixar uma criança sozinha em cima de qualquer móvel (sofá, cadeira).
• Verificar se os equipamentos da criança oferecem segurança e utilizá-los conforme instruções.
• Todo equipamento deve ser utilizado com cinto de segurança corretamente afivelado (bebê-conforto, cadeirão, carrinho, assento para carro).
• Baixar o estrado e o colchão do berço assim que o bebê estiver sentando sem apoio, não deixar travesseiros, brinquedos ou objetos soltos no berço – a criança vai utilizá-lo para ficar em pé.
• Andadores não devem ser estimulados, já que são perigosos, especialmente em casas com escadas.
• Instalar proteção nas escadas (em cima e embaixo), redes ou grades nas janelas, travas de limitação de abertura de janelas, manter os portões trancados e restringir o acesso à cozinha e lavanderia.
• Não manter móveis embaixo da janela.
• Adaptar os pisos: mantê-los limpos, não-encerados e com tapetes bem aderidos. Todo piso fica escorregadio quando molhado.
Se cair algum líquido, enxugue-o imediatamente.
• Os calçados devem ter solas de borracha.
• Desencorajar brincadeiras (pipa, bola) e jogos em varandas, decks, lajes e terraços.
• Produtos de limpeza devem ser bem acondicionados e fora do alcance das crianças.
 

 

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