Macho:
Um cão macho de rua está
vagando pela madrugada, quando sente um cheiro forte de feromônio secretado por
alguma cadela. Imediatamente, vai seguindo aquela delícia de cheiro, até dar com
uma fêmea de rua já rodeada por outros machos concorrentes igualmente
embriagados (e desesperados) por aquele irresistível cheiro de cadela no cio.
Mais forte, ele arreganha os dentes e rosna decidido para os outros cães que
assediam a cadela, briga corporalmente com eles se for preciso, até conseguir
afugentá-los. Se aproxima da fêmea e, se ela deixar, ele, o vencedor, cruza com
ela. Os dois literalmente se desgrudam, e ele vai embora. Fim do
“romance”.
Desculpem o jeito rude, mas é assim mesmo que em geral se dá o
encontro sexual entre dois cães: ou controlado pelos donos do animal ou por
acaso, nas ruas, entre cães sem lar. Seja como for, sem nenhum pensamento,
elaboração, sem romantismo nem imaginação amorosa. Nem o sexo puro e simples é
tão simples nos humanos como é entre dois cães. É mais ou menos como se os cães
fossem lá e simplesmente obedecessem à Natureza, enquanto os homens fossem lá e
obedecessem à sua própria natureza... uma natureza bem particular, diga-se, e na
maior parte das vezes muito complexa .