Femêa:
Uma poodle mora num belo apartamento
e entra no cio. Lá pelo oitavo, nono dia, ela é levada ao veterinário onde um
poodle do mesmo tamanho dela (ou menor) já a espera. Numa salinha qualquer
reservada para que os dois se encontrem, o poodle macho monta nela (se ela for
com ele) uma, duas, três vezes. Pronto, já é o suficiente, fim do “romance”. E
eis a poodle de volta para o seu belo apartamento, a família torcendo para que o
poodle macho tenha conseguido emprenhá-la.
Vinte dias depois, a poodle é
submetida a uma ultra-sonografia e o exame comprova: o poodle macho conseguiu:
ela vai dar cria. Após dois meses, nascem os filhotes. Nos primeiros dias, a
poodle cuida deles com a dedicação de uma verdadeira mãe humana, lambe, come e
limpa toda a sujeira que eles produzem, não deixa nenhum desconhecido se
aproximar, os alimenta com seu leite e os conforta com seu calor. Vinte e dois
dias se passaram, os filhotes já desmamaram, estão trocando as tetas da poodle
mãe pela papinha de desmame.
Um mês, e os dentes aguçados dos filhotes já
despontam começam a machucar a poodle e a todos na casa. Hora dos filhotes irem
embora. Ela já não quer mais saber deles. Para a poodle é como se eles nem
tivessem saído dela, como se não fossem filhotes seus. Eles precisam ser
vendidos, doados, enfim, ser passados adiante logo — afinal, não há lugar para
eles nem no coração da poodle mãe, muito menos no belo apartamento onde ela
mora. Fim do “amor” entre mãe e filhotes.