Conclusão:

Baseados em seu próprio comportamento e sentimentos, o que os humanos que têm cães costumam fazer é projetar na sua cachorra que deu cria, por exemplo, um sentimento maternal que nela não existe da forma como os humanos o vivenciam. As fêmeas cuidam, sim, de seus filhotes, mas por puro instinto e não por amor ou dever maternais.

Da mesma forma, o cão macho não está caído de amor nem apaixonado pela cadela com a qual acabou de cruzar. Ele ama é a seus donos, ama seu líder, ama brincar, ama ser paparicado e bem tratado, ama ser amado por quem ele ama.

E por tudo correr assim de maneira tão diferente entre mundo humano e animal é que os cães machos também não vão virar “mulherzinhas”ou ficar “efeminados”, ou menos valentes depois de castrados, como tanto temem alguns donos de cães – principalmente os homens. No mundo animal, simplesmente não existe nenhuma relação entre castração e perda de masculinidade como o homem a entende.

Fica claro que as mulheres aceitam muito mais a castração de seu cão macho ou fêmea do que os homens. E os homens relutam ainda mais se o cão deles for macho. O machismo latente (e muitas vezes patente) do homem latino, não se pode negar, tem um dedinho aí de influência na hora da decisão de castrar seu animal. Talvez porque alguns deles, mais do que as mulheres, ainda separem sexo de amor, ou porque fantasiem que sem os testículos e a capacidade reprodutiva seu cão macho vá se transformar num cachorro fraco, bobalhão, que a virilidade e a macheza dele — conceitos puramente humanos, lembre-se — vão-se embora junto com a castração. Puro mito.

Para o homem, as relações entre poder, dominação e sexo estão interligadas desde a infância. Para o homem, é difícil aceitar o fato de que um macho perca o “dom” de reproduzir, mesmo que ele, dono, não tenha interesse nenhum que seu animal venha a pôr filhotes no mundo. Ainda hoje, escuto donos de cães machos dizerem frases do tipo: Segurem as suas cabras, que meu bode está solto... Com um tom brincalhão, claro, mas sem conseguir disfarçar aquele ar verdadeiramente orgulhoso.

Quando alerto o dono de um cão não castrado que o seu animal pode subitamente vir a fugir atrás de uma cadela no cio — e o que pode ser pior para o dono, atrás de uma cadela de rua —, muitos dizem não se importar nada com isso, alegando que o problema não é do seu cão, mas da cadela... Esses donos acreditam que o animal, terminando de copular, seguramente achará o caminho de volta para casa, retornando mais calmo, aliviado e feliz... O que eles esquecem é que com esse tipo de atitude e pensamento exclusivista, para dizer o mínimo, eles estão ajudando a colocar ainda mais cães abandonados na rua e a disseminar doenças.

Sei quanto é difícil deixar de ver o seu cão como um macho humano, principalmente quando o assunto é castração e quando se pensa que ela envolve a retirada de órgãos sexuais. Mas se você realmente ama seu cão e é um cidadão que tem por hábito se manter bem informado a respeito do que acontece de mais moderno no mundo animal, vai naturalmente se interessar em conhecer as enormes vantagens que a castração oferece aos cães (uma intervenção cirúrgica das mais simples, tanto nas fêmeas e ainda mais nos machos, garantem os veterinários). Com seu cão castrado, no mínimo aumentarão sensivelmente as chances de você ter a seu lado, durante ainda muitos anos, a companhia de um amigo saudável e de comportamento exemplar.

A castração traz muitas vantagens ao cão que não vai procriar, principalmente se for realizada no primeiro ano de vida.

 

 

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