COVILHA
Estudo geográfico. Por Juan Vicente Santamaría
As primeiras noticias da Covilha
remontam a tempos dos romanos. Na luta entre os romanos e
os lusitanos (Viriato por aquí andou), Roma ordena
instalar uma colonia para dominar os caminhos entre a
Serra da Estrela e o vale do Zézere que terá sido o
antecedente da atual Covilha, que en tempos medievais
jogou um importante papel durante a Reconquista. Foi
cidade com foral (D. Sancho I, 1186) e privilegios para
os seus habitantes debido à importancia estratégica do
corredor norte-sul da Cova da Beira nas lutas com os
mouros.
As rotas de transumáncia dos gados em
Castela e Portugal tinham na idade media um local de
passagem privilegiado na Covilha, pois a Serra da Estrela
era um local de "estagio" para as ovelhas. Esta
abundancia de lá tera sido um dos factores que iniciou a
artesania textil dos lanificios. O outro factor será a
presença de alguns "capitalistas" dispostos a
invertir dinheiro no fabrico e comercio dos tecidos de
lá, nomeadamente judeus, muitos deles vindos de Castela
após o decreto de expulsao dos judeus de Espanha ditado
pelos Reyes Católicos (1492).
A importancia da cidade fica marcada
quando em 1764 o Marqués de Pombal instala a Real
Fábrica de Panos (continuando o exemplo dado no século
anterior pelo Conde da Ericeira) Este impulso dado às
manufacturas da lá terá a sua continuidade durante o
século XIX quando se instalam muitas fábricas de
lanificios, aproveitando as ribeiras que descem da Serra
da Estrela ( Degoldra e Carpinteira). Era este o tempo em
que a cidade se apelidava de "Manchester
portuguesa".
De facto, nos inicios do século XX
Covilha era uma das cidades portuguesas mais importantes,
quer em termos populacionais, quer sobre tudo em termos
económicos. Em 1911 Covilha era a oitava cidade
portuguesa pelo número de habitantes,com 15.469. Um
efeito difusor da industria dos lanificios a espalhava
pelos núcleos vizinhos da Serra da Estrela: Tortosendo,
Gouveia, Seia, Manteigas.
Os novos sistemas de transporte
favorecíam o corredor norte-sul a través da Cova da
Beira, deixando de lado a velha rota romana que
atravessava a Serra da Estrela em direçao a Coimbra. O
comboio (linha da Beira Baixa, 1891) e a Estrada Nacional
18 configuravam um eixo populacional dinámico quando a
cojuntura agrícola e industrial era favorável na Cova
da Beira: Covilha Tortosendo Fundao.
| Os anos das
guerras mundiais e a procura de metais
estratégicos provocaram a exploraçao intensiva
das Minas da Panasqueira, enquanto os anos 50
significavam o esplendor da industria dos
lanificios. A cidade mudava de face; o governo
lançou um vasto plano de remodelaçao do centro
da cidade, do antigo "pelourinho": novo
edificio da Cámara Municipal (Paços do
concelho) e a "praça do municipio"
convertida no salao de visitas da cidade. O
Teatro-Cine, o café Montalto, as tertulias nas
cantinas onde falava-se do último jogo do
Sporting da Covilha. |
Paços do Concelho. Desenho do autor
|
É nesta década que se consegue uma
ligaçao por estrada entre Covilha e Seia a través das
alturas da Serra da Estrela que ve povoadas as suas
cumbres de algumas infraestruturas (estaçao de radar,
torre ). Isto vai permitir um novo aproveitamento
turístico da Serra da Estrela: os desportos de inverno
(Ski), com as infraestruturas hoteleiras em Covilha.
Nos anos 70, esta mono-industria da
cidade sofría a decadencia da industria textil,
nomeadamente dos lanificios, comúm a todos os paises
industrializados, a sentirem a concorrencia de outras
regioes do planeta. A crise foi muito forte, muitas
empresas encerraram no final dos anos 70, num contexto de
cidade industrial muito especializada onde era difícil
buscar outras alternativas.
A criaçao da UBI (Universidade da
Beira Interior ) em 1986 veio alterar este panorama
sombrío, ao reactivar a atividade económica da cidade,
nomeadamente no sector serviços. Os cerca de 4.500
alunos e pessoal docente da UBI trouxeram uma nova
dinámica ao comercio local, ao mesmo tempo que novos
serviços e infraestruturas ( Hospital da Cova da Beira,
Faculdade de Medicina ) muito recentes ajudam a
diversificar estas actividades económicas, de onde nao
desaparecem as industrias de lanificios e vestuario.
Houve uma adaptaçao com a sobrevivencia das empresas de
maior dimensao e que apostam na qualidade e no design.
Outros sectores se juntam ao textil nos dois parques
industriais que possui a cidade: metalomecánica,
alimentar, construçao civil, etc.
Aliás, houve nos ultimos anos um
cuidado por preservar todo o patrimonio que representam
as antigas fábricas de lanificios. Desde organismos
oficiais; Cámara, UBI ( a propria UBI está instalada na
antiga Real Fábrica de Panos e outros antigos edificios
fabrís), tenta-se recuperar este expolio arqueológico
(arqueología industrial). Um exemplo disto é o Museu
dos Lanificios (1992) gestionado pela propria UBI.
O crescimento futuro da Covilha e de
toda a Beira Interior deverá passar por varios factores:
- Melhora das infraestruturas de
comunicaçao. Algumas já concluidas: eixo TCT
(Teixoso-Covilha-Tortosendo, 1976), Túnel da
Gardunha (1997). Outras aínda por concluir, mas
muito importantes: melhoras na linha ferroviaria
da Beira Baixa (2000-2006) e a construçao da
Autoestrada da Beira Interior (2003).
- Programas de investimentos
públicos, como o Programa POLIS e o Plano
Estratégico "Covilha Urbe 2030".
- Aumentar o peso da Covilha como
polo de atracçao turístico, nao só no sector
dos desportos de inverno, mas sim como porta de
entrada de um espaço ecológico de grande
qualidade ambiental como é a Serra da Estrela.
Num futuro, o crescimento físico da
cidade irá em direcçao ao Tortosendo a través do eixo
TCT como eixo ordenador. Como todas as zonas do interior,
o problema do despovoamento afecta sobre tudo à regiao.
O concelho de Covilha segundo os ultimos dados do Censo
2001 regista uma manutençao da populaçao respeito aos
níveis de 1991. A populaçao atual cifra-se em 54.453
habitantes.
Ó
Juan Vicente Santamaría. 2001 

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