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Cada Biblioteca Escolar tem a sua história própria. A
apresentação da memória da nossa biblioteca possibilita um
melhor enquadramento da sua situação actual.
A nossa escola nasceu em 1976-77 numa ala do Colégio do Sardão
e, segundo testemunhos de professores e ex-professores, a sua
primeira biblioteca localizava-se no sótão do edifício, com um
espaço de 4 a 5 m2. Apesar de esforços conjuntos, de
pedidos infrutíferos a solicitar livros e documentação a
entidades da área de VNG e Governo Civil do Porto, o espólio da
biblioteca era muito reduzido. Por incentivo de professores, dos
quais se destaca a professora Irene Maria Lemos, os
alunos contribuíam, ao longo do ano, com pequenas quantias de
dinheiro, adquirindo, no final do ano, livros, essencialmente
das Edições Paulistas.
Com a mudança da escola para as actuais instalações, em 1982-83,
o projecto já previa um espaço para a biblioteca, considerado
razoável e bastante acolhedor, com mobiliário próprio, apesar de
insuficiente. Nesta altura, através do seu escasso orçamento, a
escola teve a coragem de adquirir uma enciclopédia, o que se
tornava bastante dispendioso. Foram pedidos livros à Fundação
Calouste Gulbenkian, havendo também professores
e alunos que davam livros para a biblioteca,
principalmente nas áreas do Português e de Religião e Moral.
Anualmente era dada a oportunidade aos grupos disciplinares de
adquirirem livros. Este investimento no fundo documental tem-se
verificado ao longo dos anos, sendo uma das práticas
prioritárias da nossa escola, incentivada pela Conselho
Executivo.
A biblioteca
funcionava com a presença permanente de uma funcionária e de
professores com horas marcadas para este espaço.
Organizavam-se,
anualmente, exposições, tendo sido a primeira uma Exposição de
Pintura e Escultura de artistas de Gaia.
O primeiro Director
de Instalações, professor Júlio Macedo, surgiu anos mais tarde,
o qual se dedicou a elaborar o catálogo em fichas de todo o
fundo documental, por autores e temas. Organizava, anualmente
“Os Jogos Florais”.
Durante estes anos já havia algumas aulas de consulta na
biblioteca, mas a frequência espontânea dos alunos era reduzida.
No sentido de
alterar esta situação deu-se início a um Projecto, denominado
Projecto JEP, o qual veio criar uma dinâmica diferente na
biblioteca, fomentado pela Psicóloga da escola, Lúcia
Neves e pela professora Maria João Freitas.
PROJECTO JEP
A Escola tem procurado encontrar, ao longo dos últimos anos,
respostas adequadas às dificuldades
escolares sentidas pelos alunos, em particular, daqueles que
se encontram na escolaridade obrigatória.
Fruto de múltiplos e variados encontros, no ano lectivo de
1994/95, em conjunto com um grupo de professores da Escola,
surgiu a ideia de promover a biblioteca junto dos alunos, tendo
como principal recurso alunos da Escola. Assim, foi escolhido um
grupo de alunos do 10º e 11º ano, disponíveis para apoiar outros
alunos, particularmente mais novos, na biblioteca da Escola, em
actividades escolares. Constituiu-se, então, um grupo de 28
alunos voluntários.
De acordo com os objectivos iniciais, pretendia-se que estes
jovens constituíssem para os alunos mais novos e de anos de
escolaridade mais precoces, a figura de “mentor”, assumindo-se
como jovens significativos para outros jovens.
Com esta experiência, procurou promover-se também um
auto-enriquecimento dos alunos voluntários. Estes foram
designados como sendo os alunos JEP
–
"Jovens de Espírito Porreiro / Jovens Extremamente Prestáveis".
Tendo em vista os objectivos da experiência, as tarefas dos
alunos JEP consistiram em:
-
Ajudar os colegas a organizar o material escolar;
-
Ajudar os colegas na procura de conhecimentos;
-
Motivar os colegas para a aprendizagem;
-
Promover o aumento da frequência do espaço biblioteca.
No ano lectivo de 1996/97, a Escola concorreu com esta
experiência ao “Sistema de Incentivos à Qualidade da Educação –
Inovar, Educando/ Educar, Inovando”, concurso do Instituto de
Inovação Educacional.
Vale a pena referir
alguns resultados deste projecto, alguns particularmente
interessantes:
-
Um aumento bastante significativo da utilização do espaço
biblioteca, para a realização de actividades escolares.
Houve dias da semana em que não cabiam mais alunos neste
espaço!
-
O alargamento da equipa JEP a alunos do 3º ciclo, com os
Mini-JEPs;
-
O alargamento ao Secundário da população-alvo do projecto,
verificando-se uma elevada interajuda e apoio mútuo
intra-turma. Este resultado foi de tal modo encorajador em
certos casos, que determinados alunos do secundário não
teriam concluído com sucesso o ano escolar.
-
A motivação profissional de uma professora do projecto, que
no ano lectivo seguinte passou a assumir a direcção das
actividades na biblioteca, a professora Isabel Seca.
-
O nascimento progressivo da Sala de Estudo.
Nos últimos anos, a Sala de Estudo
funcionou na Biblioteca Escolar, sobrecarregando o espaço, para
finalidades que não as de uma biblioteca. A Sala de Estudo
passou a situar-se num espaço contíguo à biblioteca,
em espaço próprio, procurando-se a sua articulação com todos os
recursos, quer físicos quer humanos da biblioteca. A sua
responsável era a professora Isabel Sousa, envolvida igualmente
em todo o projecto atrás mencionado, colaboradora permanente das
actividades na anterior biblioteca. Este cargo foi, depois,
desempenhado pela professora Ana Felicíssimo, que outrora também
colaborou no projecto.
Em 1997, com a ajuda dos alunos JEPs, ultimou-se a
informatização de todas as existências em suporte “livro” e
“não-livro” – num total de 3000 registos, com o apoio do
professor José Augusto Pinho, que, tendo criado um programa Inhouse, permitiu a informatização de todas as existências,
possibilitando a pesquisa em qualquer dos computadores em rede.
Também o professor José Manuel Azevedo tem prestado todo o
apoio, desde o início das nossas actividades e, apesar de já não
integrar o quadro de professores da escola, continua a fazer
parte da equipa. Nesta área da biblioteca, contámos com a
colaboração de alguns professores, como foi o caso do professor
estagiário Jorge Santos e das professoras Alexandra Geada e
Filipa Pereira. Actualmente, este espaço multimédia é coordenado
pelo professor Rui Ramos, com a colaboração de uma equipa de
alunos e do professor José Manuel Azevedo.
Tendo sido aceite a
nossa Candidatura à Rede de Bibliotecas Escolares, a nível
nacional, decidimo-nos, como não podia deixar de ser, pela
aquisição de um programa informático para acolher todo o
trabalho de catalogação já feito, o que também nos permitirá uma
interacção permanente com a Biblioteca Municipal e as outras
Bibliotecas Escolares do concelho. Com estas instituições temos
desenvolvido um trabalho de parceria no âmbito da animação -
nomeadamente um Concurso de Postais de Natal e um Concurso de
Poesia - estando subjacente o princípio da solidariedade. Estas
iniciativas conjuntas contaram desde a primeira hora com o
Centro de Formação Gaia Nascente, enquanto pólo facilitador da
comunicação e da dinâmica interescolas; este Centro esteve
sempre aberto às sugestões de acções a realizar no âmbito da
formação relacionada com bibliotecas escolares. A Junta de
Freguesia de Oliveira do Douro, a Câmara Municipal de Vila Nova
de Gaia e a Associação de Escritores de Gaia têm também
colaborado nestes projectos, que se prevê terem continuidade,
dado o êxito que se tem vindo a constatar.
Para a organização e
funcionamento da Biblioteca Escolar/Centro de Recursos
Educativos, que se encontra ainda em processo de reestruturação,
temos tido a colaboração das professoras da equipa, Alexandra
Martins, Eugénia Teixeira e Manuela Saraiva bem como dos alunos.
Também como
elementos da equipa refira-se o papel fundamental que as nossas
funcionárias Dª Celeste Bastos, Dª Georgina Pereira (até 2001) e
actualmente Dª Graça Oliveira têm desempenhado no normal
funcionamento da biblioteca, apoiando os seus utilizadores e
executando tarefas de tratamento documental.
Um grupo de
professoras, Dulce Farinha, Andrelina Silva, Helena Flórido,
Ludovina Santos e Olívia Brites colaboraram empenhadamente na
elaboração de "Dossiers Temáticos". Os professores José Barros e
Adelino Pinho têm prestado todo o apoio a este grupo de
trabalho, bem como a muitas outras actividades na BE/CRE.
Propositadamente,
deixamos para último lugar um vector determinante na identidade
de uma Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos – a
animação cultural.
A animação da nossa Biblioteca Escolar tem sido um trabalho
partilhado com toda a equipa, mais directamente, com os
professores Rafael Tormenta, Alexandra Martins, Eugénia
Teixeira, Fernando Almeida,
Isabel Seca,
João Freitas,
José Augusto Pinho,
Lurdes Silva, Manuela Saraiva, Rui Ramos e a Psicóloga Lúcia
Neves.
Destacam-se como actividades anuais a Feira do Livro, os
concursos literários, as exposições, as homenagens e os
encontros com escritores, as bibliotecas itinerantes que têm
percorrido vários espaços da escola, as comemorações como a do
Dia do Livro, a transmissão em
écran gigante da entrega do prémio Nobel da Literatura a
José Saramago, as sessões de poesia, acções que ultrapassam a
própria equipa e englobam também os professores do 8º Grupo e
tantos outros docentes e não docentes desta casa.
Inseridos no "Projecto Viva a Escola", coordenado pelo professor
Rui Ramos, o Atelier
de Escrita
(até 2000), o Clube de
Leitura
e o Clube de Teatro
e de Arte de Bem Dizer, têm sido dinamizados em estreita
colaboração com outras actividades da biblioteca, proporcionando
a alegria e o bem-estar do mais importante que há numa escola:
os alunos. Porque o nosso querer colectivo e as nossas vontades
individuais, conjugados, é que fazem uma escola de sonho e de
poesia.
A BE/CRE está a funcionar nas actuais instalações desde 1999.
Foi profundamente remodelada, em 2003/04, com o financiamento
atribuído a nível concelhio pela Rede de Bibliotecas Escolares,
de modo a poder acolher mais utilizadores e mais materiais.
Tem sido lema desta BE/CRE –
“As Bibliotecas não se fazem; crescem”. E com
ela crescem também todos os que passam por este espaço, na troca
de experiências, no crescer conjunto, dentro e fora da escola.
Aquilo que mais desejamos e aquilo por que mais lutamos é que
perdure este espírito.
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TESTEMUNHO DE ALUNOS JEP's
no dia da inauguração oficial da BE/CRE
(Outubro de 1999)
(actualmente a estudarem no ensino superior,
o Márcio e a Marta Sofia)
"Eu e a Marta, em representação de todos os alunos que colaboraram neste
projecto, gostaríamos de agradecer o convite feito para estarmos
presentes na inauguração oficial do que pensamos poder continuar a
chamar a nossa biblioteca.
Gostaríamos de agradecer às professoras pioneiras deste projecto que
tanto nos ensinaram e colaboraram para o nosso desenvolvimento pessoal,
social e profissional que passo a citar: profª. Ana Maria, profª. Isabel
Seca, profª. Isabel Sousa, Drª Lúcia Neves e profª. Maria João.
Quando nos foi proposto este trabalho, o principal objectivo consistia
no apoio directo a alunos com dificuldades na realização das actividades
escolares. No entanto, verificámos que a afluência dos alunos à
biblioteca era reduzida. Para colmatar este problema, sentimos
necessidade de tornar a biblioteca um espaço mais dinâmico, acolhedor e
agradável para os alunos.
Com este propósito foi contactado o IPJ, que no âmbito dos Programas OTL
e através da colaboração da Câmara Municipal de Gaia, na pessoa do Dr.
Barbosa da Costa (que felicito), apoiou a aprovação do projecto de
remodelação da biblioteca.
Este projecto tinha como finalidades:
reorganização da biblioteca;
informatização das existências e criação da Mediateca;
aquisição de novos livros e revistas;
redecoração do espaço tornando-o mais atractivo e apelativo aos
alunos;
potencialização dos meios existentes.
Sobretudo queríamos fazer da biblioteca um espaço com o qual os alunos
se identificassem e sentissem como um prolongamento da sua própria casa.
No âmbito do projecto JEP, realizámos diversas actividades por
forma a promover um contacto mais estreito com os alunos da
escola, nomeadamente: angariação de fundos para aquisição
da parede escalada;
participação numa campanha de Natal para angariação de
mantimentos e vestuário a doar a organizações humanitárias da
zona; venda
de material da UNICEF;
realização de uma festa/concurso de talentos.
Foi através de todos estes mini projectos, integrados no projecto JEP, e
do empenhamento dos professores, alunos, funcionários, Conselho
Directivo, Associação de Pais, Câmara Municipal e IPJ, que a biblioteca
deixou de ser um local pouco frequentado, passando a ser considerado por
muitos o espaço mais agradável da escola.
Não queríamos terminar sem antes agradecer aos actuais JEP’s,
Mini/JEP’s, coordenadores do projecto, à equipa da biblioteca e a todos
aqueles que de alguma forma colaboram para tornar possível aquilo que um
dia foi o nosso sonho."
Márcio, Marta Sofia
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