Depoimento de José Marcondes
(Presidente do Grupo Folclórico Beco do Beijo)


Minha família, somos em nove irmãos, dentre eles seis homens e três mulheres: Chico, Berto, Dego, João, Osvaldo, José, Ana, Bertina e Leta. Sou casado com Flávia da Silva Marcondes e tenho dois filhos, Anderson e Bruna. Assim como eu, eles também gostam de Boi-de-Mamão e me ajudam a montar e apresentar essa bonita manifestação folclórica.

Meus pais também gostavam de Boi-de-Mamão, Terno de Reis e de tudo aquilo que fazia parte do folclore. O nome dado ao nosso grupo foi uma homenagem ao meu pai, que se chamava Benjamin Marcondes, conhecido como “Beijo”. Assim, ficou Grupo Folclórico Beco do Beijo.

A história de nosso grupo folclórico começou há muito tempo. Desde pequenos meus irmãos e eu gostávamos de brincar de cirquinho e de Boi-de-Mamão. Eu gosto de fazer qualquer personagem nas brincadeiras, inclusive o palhaço. Os meus irmãos Chico, Ana, Berto, Dego e Leta também gostavam de cirquinho e de Boi-de-Mamão, tanto que participavam de todas as brincadeiras.

Hoje, o nosso Grupo é conhecido em várias cidades do Sul de Santa Catarina, mas começou a ser o Grupo Folclórico Beco do Beijo só no ano de 1995. Antes era só uma brincadeira familiar.

Em 1990, eu e meu irmão Osvaldo Marcondes fizemos um Boi para brincar na Páscoa, e para distribuir balas às crianças carentes. Em 1991, eu, meu irmão Osvaldo e meu amigo Sidnei Corrêa Espíndola fizemos, novamente na Páscoa, um Boi e Nega Mariana. No ano seguinte o grupo aumentou, foram entrando mais pessoas: Dego, Leta, Bertina, meus irmãos, juntamente com minha esposa e filhos. Fizemos Boi, Cabra, Mariana, Urubu e brincamos. Somente na Páscoa de 1993 entraram para nos ajudar os meus amigos Silvério Corrêa Espíndola e José Titon. No ano de 1994 continuamos a fazer a brincadeira, mas com todos os bichos do Boi-de-Mamão.

Meu irmão João Batista Marcondes trouxe lã da vila Padre Itamar, e um puxador de canto muito bom, que é conhecido como Tadeuzinho, Tadeu Amorim Virgino.

Em 1995, meu irmão Osvaldo Marcondes deu ao nosso grupo o nome de Grupo Folclórico Beco do Beijo. A partir daí, passamos a ser conhecidos em vários colégios, igrejas, centros comunitários de Tubarão, em Criciúma, Içara e Próspera e Capivari de Baixo.

Nos anos seguintes continuamos mais fortes e fazendo mais apresentações. Nós dançávamos, o pessoal que nos assistia, pedia para que nós voltássemos a nos apresentar no ano seguinte. Isto é muito bom e gratificante, porque sabemos que nosso trabalho agrada e traz alegria. Depois de tantos anos, estamos sendo reconhecidos pela Prefeitura Municipal de Tubarão, por intermédio do Presidente da Câmara de Vereadores, o Vereador Pedro Ferreira que está tornando o nosso grupo de utilidade pública, a quem somos muito gratos.

Continuando a História do Grupo Folclórico Beco do Beijo, hoje contando comigo, José Marcondes, com Silézio Corrêa Espíndola, Osvaldo Marcondes, José de Souza Titon, João Batista Marcondes, Tadeu Amorim Virgino que fazia parte do Boi-de-Mamão do Morrotes, Volnei Vieira Machado, outro cantor juntamente com Izelda Rosa Marcondes, Flávia da Silva Marcondes, Rut Neves Espíndola, Aroldo Frasson e Zenair da Silva.

Contando crianças e adultos o nosso grupo atualmente tem 37 pessoas. As crianças são filhos dos pais que brincam o Boi-de-Mamão em nosso grupo e, assim, formamos uma grande família. Em março de 1997 foi formada uma diretoria para cuidar e organizar o nosso grupo. Meu irmão Osvaldo Marcondes faleceu em 13 de fevereiro de 1996. A diretoria, então, ficou assim: Presidente José Marcondes, Vice-Presidente Silézio Corrêa Espíndola, Primeiro Secretário Volnei Machado, Segunda Secretária Bruna da Silva Marcondes, Diretor Artístico José Souza Titon, Primeiro Tesoureiro Antônio Marcondes, Segundo Tesoureiro Jucemar Silveira, Diretor de Desenho e Montagem Valderi das Neves, Presidente do Conselho Fiscal Tadeu Amorim, e integrantes do Conselho Flávia da Silva Marcondes, Izelda Rosa Marcondes, João Batista Marcondes, Rut Neves Espíndola e Aroldo Frasson.

Com a morte de meu irmão, que era meu braço direito, eu pensei em desistir, mas o nosso grupo era, e é, muito unido e vieram todos e me falar: “Não nós não vamos parar, porque era uma coisa de que ele gostava.” Então, o presidente do centro comunitário Fábio Silva nos cedeu gentilmente uma sala e o salão para que nós ensaiássemos e guardassemos nosso material e os bichos. Ficamos por uns quatro meses lá no Fábio Silva, até que a gente se sentisse um pouco aliviado da dor que sentíamos com a perda do irmão e companheiro Osvaldo Marcondes, mais conhecido como “Vardo”.

Mas, voltamos para nossa casa e continuamos com as apresentações, cada vez melhores. Dançamos de maio a janeiro de 1998. Nesse ano, tocamos algumas vezes na Unisul, para ilustrar trabalhos universitários sobre História e Folclore.

Fomos convidados pela Professora Ruth Vieira Nunes e a Professora Deise S. Eloi de Farias para representar a Unisul e a cidade de Tubarão no Encontro Folclórico na cidade de Porto Belo, no ano de 1999, no 6º AÇOR. O nosso grupo aceitou o convite e deu um belo show. Todos os presentes naquela oportunidade ficaram encantados com nossas apresentações.

Começamos o ano 2000 fazendo a abertura do carnaval de Tubarão. Nosso grupo é o único desta cidade que tem um representante na diretoria eleita para comandar a cultura em nossa cidade.

Aqui está um pouco da história de um grupo Folclórico que tem trabalhado unido, como uma grande família, levando alegria por onde passa e mantendo com dignidade um das bonitas criações do nosso folclore

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