O MITO BOB MARLEY


1973

Os Rolling Stones trilham seu caminho rumo a decad�ncia com o �lbum Goats Head Soup; o Black Sabbath finalmente conquista a cr�tica com o macabro �lbum Sabbath Bloody Sabbath e o Led Zeppelin vira o rock de cabe�a para baixo em Houses Of The Holy. Mas as aten��es do cen�rio pop/rock internecional daquele ano voltam-se para tr�s cantores jamaicanos cujas figuras parecem saidas do velho testamento. Seu cabelos, chamados de dreadlocks (tran�as horriveis), parecem antenas espetadas na cabe�a e seu discurso prega o uso da maconha e louva um certo Hail� Selassi�, imperador da Eti�pia. A m�sica, uma fus�o do rhythm'n'blues norte americano (no caso, cristalizado no que hoje se conhece como soul music) com s�ncopes caribenhas, tem baixo e bateria em primeiro plano, quitarras em fun��o de um tchaca tchaca r�tmico e vocais m�ntricos, efeitos d�o �;s can��es clima hipn�ticos. Os tr�s cidad�os chamam-se Bob Marley e the Wailers. Armados com o disco Catch A Fire e com o novo g�nero musical -reggae- eles chegavam para mudar a hist�ria da musica popular. A saga de Bob come�a bem antes disso, numa prov�ncia da Jamaica chamada St. Ann. Ali, a 6 de fevereiro de 1945, nasce Robert Marley, rapaz que chega ao mundo para misturar. Sua m�e, Cedella Booker, era uma graciosa menina negra. O pai era ingl�s e branco: Norval Marley, contratado por um impreiteira inglesa para acompanhar as constru��es locais. Norval engravida a mo�a se casa com ela e zarpa no dia seguinte. Morre dez anos depois, sem nunca ter visto o filho. Bob tambem nunca quis saber do oficial Marley. Cedella deixa o rebento sobre os cuidados do av� Omeriah, conhecido curandeiro local. Desde cedo o menino mostrava talentos especiais: o pequeno Bob ganhava dinheiro aos seis anos lendo as m�os de mulheres da sua comunidade e costumava ver esp�ritos. Depois de uma visita a Kingston, capital da Jamaica, ele tem seu primeiro contato com a m�sica e decide ser cantor. A brincadeira rende a Bob seu primeiro cach�:  moedinhas dadas por uma frequesa encantada. A temporada no interior est� entre os per�odos mais felizes da vida do cantor. Em 1957, aos doze anos, Bob e a m�e mudam-se para Trenchtown, bairro de lata na zona oeste de Kingstown. Trenchtown � uma especie de BNH mal projetado: as casas s�o estreitas, sempre construidas numa �rea barra pessada (a antiga vizinhan�a foi destruida por um furac�o em 1957) os habitantes do local s�o p�rias da sociedade, pessoas que vivem de subempregos, bicos e, em muitos casos, dos crime.
Canto para subir

No final de 1961 Bob se junta ao meio irm�o Bunny e ao magricela Winston Hubert McIntosh (que ficaria famoso no mundo todo como Peter Tosh), e formam os Wailing Wailers ao lado dos tambem cantores Beverly Kelso e Junior Brathwaite. O lendario cantor de reggae Joe Higgs foi quem ajudou o rei do Reggae a escrever sua primeira composi��o, chamada "Judge Not". A can��o foi lan�ada pelo selo de Leslie Kong, comerciante chin�;s que come�ava a investir no mercado fonogr�fico lan�ando artistas jamaicanos - entre seus contratados estavam Desmond Dekker e um Jimmy Cliff ainda na puberdade. Marley gravou em poucas horas e recebeu quinze d�lares (jamaicanos que valem menos ) pelo seu trabalho. "Judge Not", por�m, n�o foi al�m de poucas execu��es em sound system...
O primeiro gosto do sucesso

A experi�ncia deixa aquele gosto de quero mais em Marley. Ao lado de Bunny e Peter, ele bate nas portas do Studio One, a mais famosa casa de grava��es da Jamaica. Seu dono Clement Dodd gosta do que ouve e contrata os Wailers. � no Studio One que os tr�s gravam seu maior sucesso na �poca: "Simmer Down". A can��o estoura por fazer uso de suas linguagens bastantes populares: a primeira � o ska, r�tmo que nasceu diretamente do rhythm'n'blues americano - acelerava as can��es do g�nero refor�ando o ritmo  na guitarra. A letra de Bunny fala diretamente para o seu povo: os deserdados de Trench Town e Concrete Jungle - as favelas mais perigosas da ilha - ,chamados rude boys. S�o malandros da pesada, que ostentam seus revolveres na cintura, bebem rum, ouvem ska e promovem todo e qualquer tipo de confus�o. Animado com suscesso dos Wailers, Coxsone Dodd apadrinha Bob Marley. Coloca o cantor para morar no Studio One e o contratam como instrutor de novas bandas. Entre os grupos que Marley lapida est� o Soulettes, liderado pela cantora Rita Anderson - mais tarde, senhora Marley. Primeiro Rita d� em cima de Peter Tosh - que se faz de dif�cil. Depois a cantora se apaixona por Bob Marley, com quem acaba se casando em 1966. A amizade de Bob e Peter nunca mais foi a mesma depois dessa rivalidade romantica. Os Wailers causam furor na Jamaica. Seja cantando material proprio ou seja coverizando p�rolas pop, o grupo est� sempre os dez mais tocados da ilha. Dinheiro que � bom nada. Bob ent�o aceita o convite de sua m�e para morar nos Estados Unidos. Cedella havia se casado novamente e estava vivendo em Wilmington, Delaware. Bob se casa com Rita e parte tr�s dias depois. Trabalha como montador de automoveis Chrysler.
A experi�ncia de Bob na Am�rica dura apenas oito meses. Quando volta, no final do ano, o ska havia sido substitu�do pelo rock steady, ritmo de cadencia mais lenta, criado nos estudios de Duke Reid - grande rival de Clemente Dodd, ex-patr�o de Bob. Os seus amigos tamb�m est�o diferentes. Eles e tamb�m Rita abra�aram a filasofia rastaf�ri. Uma mistura de seitas ancestrais com interpreta��o livre da B�blia, a filosofia tem como princ�pio a nega��o do mundo civilizado, a Babil�nia. Os rastas n�o comem carne, n�o bebem �lcool (seu alimento � um composto de frutas e raizes, chamado ital food). Cultivam longas tran�as e consomem maconha em doses enormes. Enfronhados na filosofia rastaf�ri, os wailers deixam de cultivar os dreads e procuram Clement Dodd. Mas ele est� envolvido com outros artistas jamaicanos e n�o quer saber mais do grupo. O trio ent�o volta a gravar com Leslie Kong. Nessa epoca tamb�m desembarca na Jamaica o cantor Johnny Nash e o radialista Danny Simms. Ambos se imprecionam com talento de Bob para escrever can��es e prometem transform�-lo em superstar. Contratam Bob como compositor e colocam o rasta para cantar ao lado dos m�sicos da diva soul Aretha Franklin.
Os Wailers gravam mais de 80 can��es na JAD, gravadora de Nash e Simms, mas n�o obt�m o sucesso esperado.
Um tapa nas paradas

Com a verba irris�rias oito mil libras, Catch A Fire torna-se cl�ssico instant�neo. Mas o sucesso dessa obra n�o pode ser creditado ao acaso. Suas faxas s�o resultado de mais de dez anos de trabalho duro, can��es lapidadas pelo tempo que trazem uma boa dose de sofrimento nos locais. Blackwell tamb�m chamou alguns convidados especiais, como o guitarrista ingl�s Wayne Perkins - � dele o belo solo de "Concrete Jungle". Sucesso nas r�dios inglesas e jamaicanas, os Wailers encontram tempo para lan�ar outro �lbum: Burnin' , marcado pelos cl�ssicos "Get Up, Stand Up", e "I Shout The Sheriff". Na �poca o talento de Bob Marley como compositor atrai artistas de outras �reas. Barbra Streisand grava "Guava Jelly", o bluesman Taj Mahal coveriza com propriedade o hino "Slave Driver". Os bons ventos sopravam at� para Lee Perry, que lan�ou a colet�nea African Herbsman, cheia can��es dos Wailers gravadas em seu est�dio. Quem se d� melhor com o fruto do sofrimento de Bob Marley � o guitarrista ingl�s Eric Clapton, ent�o com o prestigio em baixa e a carreira em seria crise. Rec�m-saido de uma clinica de reabilita��o para drogados, ele grava "I Shout tha Sheriff". A can��o alcan�a o primeiro lugar na parada inglesa e salva a carreira do guitarrista ingl�s.
Mesmo reconhecido e admirado por publico e critica, os Wailers internamente n�o viviam uma situa��o das melhores. Peter Tosh n�o engole o nome de Bob Marley � frente do seu. Bunny tamb�m n�o gosta de viajar, tem medo de avi�o e prefere o calor e a morosidade jamaicana � vida do mundo civilizado. Foi o primeiro a deixar a banda. Com Joe Higgs nos vocais e na percus�o, Bob Marley e the Wailers trabalham seus discos nos EUA. Aparecem em programas de TV, fazem shows de abertura para Bruce Springsteen e viajam ao lado de Sly & The Family Stone. Imagine a cena: os Wailers, religiosos e vegetarianos, dividindo o palco com uma turma de funkeiros que nadavam em drogas pesadas e farras hom�ricas. Os jamaicanos foram despedidos no meio da turn�.
Novos sofredores

Desiludidos, os rastas se dispersam. Bunny Livingston n�o d� mais as caras e Joe Higgs n�o se interesa pelo emprego. Peter Tosh parte para a carreira solo e o tecladista Earl Lindo entra na banda de Taj Mahal. Os problemas n�o afetam Bob. Em 1974 ele mostra a nova cara dos Wailers com Natty Dread, outra obra seminal na hist�ria do reggae. Bob apresenta o menino prod�gio dos teclados Bernard Harvey - mais tarde lider do Inner Circle. Tosh e Bunny n�o est�o mais ali para harmonizar? Entram em cena as I-Threes, trio vocal formado por Rita Marley, a amiga Judy e Marcia, cantora que, ao lado do ex-marido Bob Andy, emplacou o sucesso "Young, Gifted And Black", nas paradas de sucesso inglesa. Completam o time o percurssionista Alvin Patterson - companheiro de Marley desde os anos 60 - e o guitarrista americano Al Anderson. Puxado, pelo hit "No Women No Cry", Natty Dread marca a entrada de Bob para o time dos superstars. Chegados num sacolejo, os ingleses lotam a casa de shows para asistir a dois concertos do cantor. O resultado est� bem registrado em Live!, um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. De volta a Jamaica, Bob se une aos companheiros Peter Tosh e Bunny Wailer para uma apresenta��o dos Wailers. Longe de Bob, Peter e Bunny v�o levendo sua vida. O primeiro tem um trabalho marcado pela revolta e paga um pre�o alto por isso. As sess�es de Legalize it, seu primeiro trabalho solo, o estudio em que gravava � invadido pela policia. Tosh apanha mais do que boi ladr�o. Levado para o, hospital passa horas sem atendimento. Bob Marley tem a vida que pediu a Jah. Admirado com sucesso o seu artista mais carism�tico, Chris Blackwell o presentea com uma mans�o na parte rica de Kingstown. A Island House, como � chamada, vira uma comunidade rastaf�ri no terreno ocupado pelos playboys jamaicanos. Bob d� comida aos pobres, recebe grupos de reggae e � visitado pelos seus antigos companheiros. As can��es de Bob sempre falaram da barra de se viver em Trenchtown, na dificuldade em ser rasta num pa�s dominado por homens de neg�cio - na vis�o do poeta "os crazy baldheads", "carecas malucos". O discurso ganha ares de revolta em Rastaman Vibration. Neste �lbum Marley reafirma sua posi��o religiosa, selebrando o pensamento positivo dos rastas "Positive Vibrations"; d� um esporro nas r�dios locais, que se recusam a tocar reggae "Roots, Rock Reggae"; enumera a viol�ncia sofrida pelo povo, seja por parte da pol�cia ou dos pol�ticos.
Baleado

A Babilonia d� uma li��o exemplar a Bob. O cantor decide apoiar o pol�tico socialista Michael Manley nas elei��es, grava o jingle "Smile Jamaica"; e promete tocar em seu com�cio. O Smile Jamaica Concert deveria acontecer no dia 5 de dezembro de 1976. Dois dias antes, pistoleiros invadem a mans�o de Bob e mandam azeitona preta em cima do cantor. Marley � atingido no bra�o e no ombro; seu empresario e alvejado na cabe�a. Recem-integrado aos Wailers, o guitarrista americano Donald Kinsey - que depois entraria na banda de Tosh - se esconde de baixo da cama. Existem outras explica��es para o atentado. Uma delas � que Alan Cole, jogador de futebol encrenqueiro de marca maior, teria se comprometido a pagar uma divida para a galera de Concrete Jungle. Cole - que jogou no N�utico nos anos 70 - n�o era confiavel. Bob pagou aos mafiosos da favela algumas vezes. Quando se recusou a gastar nova soma de dinheiro, Concrete Jungle mandou seu aviso. "Eu sei quem atirou em mim. N�o vou contar e n�o quero saber o que aconteceu com eles". Vers�es algo fantasiosas falam em bandidos rodando as ruas de Concrete Jungle como zumbis. E teve gente que pediu perd�o a Marley.  "Um desses pistoleiros esteve no show de Bob em Londres em 1977. Marley perdoou o cara e ele nos acompanhou por toda a turne", relata Roger Steffens.
Fuga da Jamaica

O atentado deixa marcas profundas em Bob Marley. Ele atende a sugest�o de Chris Blackwell e muda-se para a Inglaterra. Ali, faz amizade com as bandas locais e conhece a agita��o do movimento punk. Curiosamente, em Londres que Bob lan�a seu disco mais calmo: Exodus. O �lbum introduz o guitarrista Junior Marvin. Ex-integrante da banda de Steve Winwood, ele chega para dar um toque jazz�stico ao reggae resit�ncia dos Wailers. Marley tambem abranda o discurso por outra raz�o: est� amando novamente. A eleita de seu cora��o � Cindy Breakspeare. Branca e bem-nascida, formada em educa��o f�sica, ela inspira Bob com suas formas fenomenais. Quem n�o gosta da uni�o entre o preto Bob e a branca Cindy s�o os rastas. Antes do cantor viajar, eles v�o a Island House tomar satisfa��es. Bob � curto e grosso, diz que ninguem deve se meter com a vida dele. E quem n�o tiver pecado que atire a primeira pedra. Os rastas entendem o recado e param de importunar o cantor. No mesmo ano em que lan�a Exodus, Bob sofre o acidente que lhe seria fatal. Ao jogar uma partida de futebol com jornalistas franceses, ele machuca o dedo do p�. A ferida infecciona e, ap�s nuitos discuidos, um pequeno c�ncer se desenvolve: um m�dico sugere que Bob ampute o ded�o. O cantor se recusa a entrar na faca, alegando ras�es religiosas: Nenhum peda�o do corpo de um rasta deve ser cortado.
Volta � terra prometida

A temporada de Bob na Europa � fundamental para disseminar o reggae pelo resto do mundo. Tendo o Steel Pulse como banda de abertura, o astro jamaicano tocou por todos os pa�ses daquele continente, sempre com casa cheia. Kaya chega as lojas em 1978. No mesmo ano � lan�ado Babylon By Bus, �lbum que coleta as melhores performances do Wailers na Europa. Mas Bob n�o esquece jamais a Jamaica, preocupado com a situa��o pol�tica do pa�s - que est� as portas de uma querra civil - ele promove o One Love Concert a 6 de abril de 1978, do dia do anivers�rio da visita de sua santidade, Hail� Selassi�. O show tem por objetivo reunir os dois maiores inimigos pol�ticos da ilha, Michael Manley e Edward Seaga. Enguanto interpreta "Jammin", Bob chama a dupla no palco e ordena que eles apertem as m�os. "Aquele momento foi engra�ado. parecia cristo no meio de dois ladr�es", desdenha Garrick, artista pl�stico e diretor da funda��o Bob Marley. Garrick estava certo: no mesmo concerto em que Bob pedia paz e compreens�o, Peter Tosh acende um enorme cigarro de maconha na frente de Manley (primeiro ministro da ilha) e pede a liberta��o da erva sagrada. A resposta vem tr�s dias depois: a policia p�ra o cantor na estrada e quebra a m�o de Tosh de tanta pancada. O Brasil tamb�m entra no roteiro de Bob Marley, mas apenas para uma visita promocional. Ele desembarca no Rio de Janeiro em mar�o de 1980, como principal atra��o internacional da gravadora Ariola. Bob chega acompanhado do guitarrista Junior Marvin e do vocalista do Inner Circle. O cantor joga bola no campo de Chico Buarque ao lado do proprio Chico, do compositor Toquinho e do craque Paulo C�sar Caju. A noite Bob comparece a uma festa no morro do Urca. Bob n�o toca nem canta, apenas observa o movimento de um camarote especial. No dia seguinte embarca para a Jamaica prometendo voltar com o show dos Wailers em breve. O que nunca veio a acontecer, pelo menos com Bob.
Mortos mas n�o esquecidos

Uprising � lan�ado em maio de 1980. Trata-se de um disco irregular, em que Bob d� recados amargos ao ex-amigo Don Taylor ("Bad Card") e flerta com os novos sons da Jamaica ("Could You Be Love"). Ele junta os Wailers para uma turne com os Commodores, no Madison Square Garden. No primeiro dia, tudo ocorre bem. Fora do palco as coisas n�o est�o muito boas. Bob est� fazendo cooper quando desmaia no Central Park. � a tal ferida do ded�o, que nunca cicatrizara completamente. Ela havia evolu�do para um c�ncer, que domina os pulm�es e o cerebro do cantor. H� pouco a se fazer. Bob tenta o tratamento esperimental numa cl�nica na Bav�ria, dirigida por um m�dico alem�o. Abatido e j� sem as famosas Dreadlocks - perdidas ap�s in�meras sess�es de quimioterapia -, o cantor morre a 11 de maio de 1981. Tinha 36 anos. Os funerais do cantor s�o acontecimento nacional na Jamaica. O legado do rei do reggae permanece: Est� para ser produzida este ano uma cinebiografia, o filme pretende contar a hist�ria de Bob e de seus companheiros. E acaba de sair no Brasil Queimando tudo, biografia definitiva de Bob, o homem que um dia cantou "Catch a fire" ("peque um fogo", principal frase de can��o "Slave Driver") ainda tem lenha para queimar.
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