N�meros puxam o tapete de FHC
Luiz Aparecido

Engavetada pelo governo, pesquisa trazida � luz pela Folha de S. Paulo revela que 60% dos brasileiros acham o socialismo o melhor regime para o pa�s, enquanto outra parcela defende a estatiza��o das empresas privatizadas

Bras�lia � O sinal vermelho iluminou e apitou nas ante-salas do Pal�cio do Planalto, h� pelo menos dois meses, quando surgiram pesquisas eleitorais de v�rios institutos mostrando um quadro in�dito. O candidato do PT, Luiz In�cio Lula da Silva, atingia um patamar acima de 30% das inten��es de voto e, ao mesmo tempo, apresentava seu menor �ndice de rejei��o do eleitorado. Ali�s, o menor �ndice entre todos os candidatos sondados e em toda sua trajet�ria pol�tica.
Os demais pr�-candidatos presidenciais, alguns que vinham tendo uma trajet�ria fulminante, come�avam a dar �gua. Ciro Gomes, o queridinho da classe m�dia e t�rtius dos grandes empres�rios, apesar do acordo com o sempre oportunista PTB, come�ava a patinar em �ndices cada vez menores. Itamar Franco, o governador mineiro e desafeto pessoal do presidente FHC, crescia at� certo ponto, mas a partir da� se enrolava em suas pr�pria idiossincrasias. Seu partido, o PMDB, se articulava rapidamente para lhe tirar o ch�o sobre seus p�s.
Apenas Anthony Garotinho, rec�m crist�o-novo no PSB, que come�ava pelas beiradas da periferia urbana dos evang�licos, parecia ter ainda algum f�lego para continuar no p�reo. Mas logo descobriram algumas estripulias dele como radialista e incorre��es no seu governo no Rio de Janeiro. Foi o que bastou para sua ascens�o estancar.
Foi sem muito esfor�o que os estrategistas do Pal�cio do Planalto, mancomunados com os homens do FMI e seus ac�litos nacionais, mais as vivandeiras de sempre (reacion�rios empedernidos, ruralistas tacanhos, financistas acostumados a mamar nas tetas generosas do er�rio p�blico e profissionais do mal � aqueles que sempre servem quem desserve o Brasil) colocaram seus planos de dividir e enfraquecer a oposi��o em a��o.
S� n�o contavam com a rea��o do povo � situa��o do Brasil e a incompet�ncia do governo FHC. Esses dois fatores s� fizeram aumentar a rejei��o ao governo e a quem tinha qualquer v�nculo com ele. Vejam s� os �ndices de aceita��o do ministro Jos� Serra, da Sa�de, nas inten��es de voto. E o que diria de Paulo Renato, ministro da Educa��o, ou do governador do Cear�, Tasso Jeireissati!

Governo �rf�o de candidatos
Enquanto os pr� candidatos da oposi��o, exceto Lula, trope�avam em seus pr�prios problemas, os bruxos de FHC comemoravam suas dificuldades e criavam outras. Se metiam nos assuntos internos dos partidos (vejam o eu acontece com o PMDB), levantavam falsos testemunhos contra uns e outros e dificultavam a forma��o de frentes partid�rias que os viabilizasse eleitoralmente.
Mas tinham e t�m um problema que a oposi��o n�o tem. Cad� seu candidato vi�vel para dar continuidade aos planos neoliberais de FHC e seus patronos do FMI? S� um homem tem peito e argumento para encarar essa tarefa: Pedro Malan, o ministro da Fazenda e feitor do FMI no Brasil. Mas ele tamb�m n�o tem voto e nem coragem suficiente, para encarar uma campanha em que tenha que percorrer o Brasil de Norte a Sul e ainda visitar a realidade fantasmag�rica que ajudou a criar pelos imensos bols�es de pobreza.
A realidade parece correr celeremente para um quadro que, salvo milagres (apesar de dizerem que Deus � brasileiro, ele n�o est� t�o � disposi��o assim para tal tarefa no momento), tende a afunilar o processo eleitoral para a candidatura de Luiz Inac�o Lula da Silva, o PT e as oposi��es conseq�entes, e para algum homem palaciano, cercado de bruxos e marqueteiros, muito dinheiro e da fada madrinha da m�dia t�o condescendente ao poder central.

Vem sujeira por a�
Al�m das pesquisas de inten��es de voto, o governo e seus amigos grandes empres�rios mandaram fazer uma outra pesquisa, h� algumas semanas, que os assustou ainda mais. Queriam saber o que o povo pensava do socialismo, da privatiza��o e da reestatiza��o de empresas estrat�gicas, al�m de outras quest�es de fundo, como a a��o dos bancos e dos financistas. Queriam, com isso, mostrar que o povo n�o quer o socialismo e estava feliz com as privatiza��es.
O resultado foi t�o assustador que depois de mostrarem o resultado da pesquisa para FHC, os empres�rios, mancomunados com o governo, decidiram esconder, por fogo, dar sumi�o na pesquisa. Mas tamb�m decidiram us�-la ao contr�rio. Para combater seus efeitos e tentar mudar a impress�o que o povo tinha das quest�es nacionais chaves.
Pela tal pesquisa, mais de 60% da popula��o acha o socialismo o melhor regime para o Brasil, queriam em maior propor��o ainda, que todos os bancos, todos, fossem estatizados, que as empresas privatizadas, principalmente as teles, Vale do Rio Doce, energia el�trica, saneamento e outras voltassem para as m�os do Estado. Foi um tiro nos culh�es dos privatistas e dos mentores do governo neoliberal de FHC.
A pesquisa escondida a sete chaves pelos poderosos foi denunciada por uma mat�ria discreta na Folha de S�o Paulo e, incrivelmente, n�o houve o bafaf� que se esperava dos l�deres da oposi��o, para exigir que ela fosse divulgada como devia e tivesse repercuss�o no Congresso Nacional. Est� na hora de traz�-la � tona e discuti-la com a na��o. Pode sair da� uma nova plataforma eleitoral para a esquerda e as oposi��es, agora, perfeitamente sintonizadas com os anseios populares, referendados cientificamente.
� necess�rio que a oposi��o comece agora a se articular em cima desses fatos e se antecipe ao governo FHC, para com essa pesquisa em m�os, ir abortando o ba� de maldades que os bruxos de plant�o no Pal�cio do Planalto e adjac�ncias est�o bolando contra os interesses do povo brasileiro.
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