Estes inc�modos exclu�dos


Por Marco Aur�lio Weissheimer  

     Trabalhadores desempregados e agricultores sem-terra foram as  principais estrelas da cerim�nia de abertura do primeiro F�rum Social Mundial, na tarde desta quinta-feira, em Porto Alegre. O grande audit�rio do Centro de Eventos da PUC-RS ficou completamente lotado. Ao som de tambores e de um uivo eletr�nico melanc�lico, dezenas de trabalhadores do campo e da cidade participaram de uma encena��o fortemente simb�lica. A exclus�o social foi a refer�ncia central deste simbolismo. Cen�rio simples, nenhum guarda-roupa especial, o estilo escolhido foi um de um cru realismo. Nesta est�tica franciscana, os �nicos adere�os foram seus instrumentos de trabalho e bandeiras coloridas representando a uni�o dos povos. Ali�s, este foi outro elemento central da cerim�nia: a confraterniza��o dos povos.
     Representa��es de 120 pa�ses participaram da abertura do F�rum, vindas tanto de pa�ses pr�ximos, como Uruguai, Paraguai e Argentina, quanto de na��es situadas a milhares de quil�metros de Porto Alegre: Casaquist�o, Lesoto, Emirados �rabes Unidos, apenas para citar alguns casos. As mais aplaudidas foram as delega��es do Brasil, de Cuba, do M�xico e da Fran�a. Houve uma pequena vaia, misturada com aplausos, para os representantes dos Estados Unidos. 
     O governador do Rio Grande do Sul, Ol�vio Dutra, em seu pronunciamento, deu o tom do tipo de globaliza��o que o F�rum Social Mundial busca construir: uma integra��o entre os povos e n�o entre mercados. A sess�o de abertura reuniu pessoas das mais diferentes culturas do mundo, mas com uma disposi��o em comum: o desejo de encontrar alternativas para a constru��o de um mundo onde haja �tica na pol�tica e solidariedade na economia, ainda conforme as palavras do governador ga�cho. Mas a cerim�nia n�o foi dominada pelas autoridades e grandes personalidades. Isso ficou claro desde o in�cio. A primeira pessoa a falar foi a sindicalista Maria Edinalva Bezerra de Lima, da dire��o da Central �nica dos Trabalhadores. Ela destacou a possibilidade do F�rum ser um ponto de partida para uma grande articula��o internacional contra os efeitos perversos das pol�ticas neoliberais.  
     Representando o Comit� Internacional do F�rum, o jornalista Bernard Cassen, diretor do Le Monde Diplomatique, fez uma breve interven��o em espanhol: "vindos de 120 pa�ses, estamos aqui para mostrar que outro mundo � poss�vel".  O prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, disse que o F�rum representa os esfor�os e desejos de pessoas que acreditam numa humanidade determinada n�o pela l�gica da mercadoria, mas pela consci�ncia de homens e mulheres que se recusam a abandonar os princ�pios da solidariedade, da justi�a social e da coopera��o. Ap�s Tarso, foi a vez do governador Ol�vio Dutra, que fez a fala mais longo da cerim�nia. Ele destacou que o F�rum Social Mundial difere do F�rum de Davos n�o apenas em conte�do, mas tamb�m quanto a natureza de seus participantes. "Os participantes deste F�rum representam a multiplicidade de organiza��es da sociedade civil mundial que, ao lado de gestores governamentais e partidos pol�ticos, se dedicar�o com profundidade � reflex�o e � formula��o de bases para a constru��o de um novo mundo. Estamos construindo um espa�o para o resgate do patrim�nio mais valioso da humanidade: a solidariedade, a justi�a, a �tica na pol�tica", disse Ol�vio. 
     Ap�s a fala dos representantes das entidades que organizam o F�rum e das autoridades da prefeitura e do governo do Estado, foi a vez dos principais personagens da festa entrarem em cena. Cabisbaixos, andando em fila no fundo do palco, dezenas de desempregados e trabalhadores rurais sem-terra desfilaram em sil�ncio por alguns minutos. A melancolia e o luto foram se transformando, ao longo do tempo, em disposi��o para resistir. As cabe�as foram se erguendo e as m�os, antes ca�das, passaram a portar martelos, serrotes, pneus, foices e outros objetos. A ressurrei��o dos exclu�dos foi marcada com um desfile de bandeiras coloridas, representando a diversidade e a integra��o dos povos. Ao final, eles distribu�ram para o p�blico pequenos saquinhos contendo sementes de milho e de girassol. Os frutos da terra e do trabalho foram apresentados como esp�cimes em extin��o, que exigem urgentemente uma pol�tica de preserva��o. A op��o dos organizadores da cerim�nia parece ter sido mesmo valorizar a simplicidade e este contato direto entre os delegados e aqueles que s�o a raz�o de ser do F�rum: os exclu�dos.  
     O resultado final foi, em certa medida, inc�modo. O que, talvez, seja o maior elogio que se possa fazer � cerim�nia de abertura de um evento que pretende discutir as dores do mundo.  

fonte: www.forumsocialmundial.org.br
Hosted by www.Geocities.ws

1