O mundo em marcha contra o neoliberalismo

Por Daniel Merli, Rita Casaro e Wilson Sobrinho 

      A avenida Borges de Medeiros, no centro de Porto Alegre,  foi tomada quinta-feira � tarde por cerca de dez mil pessoas  (dados da Brigada Militar) para a
"Marcha Mundial contra o  Neoliberalismo e pela Vida". Uns foram de bicicleta, outros, de  cadeira de roda e at� pernas-de-pau. A marcha saiu do Largo Gl�nio  Peres, em dire��o ao Anfiteatro P�r-do-Sol, com muita m�sica,  faixas, discursos fervorosos contra a globaliza��o enon�mica e  em favor de um outro mundo, com menos exclus�o social. 
     Algumas das maiores estrelas do F�rum Social Mundial puxaram  a  passeata. Entre elas, o governador do Estado, Ol�vio Dutra; o  prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro; o editor do jornal franc�s  Le Monde Diplomatique, Bernard Cassen; e Lula, presidente de honra  do PT. Muita gente saiu para a rua usando s�mbolos partid�rios, de  Ongs ou simplesmente manifestando a necessidade de construir um  mundo diferente. Grupos gays marcharam ao lado de sem-terra,  sindicalistas, punks, organiza��es de direitos humanos e outros.  Camisetas, cartazes e faixas demonstravam a pluralidade. A frase 
"Boicote o McC�ncer" estampava a camiseta de um garoto que caminhava  com uma bandeira de Cuba �s costas. "Autoritarismo s� na cama", pregava um cartaz levado por um jovem. "Ei, ei, ei, Porto Alegre �  gay", comemorava a delega��o de Gays, L�sbicas e Simpatizantes (GLS)  em seu grito de guerra. Em outra camiseta, uma tarja vermelha cobria  a bandeira dos Estados Unidos. At� a tradicional queima do boneco  representando o Tio Sam ocorreu. Com direito a an�ncio no carro de  som que comandava a caminhada e aplausos em profus�o. 
     Uma solit�ria bandeira da Palestina destacava-se em meio � multid�o,  empunhada por Ziad Majed, liban�s. Ativista do Conselho de Cultura  do Sul do L�bano, Ziad pretende participar de atividades sobre  justi�a social, cultura e resist�ncia. Junto a ele, outros quatro  libaneses est�o em Porto Alegre para o FSM. "� momento para  denunciarmos a opress�o, agora que tantas pessoas de tantos pa�ses  est�o aqui", disse. 
     Pacifismo ou viol�ncia 
     Muitos manifestantes solit�rios agregaram-se � massa. Foi o caso de um  homem chamado Jesus, que veio do pa�s Basco a Porto Alegre pedir  condi��es humanas aos presos pol�ticos que s�o seus conterr�neos. 
     Caracterizada pela diversidade, a marcha contou at� com uma  dissid�ncia tempor�ria. Cerca de 200 manifestantes interromperam o  caminho pela Borges de Medeiros para fazer um protesto em frente ao  McDonald�s da Rua da Praia (Rua dos Andradas). Em frente � filial da  lanchonete norte-americana, um s�mbolo do imperialismo, os  manifestantes gritavam palavras de ordem contra o capitalismo e em  favor dos pobres do mundo.  Alguns punks mais exaltados provocaram os policiais militares e  atiraram ovos contra o local, que permaneceu intacto. Como n�o houve  rea��o por parte dos PMs - que fizeram uma corrente para evitar que  algu�m entrasse - o ato terminou sem maiores conseq��ncias. A parada  seguinte foi o Instituto Cultural Brasileiro Norte-americano, na rua  Riachuelo. L�, a muni��o da artilharia foram frutas e os alvos os  PMs, que mais uma vez limitaram-se a proteger o pr�dio. Para completar, os punks deixaram inscrita em spray a mensagem
"Fora capitalistas"
     Entre as diversas faixas, uma, de 20 metros, confeccionada pelo Comit�  de Luta pelos Povos, dizia: "
Abaixo o Plano Col�mbia/A Amaz�nia �  Nossa". Embora n�o citado nas faixas, tamb�m estava em pauta a defesa  do povo palestino, informou Leonardo Pinho, da Juventude em Luta  Revolucion�ria e um dos organizadores do desvio da marcha.  No momento  em que as primeiras pessoas da marcha come�avam a chegar ao Anfiteatro  P�r-do-Sol, os �ltimos manifestantes ainda estavam na avenida Borges  saindo do centro, cerca de dois quil�metros e meio a tr�s do local da  concentra��o final.  

fonte: www.forumsocialmundial.org.br
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