Internacionaliza��o da Amaz�nia                                   (27/0ut/2000)
                               Por Chirstovan Buaque (*)


Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionaliza��o da Amaz�nia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e n�o de um brasileiro.

Foi a primeira vez que um debatedor determinou a �tica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionaliza��o da Amaz�nia.

Por mais que nossos governos n�o tenham o devido cuidado com esse patrim�nio, ele � nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degrada��o ambiental que sofre a Amaz�nia, podia imaginar a sua internacionaliza��o, como tamb�m de tudo o mais que tem import�ncia para a Humanidade. Se a Amaz�nia, sob uma �tica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos tamb�m as reservas de petr�leo do mundo inteiro.

O petr�leo � t�o importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amaz�nia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extra��o de petr�leo e subir ou n�o o seu pre�o.

Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrim�nio da Humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos pa�ses ricos deveria ser internacionalizado.

Se a Amaz�nia � uma reserva para todos os seres humanos, ela n�o pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um pa�s. Queimar a Amaz�nia � t�o grave quanto o desemprego provocado pelas decis�es arbitr�rias dos especuladores globais.

N�o podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar pa�ses inteiros na vol�pia da especula��o. Antes mesmo da Amaz�nia, eu gostaria de ver a internacionaliza��o de todos os grandes museus do mundo .

O Louvre n�o deve pertencer apenas � Fran�a. Cada museu do mundo e quardi�o das mais belas pe�as produzidas pelo g�nio humano. N�o se pode deixar esse patrim�nio cultural, como o patrim�nio natural amaz�nico, seja manipulado e destru�do pelo gosto de, a um propriet�rio ou de um pais.

N�o faz muito, um milion�rio japon�s, decidiu enterrar com ele um quadro e de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado .

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Na��es Unidas reuniam o F�rum do Mil�nio, mas alguns presidentes de pa�ses tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos o EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Na��es Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade.

continua...
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