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Pescaria
no Santa Bárbara
Estrelando: Fudêncio e Lacraia
Texto escrito por: Fudêncio
Verão
de 2004, Praia Grande (SP). Numa manhã ensolarada, dois
rapazes dormem tentando adiar a inevitável ressaca da
noite anterior, quando Rafael, sem se preocupar com isso, vai
acordar Fudêncio e Felipe:
- Vamos acordar ae seus bêbados
do caralho !!! Tá um puta sol lá fora !!! - dizendo
isso ele abriu a janela pra mostrar o sol e nisso começou
a rir - Hehe !!! Olha isso !!! Já sei o que a gente vai
fazer essa noite !!! Essa noite a gente vai pescar !!!
Fudêncio e Felipe foram ver do
que se tratava, e se empolgaram com a idéia: havia um
aquário no prédio ao lado, o Santa Bárbara,
a aproximadamente 5 metros de distância da janela do quarto,
com 3 carpas, aparentemente sendo uma "mãe"
e dois "filhotes".
A idéia foi tão impolgante
que antes de escurecer Felipe já tinha posto em seu quarto
3 varas de bambu do seu pai com anzóis. Enquanto a bebedeira
ocorria normalmente já discutia-se o que seria feito
com os peixes: sushi ou uma porção frita ? Mas
de qualquer forma Bruna limparia os peixes e Fudêncio
com seus dotes culinários prepararia o rango.
Mas ocorreu que um dos efeitos mais
comuns do álcool começou a fazer efeito: a amnésia,
e antes que alguém lembrasse que haveria pescaria nàquela
noite muita gente foi durmir. Quem ficaram acordados foram o
Fudêncio, o Felipe, a Bruna e o Ewerton. Lá prás
15 prás 4:30 da manhã todos subiram pra durmir
e ao chegar no quarto, Felipe e Fudêncio se lembraram
da pesca:
- Porra meu, o Rafael dormiu. Foi ele
quem teve a idéia - lembrou Fudêncio -, mas que
se foda ! Eu quero pescar esses peixes agora ! Ae Felipe você
pegou a isca ? - Ao se lembrar disso Felipe foi providenciar
uma.
Quando Felipe voltou com a isca começou
a pesca. Ele tentava jogar com a mão o anzol com a isca
dentro do aquário que estava a 5 metros de distância
e não acertava. Fudêncio se irritou com isso e
decidiu que ele ia jogar o anzol, mas ao pegar o anzol viu que
a isca era algo incrível: era uma fatia de um dedo de
grossura de salame, cortada ao meio (deu pra entender ? tipo
uma meia lua de salame com um dedo de expessura...).
Fudêncio pegou a isca que já
tinha caído no chão do Santa Bábara, batido
no murinho e na parede do prédio e comeu dizendo logo
em seguida:
- Caralho Felipe ! Você acha que
os peixes vão morder essa porra ?! Pega outra isca...
Felipe dessa vez trouxe um pedaço
de pão velho, que logo foi retirado um pedaço
e colocado como isca. Fudêncio agora ia finalmente jogar
o anzol e... na mira !!! Perfeito, se não fosse por um
detalhe: a linha da vara tinha enroscado na câmera que
ficava em cima do aquário, vigiando a entrada e saída
de carros.
- Puta que pariu, hein Fudêncio
!!! Vou puxar essa merda pra ver se volta... - e nisso com um
tranco que o Felipe deu, a linha quebrou. - Vai buscar o anzol
do meu pai lá agora, né !
Fudêncio que tinha feito a merda
foi lá buscar o anzol, pulando pro Santa Bárbara.
Chegando lá desenroscou a linha e ao olhar para janela,
viu que o Felipe não estava lá, e faltando 5 prás
10 prás 4:40 da manhã, quando não tinha
ninguém na rua, Fudêncio começou a gritar
pelo Felipe:
- Ô Felipe !!! Aparece ae !!!
- No apartamento de cima, Bobby Leusa apareceu retrucando -
O que você quer Fudêncio ? Que você tá
fazendo aí ?
- Tô chamando o Felipe...
- Ele tá ali no portão...
Fudêncio olhou no portão
do Edifício São Paulo e viu que o Felipe e o Peixe
estavam conversando. Num chamado os dois vieram e pularam támbem
pro Santa Bárbara.
- Você não ia ficar lá
na janela pra mim te dar a linha ? - disse Fudêncio
- Ah... era pra mim ficar lá
? Pega o anzol e vamos pescar sem vara mesmo...
Mas o anzol tava sem isca, não
se sabe até hoje o porquê, e não tinha como
pegá-los. "Nesse momento, decidi que iria pegar
o peixe de qualquer jeito, aí tive uma idéia...
Tinha assistido Senhor dos Anéis noites antes e pensei:
'Nóss sabe como pegar essess peixess bonzinhoss' e tentei
pegar os peixes como Gollum, com a mão.", relata
Fudêncio.
Mas essa técnica não deu
certo e Felipe decidiu aplicar a sua, ele mesmo explica: "Quando
vi o Fudêncio, pensei: 'Se a gente tomar 10 garrafas de
breja a R$ 2,00 amanhã, quanto a gente vai gastar ? E
se comprarmos mais 2 Moskowitas no Pão de Açúcar
a R$ 3,50, quanto vai dar tudo ??? É fácil...
vai dar R$ 45,00... Mas eu só tenho R$ 50,00... Não
vai dar, preciso pegar mais dinheiro com minha mãe...'
Aí desisti das contas e pensei como pegar aqueles peixes.
Vi umas pedras no fundo do aquário e pensei que se acertássemos
uma pedrada naqueles peixes, eles morreriam e nós os
pegaríamos..."
E nesse raciocínio lógico,
ambos pegaram uma pedra, na verdade um pedregulho, e um de cada
vez jogou uma em cima dos peixes. Era "SPLASH
!!! " de cá, "SPLASH
!!! " de lá e ninguém acertava
um peixe de aproximadamente 30 cm. de comprimento e 5 cm. de
largura.
E faltando uns 10 minutos prás
15 prás 5:00 eles desistiram e chamaram pela Bruna, que,
quando começaram a pesca, assitia TV na sala, pra jogar
um balde. Decidiram que iriam esvaziar o aquário.
- Bruna !!! Bruna !!! Aparece ae !!! - Gritaram
os dois, mas ela não apareceu, quem apareceu foi o Ewerton,
no andar de cima, dizendo: - O que vocês querem ? Que
vocês tão fazendo aí ?
- Tamo chamando a Bruna...
- Acho que ela tá durmindo, perae,
vou chamar ela...
E lá foi o Ewerton chamar a Bruna,
que tava durmindo no sofá, algo muito difícil
de acontecer... Ela sonolenta foi pra janela perguntar o que
eles queriam. Ao saber que eles queriam o balde ela olhou e
informou que todos os baldes estavam cheios de roupas de molho.
Foi uma grande decepção.
Mas o Peixe que até agora só
estava brincando de equilibrista num muro com mais 3 metros
de altura, teve uma idéia: "Já que estamos
aqui, vamos dar um mergulho lá na piscina, que fica na
cobertura...". Fudêncio , pra variar, nem pensou
duas vezes, já foi escalando o murinho que levava ao
salão de jogos do prédio, situado no 1º andar.
Mas ao se debruçar no murinho
escalado, Fudêncio viu um vulto no salão de costas
pra ele, parado olhando pro calçadão. Fudêncio
ensaiou uma volta quando o vulto virou-se, vendo-o. Fudêncio
desceu logo dizendo: "Fudeu galera !!! Tem um homem no
salão e ele me viu !!!".
Os três logo pularam pro Edifício
São Paulo, Peixe e Felipe encostaram no muro, de forma
que o vulto aonde estava não os visse. Já o Fudêncio,
bem mais esperto, entrou direto pro corredor do prédio.
Ao perceber que não o acompanharam voltou pra ver onde
eles estavam. Encontrou os dois grudados na parede, e Felipe
disse:
- O homem ainda tá lá
?
- Não dá pra ver, perae...
- nisso Fudêncio avançou lentamente ao lado de
um carro e ao se aproximar do ângulo de visão do
indivíduo do prédio ao lado deitou no chão,
pra ver se ele ainda estava lá. Fudêncio viu que
um senhor o olhava, e ficou imóvel. "Naquele momento,
me lembrei de uma técnica noturna de escoteiro, que quando
o inimigo olha para o local onde você está situado,
você não deve se mover, ficar imóvel.".
Isso daria certo, já que era
à noite, se não fosse por um outro detalhe: as
luzes da garagem estava acesas. Ao se lembrar disso, Fudêncio
rolou para atrás do pneu do carro que estava ao lado.
Três segundos depois ele rolou de volta pra ver se o senhor
ainda procurava por eles, e viu que ele ainda o olhava. Retornou
para trás do carro outra vez. Não obstante, Fudêncio
verificou novamente, dessa vez cinco segundos depois. Mas o
senhor permanecia parado, vigiando o besta rolando de um lado
pro outro.
- Ele ainda tá olhando Felipe...
O cara não sei de lá !!! Passa correndo logo !!!
- ouvindo isso Felipe e o Peixe correram para dentro do prédio,
sem olhar para trás.
No dia seguinte, ficaram sabendo que
o "X" ao aparecer na janela pra conferir como estava a pescaria,
foi interrogado pelo senhor, que era o zelador do prédio.
"X" alegou que não os conhecia. "X" disse
também
que ao olhar para as janelas do Santa Bárbara, muita
gente olhava para baixo, motivo o qual descobriu-se muito tempo
depois: o zelador acordou todos imaginando que éramos
ladrões, isso segundo um gordo chato que tem um apto
lá. Além disso, descobrimos que havia um delegado
lá que desceu com arma e tudo...
E isso foi tudo, porque no fim todos
desencanaram da pesca e descobriu-se que carpa é um péssimo
peixe para se comer.
Fudêncio diz do que tirou de proveito
nequela ocasião: "Nesse dia aprendi uma grande lição:
que cu de bêbado não tem dono...".
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