Carlos Drummond de Andrade

Oficina Irritada



Eu quero compor um soneto duro como poeta algum ousara escrever. Eu quero pintar um soneto escuro, seco, abafado, dif�cil de ler. Quero que meu soneto, no futuro, n�o desperte em ningu�m nenhum prazer. E que, no seu maligno ar imaturo, ao mesmo tempo saiba ser, n�o ser. Esse meu verbo antip�tico e impuro h� de pungir, h� de sofrer, tend�o de V�nus sob o pedicuro Ningu�m o lembrar�: tiro no muro, c�o mijando no caos, enquanto Arcturo, claro enigma, se deixa supreender.

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