DIÁLOGOS E TRANSCRIPTS

Bordões, gritos, choros, piadas. As séries de Chespirito primam por sua qualidade pois nunca precisaram apelar para o humor negro ou baixarias sensacionalistas para manter a atenção do público, durante um período de vinte e cinco anos de gravações. E aqui você encontrará trechos de episódios que provam esse dom de Roberto Gómez Bolaños! Escolha o episódio logo abaixo e leia alguns de seus melhores diálogos.
Em breve muito mais transcripts! Confira!

CHAVES:
-
Futebol americano
- De gota em gota minha mãe fica louca
- O violão do Seu Madruga
- Peixe cru faz bem pra memória
- O livro de animais
- O vendedor de balões
- Cena com a Dona Eduviges (nunca exibido no Brasil)

EP. PERDIDOS (exclusivo):
-
Espíritos zombeteiros
- O primo do Seu Madruga (Madroga)
- O radinho do Quico (na próxima atualização!)


CHAVES

FUTEBOL AMERICANO
Quico - De que vocês estão brincando, hein?
Chaves - De ver quem era o primeiro tonto que perguntava.
Quico - E quem ganhou?
Chiquinha - Essa pergunta responde a primeira pergunta.
Quico - O que será que ela quis dizer?

(...)
Seu Madruga - As crianças podem jogar no terreno ali da esquina.
Chaves - Isso, isso, isso!
Quico - Ah, sei. O terreno é muito pequeno.
Seu Madruga - Ah, não? Então onde pensa jogar?
Quico - Ora, pois num velódromo de baseball. Onde tem todas as pistas de corrida pra correr e trampolins, enfim todo o indispensável pra se poder jogar.
Chiquinha - Claro, papi. O terreno só dá pra um jogador solitário.
Chaves - Não seja tonta Chiquinha, um jogador com solitária nunca joga futebol.


DE GOTA EM GOTA MINHA MÃE FICA LOUCA
Seu Barriga - Tinha que ser o Chaves de novo! Por acaso eu tenho cara de moringa!?
Quico - Não, não, a cara não, mas em compensação esse corpo... olha só, redondinho que parece... Chaves! Por que bateu no seu Barriga?!
Seu Barriga - Sim, sim, sim. Eu já sei. "Foi sem querer querendo".
Chaves - Isso, isso, isso!
Seu Barriga - Você sempre me diz isso, mas tenho certeza de que nunca teve a intenção de evitar.
Chaves - Mas é que o senhor chega sempre sem avisar.
Seu Barriga - Se eu avisasse o dia que viesse cobrar o aluguel, nesse dia, casualmente, nenhum dos inquilinos estaria aqui na Vila.

(...)
Quico - O que você quer dizer é que vai chover. Pois coitado do Seu Barriga, né?
Chiquinha - Por quê?
Quico - Ora porque, porque cai mais pingos nele do que nos outros.
Chiquinha - (rindo) É mesmo... com todo aquele volume.
Chaves - Em compensação no seu pai não cai nem um pingo.
Chiquinha - Por quê?
Chaves - Sim, porque pra uma gotinha acertar nele é preciso que caia exatamente no lugarzinho que o seu pai está, né?
Quico - (rindo) Ih, é mesmo! O Seu Madruga é tão magro que devia trabalhar lavando mangueiras... só que por dentro!
Seu Madruga - O que disse!?
Quico - É que o Seu Madruga tá tão magro que, que...
Seu Madruga - Quico, se eu te belisco vc conta pra sua mão, não é?
Quico - Pois sim.
Seu Madruga - E sem dúvida a sua mãe vem aqui e me dá uma bofetada.
Quico - Pois sim.
Seu Madruga - E a bofetada vai me causar dor.
Quico - Pois sim.
Seu Madruga - Mas a dor da bofetada não vai te tirar a dor do beliscão.
Quico - Pois não.
Seu Madruga - Vale a pena.
Quico - Pois sim...

(...)
Chiquinha - Pois na minha casa também tem goteiras.
Seu Barriga - Não me faltava mais nada! Quer dizer que na sua casa tem goteiras também?
Chiquinha - Sim... lá no chuveiro! Pois é, pois é, pois é.

(...)
Dona Florinda - Ai, está vendo só, senhor Barriga? Está vendo só? E essa é uma goteira nova!
Chaves - Quer dizer que essa goteira é nova?
Dona Florinda - Sim!
Chaves - Seja bem-vinda!


O VIOLÃO DO SEU MADRUGA
Chiquinha - Ele se parece mesmo com você?
Chaves - Sim!
Chiquinha - Coitado. Escuta, como é que se chama esse menino?
Chaves - Meu amigo?
Chiquinha - Sim.
Chaves - O que gosta de sanduíche de presunto?
Chiquinha - Sim.
Chaves - Como se chama?
Chiquinha - Sim.
Chaves - Meu amigo?
Chiquinha - Sim.
Chaves - O que gosta de...
Chiquinha - Chega! Pra mim esse menino aí só existe na sua imaginação!
Chaves - Não é verdade! Se quiser saber eu vi ele ainda hoje de manhã!
Chiquinha - Então como é que você não sabe o nome dele?
Chaves - Bom, é que ele tem um nome muito difícil... alguma coisa assim como Chafuldifórmio.
Chiquinha - Como?
Chaves - Chafuldifórmio.
Chiquinha - É a primeira vez que eu escuto esse nome.
Chaves - Eu também!

(...)
Dona Florinda - Posso saber com que direito pendurou isso (o violão) no meu varal?
Seu Madruga - E eu posso saber com que direito a senhora tirou?
Dona Florinda - Com o direito que me dá o meu varal!
Seu Madruga - Como assim seu varal? Olha, senhora, este varal aqui é de todo mundo!
Dona Florinda - Mas eu lavo mais roupa que o senhor, por isso preciso de mais corda!
Seu Madruga - Precisa de mais corda? Então a senhora é relógio despertador?

(...)
Dona Florinda - O que procura?
Seu Madruga - Um violão.
Dona Florinda - Bom, eu tenho cara de quem rouba instrumentos?
Seu Madruga - Independente disso...


PEIXE CRU FAZ BEM PRA MEMÓRIA
Dona Florinda - Olha, Chaves, você viu algum gato por aqui?
Chaves - Não, mas se me der cinco pratas eu te arranjo um.
Dona Florinda - Eu não me interesso em ter um gato.
Chaves - E então?
Dona Florinda - Só perguntei porque meu canário virou fumaça.
Chaves - Virou fumaça?
Dona Florinda - Sim!
Chaves - Quem queimou ele?
Dona Florinda - Quero dizer que o meu canário desapareceu.
Chaves - Ah...
Dona Florinda - Sabe alguma coisa a respeito?
Chaves - A respeito?
Dona Florinda - Sim.
Chaves - Sim! Deve-se sempre respeitar os mais velhos!
Dona Florinda - Quero dizer se você sabe por que desapareceu o meu canário.
Chaves - Bom, se a senhora diz que virou fumaça, acho que fumaram ele. Mas o que tem a ver os gatos?
Dona Florinda - Ora, como o que? Pois os gatos comem os canários.
Chaves - Sério!?
Dona Florinda - Claro! Por que acha q eu não suporto os gatos?
Chaves - Porque se parecem com a Chiquinha.
Chiquinha - O que disse?
Dona Florinda - O que te importa? Ora, vejam so, vejam só, o que traz ai?
Chiquinha - O que te importa?
Dona Florinda - Que foi que disse?
Chiquinha - O que trago aqui é assunto meu, não?
Dona Florinda - Está bem, mas eu te aviso de uma coisa: se o que traz aí é um gato já pode ir se despedindo dele!
Chiquinha - E por que vou me despedir do pobre animal?
Chaves - Porque eu já tô indo.
Dona Florinda - Não seja burro, Chaves, nós duas estamos falando do outro animal... Digo, que nós duas... Tá vendo o que você me obriga dizer?
Chiquinha - Ah, sim, agora banca a inocente.
Dona Florinda - Olha aqui, cale a boca, e me dá esse gato aqui!
Chiquinha - Não é um gato, veja, veja! São uns peixinhos coloridos que a minha biscavó me deu.
Dona Florinda - Da sua o quê que te deu?
Chiquinha - Minha biscavó, ou seja a mamãe da minha vó.
Dona Florinda - É minha bisavó.
Chiquinha - Cada um tem os parentes que quiser.
Chaves - Não é verdade, eu queria ter uma mãe e não tenho. A dona Florinda não tem avó... porque já está muito velha pra ter avó... E uma velha não pode ter...
Dona Florinda - Ah, já chega! Não me interessa continuar ouvindo essas besteiras!
Chiquinha - Pois eu sim! O que é mesmo que dizia, Dona Florinda?


O LIVRO DE ANIMAIS
Quico - Olha, Chiquinha, minha mãe me deu mais dinheiro pra ir comprar mais pirulitos e eu não vou te da-ar!
Chiquinha - Pois eu não vou te emprestar meu livro de anima-is, que tem fotografias e desenhos de anima-is.
Quico - Os animais sabem desenhar!?
Chiquinha - Ah, Quico, não é por nada não, mas que besta você é.
Quico - Você não vai com a minha cara!?
Chiquinha - Oh, imagina, e porque não?
Quico - Porque eu não gosto que me chamem de tonto!
Chiquinha - Eu não disse tonto, eu disse besta.
Quico - Por isso, eu não gosto que me chamem de tonto.
Chiquinha - Tonto não, besta.
Quico - Por isso, se você acha que eu sou meio besta...
Chiquinha - Não, meio besta não, completo!
Quico - Por isso, espera, espera aí. Se você acha que eu sou uma perfeita besta...
Chiquinha - Não, não exagere. Neste mundo não há ninguém perfeito.
Dona Florinda - (saindo de casa) Certamente, mas o Quico é quase perfeito.
Chiquinha - (rindo) Ouviu? Certamente...
Dona Florinda - Exatamente. Já volto, querido, não demoro.
Quico - Vai logo...
Chiquinha - Viu, Quico, até a sua mãe percebeu que você é tonto.
Quico - Tonto não, besta.

(...)
Chaves, Chiquinha e Quico vendo o livro de animais:
Quico - (rindo) Olha que engraçado!
Chiquinha - O que tem de engraçado numa hiena?
Quico - Que parece com você.
Chaves - Não é verdade!
Chiquinha - Claro que não!
Chaves - As hienas não são tão feias!
Chiquinha - Cla... Ah é, é? Deixa eu ver. Com quem se parece essa minhoca?
Quico - Não fala da minha mãe não, hein!
Chiquinha - Eu ia falar do Chaves.
Chaves - Que!? Ah é, é? Pois se você diz que eu pareço uma minhoca então eu vou dizer o que você parece aqui. Você parece aqui um animal que... que eu vou dizer... vai ver que não tá aqui a fotografia dele...
Chiquinha - Que fotografia você quer?
Chaves - A do seu pai.


O VENDEDOR DE BALÕES
Chiquinha
- Olha, meu pai vai vender um balão pro Quico. Depois que ele tiver vendido você chega e espeta o balão com o prego, assim, entedeu?
Chaves - Isso, isso, isso! Mas e se o Quico se zangar?
Chiquinha - Ah, isso não importa! O importante é que compre outro... Digo, o importante é que você vai fazer muitos favores ao Quico. Imagine, você vai ajudar pra que ele tenha sempre um balão diferente!
Chaves - Isso, isso, isso, isso, isso, isso!
Chiquinha - Bom, tudo certo?
Chaves - Sim!
Chiquinha - Se esconda, Chavinho! Quico, Quiquinho, vem cá!
Quico - (saindo de casa) Me chamou?
Chiquinha - Olha o que eu tenho e não vou te empresta-ar! (Chaves espeta o balão que a Chiquinha segurava)
Quico começa a rir.
Chiquinha - Você tem que espetar o balão do Quico e não o meu, burro!
Chaves - Tá bom, mas não se irrite.
Chiquinha - Eu não estou irritada. Pois fique sabendo, Quico, que eu posso conseguir todos os balões eu quiser.
Quico - Pois fique sabendo que eu tambem posso conseguir porque minha mãe me dá dinheiro.
Chiquinha - Era tudo o que eu queria escutar! (Chiquinha vai correndo para casa) Pronto, papai, pronto! O Quico tá aí no pátio e quer comprar balões!
Seu Madruga - Caramba, já era tempo! (Seu Madruga sai de casa) Balões! Olha os balões! Balõezinhos! Tem balões! Tem vermelhos, tem amarelos, tem azuis! Tem Chapolins! Olha o balão! Balões! Olha o balão! Quico, olha o balão!
Quico - Sim, já olhei.
Seu Madruga - Estão à venda.
Quico - Ah, que bom.
Seu Madruga - E quantos você quer?
Quico - Nah, agora não, obrigado. Outro dia quem sabe, né?
Seu Madruga - (cochichando) Ah, já sei. Vou usar a técnica da inveja. Chaves, Chaves, Chavinho! Olha. (Chaves espeta o balão que o Seu Madruga estava oferecendo a ele) Mas o que está fazendo, seu pedaço de asno?
Chaves - Bom, é que a Chiquinha me disse que cada vez que...
Chiquinha - (saindo correndo de casa) Shhh! Mas vc tem que espetar só depois que o Quico comprar o balão!
Chaves - Ah...
Quico chega do outro pátio.
Chiquinha - Simula, simula!
Chaves - Sim, mula! Digo, não, mula!
Seu Madruga - Olha, Chaves, eu vou te dar uma balão...
Quico - Seu Madruga, me veja um balão...
Seu Madruga - Depois, depois, espera!... Olha, o que disse!? O que disse!?
Quico - Eu queria comprar um balão...
Seu Madruga - Ah sim, sim... ó...
Quico - Mas já mudei de opinião... é melhor eu comprar um pirulito.
Chaves - Ouviu isso, Chiquinha? Ele vai comprar um pirulito.
Chiquinha - Sim...
Chaves - E eu espeto o pirulito?
Chiquinha - Ah, não! Ah, não! (vai para casa)
Seu Barriga - (chegando na Vila) E agora, vendendo balões?
Seu Madruga - Não, senhor. Eu só trouxe eles pra passear um pouquinho.
Seu Barriga - Pois é uma pena, porque eu ia comprar um pro meu filho.
Seu Madruga - Ah, olha, olha senhor! Perdão! Me desculpe, é que eu não lembrei que o senhor tinha filhos!
Seu Barriga - Filho! Um apenas. Nhonho! Parecido comigo.
Seu Madruga - Bom, mas desde que tenha saúde, o resto não importa.


DONA EDUVIGES (cena de um episódio nunca exibido no Brasil, adaptado do castelhano pelo Barril da Vila)
Seu Madruga - Mas o que está acontecendo aqui?
Chaves - A Chiquinha deixou ela louca...
Seu Madruga - Ela quem?
Chaves - A velha lá de cima.
Eduviges - Outro!?
Seu Madruga - Bom, já chega! Por acaso vocês não sabem que devem respeitar as pessoas grisalhas?
Eduviges - Mas eu não sou grisalha.
Seu Madruga - Ah, não?
Eduviges - Não, não! O que acontece é que pinto alguns fios do cabelo.
Seu Madruga - Oh, oh... Bom, de todo modo vocês devem respeitar todas as pessoas grisalhas que tinjem os cabelos de preto.
Eduviges - Não, não! O que ocorre é que são os cabelos pretos que eu tinjo de branco para dar a impressão de estar grisalha. Isso está na moda.

Chiquinha
- De qual planeta?
Seu Madruga - Chiquinha, por favor! Que diabos te importa se a Dona Eduviges venha de Marte, de Júpiter, de Plutão...
Eduviges - Escute aqui, eu não venho de nenhum desses lugares! Eu sou de Passa Quatro.
Chaves - Com razão tem a pele assim tão passada.
Seu Madruga - Tinha que ser o Chaves de novo!
Eduviges - Está bem, um momento! O que quero saber é quem foi que pediu à Chiquinha que me chamasse de louca.
Chiquinha - Meu papai.
Seu Madruga - Eu!? Me diga quando eu pedi que você chamasse de Eduviges a dona Louca... Digo... o contrário. Quando eu te pedi que chamasse de louca a dona Eduviges? Quando?
Chiquinha - Pois sim, papai. Você me ensinou que sempre devemos dizer a verdade.
Seu Madruga - Ah, bom, isso sim... hã, digo, digo...

O mesmo episódio, em sua versão original:
Don Ramón - Bueno, ¿qué pasa?, ¿qué sucede?... que, que, que...?
Chavo - Que la Chilindrina le dijo loca...
Don Ramón - ¿A quién?
Chavo - A la vieja de allá arriba.
Eduviges - ¡¿Otro?!
Don Ramón - ¡Bueno, basta, basta!... ¿Qué no saben ustedes el respeto que se le deben guardar a las canas?
Eduviges - No, no son canas.
Don Ramón - ¿Ah?, ¿No?
Eduviges - No, lo que pasa es que me pinto algunos cabellos.
Don Ramón - Oh, oh...bueno de todos modos ustedes deben de guardar respeto a las canas aunque estén pintadas de negro.
Eduviges - ¡No!, no... lo que pasa es que los cabellos negros son los que pinto de blanco para que den la impresión de canas. Es lo que esta de moda.
Chilindrina - ¿En qué planeta?
Don Ramón - Chilindrina, por favor... a tí qué demonios te importa que doña Eduviges venga de Marte, de Jupiter, de Pluton...
Eduviges - ¡Oiga un momento!... ¡Yo no vengo de ninguno de esos lugares!... No este... yo soy de Campeche.
Chavo - Con razón tiene el pellejo como de campechana.
Don Ramón - ¡Tenía que ser el Chavo del Ocho!
Eduviges - ¡Bueno un momento!... Lo que quiero saber es ¿quién le aconseja a la Chilindrina que me llame loca?
Chilindrina - Mi papá.
Don Ramón - ¡¿YO?!...Mijita yo cuando te he dicho que le digas Eduviges a doña Loca....Digo... al reves. Doña Eduviges, ¿Cuando te he dicho que le digas loca a doña Eduviges?... ¿Cuando?
Chilindrina - Pos si papá, pero tú me has enseñado a que siempre diga la verdad.
Don Ramón - ¡Ah bueno eso si!... eh... digo, digo...


EPISÓDIOS PERDIDOS
(exclusividade do Barril da Vila)

SESSÃO ESPÍRITA (cena do episódio perdido "Espíritos zombeteiros")
Seu Madruga, Dona Florinda e Dona Clotilde estão sentados diante da mesa da casa do Seu Madruga, realizando uma sessão espírita à meia-noite (eles acreditavam que os pratos que sumiam da casa do Seu Madruga eram obra dos espíritos zombeteiros, quando na verdade se tratava do próprio Seu Madruga sonâmbulo que levava os pratos até o Barril do Chaves). Dona Clotilde está com os olhos fechados. Seu Madruga e Dona Florinda estão morrendo de medo. Chaves também está com muito medo, escondido debaixo da mesa. Quico está escondido na cozinha do Seu Madruga, escutando tudo o que se passa pela porta.
Seu Madruga - Quero dizer que eu... eu francamente não acredito nisso, Dona Clotilde.
Dona Clotilde - Isso mesmo uma amiga minha me disse e não imagina o que ela fez quando ela viu um fantasma...
Dona Florinda - O que fez?
Dona Clotilde - Ela morreu de susto. De modo que é melhor aceitar isso como a coisa mais natural do mundo. Me dê sua mão.
Seu Madruga - Sou casado... digo, sou viúvo, sou viúvo!
Dona Clotilde - Estou pedindo sua mão para estabelecer uma corrente!
Seu Madruga - Só espero que não queimem nossos fuzíveis...
Dona Clotilde - Silêncio! Silêncio! Necessito silêncio pra ver se é possível a comunicação com os mortos.
Dona Florinda - Realmente a senhora crê que seja possível comunicar-se com algo de outro mundo?
Dona Clotilde - Mas é claro! Eles se comunicam por meio de pancadas!
Seu Madruga - Uuh! Pra mim já bastam as pancadas que a Dona Florinda me dá!
Dona Clotilde - Não estou falando de pancadas de bater, mas de som de pancadas! Uma pancada quer dizer sim. Duas pancadas querem dizer não.
Dona Florinda - E a que horas a gente começa escutar?
Dona Clotilde - Quando eu conseguir me concentrar. Silêncio! Silencio! (...) Seres do outro mundo, quero saber se há aqui algum morto! Se há aqui algum espirito, me responda!
De repente, o Quico bate a cabeça, de medo, na porta da cozinha: POU!
Dona Florinda - Oh! Sim! Disseram que sim!
Seu Madruga - Não, não, não! Eu não acredito!
Dona Florinda - Sim, sim homem! Você não ouviu que uma pancada quer dizer sim e duas querem dizer não?
Seu Madruga - Não é preciso me dizer, já haviam me dito! Ou acha que eu sou algum idiota?
Quico bate de novo a cabeça: POU!
Dona Florinda - Disseram que sim.
Seu Madruga - É mentira! Eu sou uma pessoa inteligente!
Outra vez, de medo, Quico bate a cabeça no lado de dentro da cozinha: POU! POU!
Quico - (ainda dentro da cozinha) Mamãe!
Dona Florinda - Esperem! É a voz do Quico!
Seu Madruga - Minha nossa! Ele já morreu?
Dona Florinda - Não!!
Dona Clotilde -Silêncio! Silêncio! Isso podemos averiguar agora mesmo! Se há algum defunto nessa residência, que se manifeste de corpo presente!
Nesse momento Chaves começa a puxar a toalha da mesa, pra se enrolar nela, morrendo de medo.
Dona Florinda - Ah, a toalha!... A toalha está se mexendo, a toalha!...
Dona Clotilde - Isto é uma coisa muito freqüente! Não se assustem se a mesa também começar a se agitar!
Chaves começa a balançar a mesa, tremendo de medo. Seu Madruga e Dona Florinda estão mais assustados do que nunca.
Quico - (saindo da cozinha e pondo a mão no ombro esquerdo do Seu Madruga) Mamãe!!
Seu Madruga dá um pulo e todo o mundo sai correndo pra fora. O Chaves continua em baixo da mesa, com muito medo, e o Quico se encolhe no sofá do Seu Madruga.


O PRIMO DO SEU MADRUGA (apresentando o Seu Madroga)
Curiosidade: o dublador desse personagem é o mesmo que fez a voz do Seu Furtado. Saiba mais sobre esse personagem, clicando
aqui.
Seu Madroga vai entrando na Vila, quando começa a prestar atenção no Chaves, equilibrando um prato na ponta de um cabo de vassoura (aquela velha brincadeira, onde na verdade o prato está preso na vassoura), então ele bate com tudo na parede ao lado da porta da casa do Seu Madruga, onde queria entrar.
Chaves - Depois dizem que o burro sou eu!
Seu Madroga - Que que foi?!
Chaves - Não, não...

(...)
Chaves, tentando bater no Quico com aquele pau (vassoura), acaba dando uma na barriga do Seu Madroga, que estava saindo da casa do Madruga.
Seu Madroga - Aaah...
Chaves - Um ladrão! Um ladrão! Você é um ladrão!
Seu Madroga - Que ladrão?
Chaves - Por que estava dentro da casa do Seu Madruga?
Seu Madroga - Sou primo do Seu Madruga!
Chaves - Ah é, tão esquelético quanto ele...
Dona Florinda - O que houve, tesouro? O que é que houve!?
Quico - O que houve?... Ah, mamãe, é que me bateram com um pau (que estava na mão do Seu Madroga).
Dona Florinda - Hum... como sempre, hein! Como sempre! (dá um tapa no Madroga) Vamos, Quico... Quem é você?
Chaves - É o primo do Seu Madruga.
Dona Florinda - Hã! Primo do Seu Madruga, hein! (ela dá outro tapa nele) Agora sim. Vamos, Quico, não se junte com essa gentalha!
Quico - Sim, mamãe! Gentalha, gentalha!
Chaves - O culpado de tudo é o Quico!
Nhonho - É verdade! Olha, senhor, me diga por que o senhor ficou calado quando apanhou da Dona Florinda.
Chaves - Porque não se pode falar com os dentes soltos!
Seu Madroga - Escuta, Chavinho, o que que você disse?
Chaves - Que não se pode falar com os dentes soltos!
Seu Madroga - Segura isso (uma lata de lixo que ele segurava). Como é que o Madruga disse que era? Hum... (dá um coque no Chaves)
Chaves - Pi, pi, pi, pi, pi...
Seu Madroga - Que "pi, pi, pi, pi..."! Me dá isso aqui!
Chaves - Pois pode ficar com tudo isso aí!!! (joga a lata de lixo com toda a força no chão) Pi, pi, pi, pi...

Na próxima atualização, mais transcripts desse mesmo episódio! Confira!


Se você quiser sugerir algum trecho de um episódio em específico para ser publicado aqui, por favor, nos envie um e-mail.
Em breve, transcripts dos episódios do Chapolin.


Todos os transcripts dos diálogos aqui apresentados, com excessão o original da Dona Eduviges, foram publicados pelo Barril da Vila. Em caso de cópia, favor citar a fonte.



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