
Dizem
as lendas que há tempos imemoriais, no florescer da civilização japonesa, as
terras hoje conhecidas como o arquipélago japonês era assolado por um poderosíssimo
dragão de sete cabeças, chamado Orochi. Três clãs se dispuseram e se
ajoelharam aos serviços do Deus Susano-o. Estes eram os Yasakani, os Yata e os
Kusanagi. Convocando seus melhores guerreiros eles lutaram contra Orochi, mas
sem sucesso. Orochi para saciar sua sede incontrolável pediu aos guerreiros que
lhe dessem como sacrifício sete virgens do clã Kushinada. Junto com Susano-o
eles montaram um plano para matá-lo de vez. Os guerreiros iam amarrar as
virgens e preparar sete garrafas de sake para embebedar Orochi. Ele bebeu as
garrafas e caiu de sono. Nesse momento Susano-o usou sua espada sagrada para
cortar a barriga de Orochi. De sua barriga caíram um espelho e uma jóia.
Susano-o deu sua espada aos Kusanagi, o espelho aos Yata e a jóia aos Yasakani,
pois em breve ele iria para o Paraíso, mas sentindo que Orochi voltaria de uma
forma ou de outra, ele confiou esses itens mágicos para que os três clãs
pudessem proteger os japoneses contra o Dragão. Os itens conferiram à todos os
membros de seus respectivos clãs poderes especiais...e então eles
desapareceram da história escrita do Japão...
Há
cerca de 1300 anos, um poderoso clã chamado Fujiwara, conseguiu com contatos
com a família Imperial japonesa grande extensão de terra durante a reforma agrária
de 646. Representantes desse clã eram invariavelmente Regentes e
Conselheiros-Mor, e com casamentos arranjados entre filhas do clã e
Imperadores, logo o clã passou realmente a ser nobre. Aos poucos a reforma agrária
foi sendo revertida de forma a se tornarem propriedade do clero e da nobreza. Ao
final do processo poderia se dizer que grande maioria dos campos produtiva era
dos Fujiwara. O azar de não ter filhos para dar continuidade à sucessão à
linhagem imperial causou desprestígio ao clã. E como eles eram responsáveis
pela grande influência do Imperador, os poderes de fato começaram a sair das mãos
dos herdeiros imperiais. Entre 858 e 1068, sete dos imperadores eram crianças e
oito abdicaram ao trono. Ou seja, os alicerces do Império estavam frágeis. A
disputa se acirrou quando os monges decidiram se armar contra a nobreza e a
desfragmentação fortalecia a atuação dos samurais.
Dois
clãs nobres de origem samurai cresceram, disputando a hegemonia: os Taira e os
Minamoto. Se apoderando de várias terras e propriedades, o conflito entre os
dois se tornaria inevitável. Começou a primeira grande guerra entre os dois
poderosos clãs, no século 12. Os
Taira venceram as duas primeiras guerras, devido à poderosos aliados, que eram
o clã de samurais Yasakani. O clã Yasakani tinha duas facções, uma que
preferia se manter neutra a disputas de poder, assim como os Kusanagi e os Yata,
e outra que preferia participar ativamente. Essa facção dos Yasakani então
começou a disponibilizar seus poderes especiais a favor dos Taira. A segunda
guerra também foi ganha pelos Taira, liderados por Taira Kiyomori.
Kiyomori,
entretanto, confiante em suas táticas de batalha e nos seus aliados Yasakani,
permitiu a sobrevivência de membros do clã Minamoto nas províncias nas quais
eles se retiraram. Minamoto Yoritomo, um estrategista brilhante da geração
seguinte, reuniu os exilados do clã e os reestruturou. A terceira e última
guerra começou, a que definiu o primeiro Bakufu (Kamakura). Foram cinco anos de
guerra, e os Minamoto incrivelmente conseguiram acuar os Taira. Em 1192, no último
capítulo da guerra, uma esquadra dos Taira com a sua matriarca Taira Tokiko e
seu filho fogem da batalha já perdida. Uma esquadra parte atrás dos fugitivos
Taira para exterminá-los (o erro de seus adversários não seria repetido). Uma
densa névoa cobria o mar. A esquadra dos Minamoto finalmente encontra com as do
Taira, e há o combate decisivo. Em menor número os Taira são derrotados.
Tokiko, entretanto fugira num pequeno barco, encontrado à deriva mais tarde,
com tesouros do clã. Ela matara seu filho e à si mesmo com uma faca.
Assim
registra a história escrita do Japão.
O
barco com os samurais Taira e Yasakani aporta em uma terra desconhecida. Os
samurais acreditam ter chegado na Coréia, apesar do pouco tempo relativamente
que se passara. Pelo menos conseguiram ter fugido vivos com a matriarca Taira,
mesmo que o território havia sido perdido para o clã rival. Ao desembarcar, são
recebidos por asiáticos. Não parecem coreanos, entretanto. Nem chineses. Nem
tailandeses. Sahudeses, mais exatamente.
Os
samurais são recebidos e aos poucos, com o passar dos anos se misturam à
cultura sahudesa, se adaptando à nova realidade. Essa foi uma época em que o
Banestorm havia subido de intensidade, e aos recém-chegados foi dada uma terra
para cultivarem. Os Taira assumem o comando dessa província, e os Yasakani e
outros clãs de samurai de aliam a eles para governar. Essa cidade foi nomeada
Akihabara. Os anos se passam e a cidade atinge proporções médias.
Há
19 anos atrás nasce um bebê do clã Yasakani. Seu nome é Kazuki, que
significa “lua de fogo”. Desde o nascimento ele é arranjado para casar com
uma menina que acabara de nascer de pais amigos dos Yasakani: Tomoyose Natsue.
Kazuki tem uma infância normal, e é apresentado a Natsue. Nenhum dos dois nem
suspeita do que estaria por vir. Começa o treinamento de Kazuki, bem cedo. Ele
é letrado em sahudês e também aprende a cavalgar e nadar. Ele também passa
um tempo com monges shintoístas, com quem aprende a meditar e sobre a filosofia
Shinto. Mas o que ele gosta mesmo é de combate. Ele treina avidamente com a
espada, e aprende o estilo Kaen-Ten Tsurugi-ryuu (“Estilo da Espada de Chamas
Celestiais”), noções de luta com o wakizashi e luta corpo-a-corpo, mas
apenas como treinamento secundário.
Aos
15 anos ele começa a aprender seus poderes especiais. Em suas veias corre o
sangue abençoado por Susano-o, e ele começa a invocar as chamas dos Yasakani.
Por tradição o treinamento era supersecreto, mas como em Yrth pessoas lançando
bolas de fogo não é exatamente uma coisa anormal de se ver, ele aprende
abertamente com o pai a como conjurar e controlar as chamas, infligindo muito
dano aos oponentes. Durante esse ano, ele treina exaustivamente, chegando até a
desmaiar de cansaço, a convocar as chamas e as passar à espada (Homura Dama) e
a convocar pontualmente criando uma explosão (Guren Kaina). Essa explosão
Kazuki consegue invocar desarmado (Sasae Honoo), então mesmo sem sua espada ele
é um oponente formidável.
Aos
16 anos, é o ano do casamento de Kazuki. Surpreso ao saber que iria se casar
com Natsue, ele de qualquer forma aceita a decisão de seus pais. O problema é
que ele não gostava exatamente dela. Kazuki ganha uma casa e uma espada de seu
pai, a “Oni Yaki”, uma excelente arma, uma verdadeira obra de arte. Para
tentar esquecer Natsue e toda essa situação Kazuki se concentra nos treinos e
consegue aprender mais uma técnica, o “Shakunetsu Tetsu” (Ardor do Aço).
Kazuki se torna um espadachim temível, mesmo com apenas 16 anos poucos o
enfrentariam sem problemas. Ele ganha o apelido de TenKen.
Por
pressão dos pais, Kazuki tem uma filha com Natsue aos 17 anos, que ele a chamou
Natsumi. O casamento não era bom, mas também não era um inferno. Eles se
respeitavam, ela gostava de sua honestidade e integridade, e ele gostava de sua
delicadeza e do macarrão que ela fazia...mas definitivamente não se amavam. O
nascimento de Natsumi não alterou muito as coisas. Kazuki aprendeu com o pai
que a mulher é que cuidava das finanças, então ele nunca se ligou em questões
de dinheiro enquanto Natsue, como aprendera com a mãe se encarregava dessa
parte. Como Kazuki normalmente reclamava muito das coisas, ela tentava não o
incomodar.
Até
que uma tragédia acontece. Viajando a negócios, um membro da alta corte de
Akihabara é assassinado. Todos os acompanhantes foram mortos também, e dois
samurais Yasakani que os acompanhavam estão desaparecidos. As marcas nos mortos
claramente fazem alusão a lâminas flamejantes. A aliança entre os Taira e os
Yasakani está por um fio. Em várias reuniões do clã, os Yasakani decidem caçar
os responsáveis e matar os samurais traidores ou descobrir os farsantes que
armaram contra o clã. Kazuki, já com 18 anos, participa ativamente nessas
buscas. Outro nobre Taira é assassinado em condições parecidas. A situação
se torna insustentável. Perante o Shogun Taira, o pai de Kazuki comete o suicídio
ritual na frente de todos para tentar redimir e limpar o nome do clã. Mas não
é suficiente. Para testar a fidelidade dos Yasakani, o Shogun manda prender e
manter na prisão ambas Natsue e Natsumi. E manda uma carta para Kazuki dizendo
que ele tem que trazer a cabeça das duas para provar sua fidelidade.
Assassinar
a esposa e a filha? Kazuki pensa por horas. E decide que realmente terá que
decapitar ambas. Ela não ama a esposa, nem conhece direito a filha, mas mesmo
assim é uma decisão difícil. Ele prepara a “Oni Yaki” e seu wakizashi e
parte pela cidade à procura. O Shogun espera que ele apareça à noite dizendo
que não encontrou as duas ou que se suicide também. O dia passa e como
esperado Kazuki não acha nenhuma das duas. À noite ele está sentado no cais.
Ele pensa sobre o dia que passou, sobre a morte de seu pai, e se teria coragem
realmente de matar Natsue e Natsumi. Ele decide não matá-las e para isso
decide deixar a posição de samurai e fugir de Akihabara. Assim pelo menos ela
poderia continuar vivendo e quem sabe se casar novamente, dessa vez com um
marido melhor. Com o wakizashi ele corta seu cabelo e sai perguntando se algum
barco vai sair de Sahud e que esteja precisando de pessoal. Ele entra em um
barco, só com as espadas, e parte para Myrgan, a nordeste de Mégalos.
A
viagem é complicada porque Myrgan é muito longe e uma ou duas paradas nos
Territórios Nômades terá que ser necessária para abastecer. É um caminho
difícil realmente, além de ter o risco de ataques dos nômades. Mas é muito
compensador em termos financeiros, porque em Mégalos a seda sahudesa é muito
cara. No meio do caminho Kazuki teve que limpar o convés, ajudar a pegar água
potável e alimento nos territórios nômades. Mas o que chamou atenção foi o
combate com piratas dos Territórios Nômades. A “Oni Yaki” pela primeira
vez provou sangue nas mãos de Kazuki. A fúria flamejante do jovem ex-samurai
assustou os outros sahudeses, que viram ele destruir os imensos nômades que
morriam sem ter a menor idéia do que aconteceu. O capitão ficou estarrecido!
Kazuki gostou de ver que seu treinamento dera certo. Nenhum nômade o acertara.
Chegando
em Myrgan, o capitão decide vender metade da mercadoria para arlesianos, já
que segundo suas contas ele ganharia mais dinheiro ainda assim. Kazuki achou
interessante, já que assim conheceria outros lugares. Pensando em Natsue e
Natsumi, ele cogita se ela casou novamente e se está feliz. Kazuki está feliz.
Na cidade megalana não há nenhuma complicação, e eles então partem para
Araterre.
Notando que as pessoas se vestem de forma engraçada, ele apenas observa seu comportamento no cais, ao chegar em Sauvons. Ah, ele também nota que a curiosidade é mútua. Sahudeses nunca foram freqüentes em Araterre. Dando uma passeada pela cidade, mesmo sem falar uma palavra em arlesiano, Kazuki encontra quatro jovens marrentos, com sabres na cintura. Olhando o estrangeiro, eles riem e debocham, o que é percebido por Kazuki.
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Hmpf. Okama no katana o moratte baka tachi da...
-
Qu’est que tu a dit, fils da pute?
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Pfff... Nasakenai...
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En garde!!!!
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A conversa foi mais ou
menos assim. Os quatro sacam seus sabres. A luta é rápida. Dois são
decapitados e o terceiro tem os quatro membros decepados. O último sai
correndo, e Kazuki só de raiva vai atrás. O arlesiano sai correndo para seu
esconderijo. Kazuki invade, e vê uma linda jovem amarrada e amordaçada.
Assustada com a figura que entrara, ela apenas observa o arlesiano tentando um
último golpe de desespero, mas sendo explodido em pedaços pelo golpe secreto
de Kazuki. Ele desamarra a moça, que assustada começa a falar e soluçar algo
que Kazuki não entende. Eles tentam conversar, mas sem sucesso. Ela então o
pega pelo braço e o leva para um outro lugar na cidade, um palácio na verdade.
Kazuki
nota que a garota é recebida aos prantos, sendo que ele supõe que ela seja uma
princesa ou algo parecido. Várias pessoas conversando em arlesiano, a moça que
ele salvou apontando e histericamente falando algo. Kazuki ri nervosamente, e
pelo que ele entende, eles querem que ele fique. Kazuki conhece os reis, e o
pequeno irmão da princesa, assim como o General do país, Zarkus. Pelo que ele
entendeu, a moça que ele salvou deve ter falado horrores dele porque todos
querem cumprimentá-lo e etc.
Kazuki
fala ao capitão do navio que vai ficar um tempo na cidade. Ele passa a
acompanhar a princesa, e fica meio que de “guarda-costas” dela, já que
parece que ela insiste em querer levá-lo para todos os lugares. Kazuki com o
tempo começa a se ajustar à nova situação. A princesa, chamada Monique, é
uma bela jovem de 17 anos com longos cabelos loiros e olhos verdes. Ela parece
achar Kazuki interessante, e Kazuki começa a gostar dela também. Tipo Anakin e
Amidala.
Kazuki
começa a ter aulas de arlesiano com ela, e ele e Zarkus começam a se entender.
Kazuki não consegue abandonar o Bushido, e reconhece o general como seu
suserano, vendo que ele é um homem experiente, sábio e respeitável. Em
conversa eles se conhecem mais a fundo, e formam uma amizade. Já com Monique a
relação começa a ficar apimentada. Rola um leve romance, mas ambos ficam meio
constrangidos com o que os outros vão achar. Até que Monique começa a ignorar
quaisquer tradições de se relacionar com jovens da corte de Sauvons, e ela e
Kazuki realmente começam a namorar, o que a princípio não é bem visto, mesmo
eles sendo bem discretos.
Kazuki
pela primeira vez fica apaixonado de verdade. Os reis ficam divididos ao ver o
despontar da relação, mas por enquanto deixam rolar. Ele pensa em Natsue, e
espera que ela e Natsumi estejam felizes como ele está agora. E começa a
pensar que realmente foi melhor ele ter feito essa escolhe: não matá-las e ter
fugido de Sahud.