Carta de um aventureiro

 

Não sei se deveria estar contando tais coisas.

Já faz tanto tempo...

Eu nem me lembro ao certo quanto tempo faz.

Mesmo assim resolvi escrever.

Acho que pelo menos para me lembrar dos bons momentos que tive.

Ainda me lembro bem daquela noite. A noite em que tudo começou...

 

 

Era uma noite chuvosa.

Havia acabado de chegar de viagem, de minha terra natal.

Entrei numa taverna para procurar abrigo. Estava bastante cheia.

Pedi um vinho, como de costume. Bebia tranqüilamente.

Foi quando, de repente, a taverna foi invadida por arruaceiros.

Puxaram briga com todos os que estavam presentes. Foi um caos.

Tentei conversar, mas, parece que não estavam ali para isso.

Eu, junto a mais outras pessoas, sacamos nossas armas e os combatemos.

Alguns morreram, mas no final os derrotamos. Foi uma briga das boas.

Quando pensávamos que poderíamos descansar do embate, presenciamos algo muito mais terrível: dezenas de zumbis invadiram o local, nos encurralando. Foi realmente desesperador.

Vimos nossas mortes de perto, mas, os zumbis pararam ao comando de um trio muito sinistro: Um meio-elfo com uma tatuagem no rosto, um elfo e um goblin, todos trajando mantos negros.

Os zumbis nos seguraram e, enquanto estávamos presos, o trio jogou um encantamento sobre nós.

Disseram que haviam roubado nossas almas e aprisionado-as em jarras de vidro.

O meio-elfo, Necroshine seu nome, disse que deveríamos obedecê-los se quiséssemos sobreviver.

O proposto, então, foi o seguinte: deveríamos roubar um livro de magia negra para eles no prazo de uma semana em troca de nossas almas de volta.

Como não tivemos escolha, topamos o serviço. Foi uma semana bem corrida aquela.

Partimos na manhã seguinte e só então é que tive a oportunidade de conhecer meus companheiros nesta desgraça...

 

Um deles era um elfo. Era um excelente mago que conhecia todas as magias da Terra, além de algumas habilidades em cura. Foi um dos meus melhores amigos de aventura. Seu nome, disse ele, era Earthal.

A linda senhorita de olhos puxados com a águia no ombro, chamava-se Nakoruru. Disse que era uma samurai, vindo de Sahud. Como era bela... e uma grande amiga também.

O outro sahudês, um sujeito estranho de olhos amarelos, chamava-se Kai Sing. Era um excelente lutador. Um dos melhores que já vi.

O anão mal-humorado, chamava-se Red, e se auto intitulava: "O Grande". Sujeito esquentadinho aquele, mas também um ótimo guerreiro.

O último deles chamava-se Pólux Quetzacoatl. Era um caçador de magos, pois toda sua vida havia sido arruinada por um deles. Gente boa, mas paranóico demais.

 

Nossa missão transcorreu sem grandes problemas.

Conseguimos o livro, mas, pregamos uma peça neles.

Trocamos a capa do livro de magia negra com a de um livro de receitas e os entregamos o livro falso.

Eles devolveram nossas almas e nós fugimos o mais rápido possível.

Quando resolvemos conferir os vidros com as almas, para tentar colocá-las de volta, tivemos uma terrível surpresa: assim como eles, também fomos enganados. Nossas almas haviam desaparecido.

Após uma breve discussão, decidimos que iríamos, juntos, recuperar nossas almas e derrotar os sujeitos.

Como faríamos isso, nem imaginávamos, mas fomos assim mesmo.

E assim iniciou-se a maior jornada de nossas vidas...

 

 

Começamos a perguntar se alguém havia visto eles e obtivemos uma informação, um tanto equivocada, de que eles haviam ido para Alimar.

Fomos até lá e acabamos nos envolvendo numa briga política que ocorria na cidade devido a uma eleição.

Ajudamos os governantes em troca de ajuda para encontrar os sujeitos.

Não adiantou muita coisa.

 

 

Conhecemos um mago poderoso que nos pediu ajuda.

Aceitamos o serviço, novamente, em troca de informações.

Ele nos pediu que ajudássemos um povoado que estava sendo atacado por orcs extremamente grandes e fortes.

Derrotamos eles com a ajuda de um outro grupo de guerreiros que lá conhecemos.

Esses mesmos guerreiros estavam atrás de um mago necromântico, parecido com Necroshine.

Decidimos segui-los então.

Encontrando o mago, vimos que não era quem esperávamos.

Derrotamos ele e nos despedimos dos bravos guerreiros.

Porém o samurai, líder desses guerreiros, que até então não havia mostrado seu rosto, demonstrou-se ser uma linda mulher sahudesa.

Seu nome era Blue Mary. Disse que se escondia por ter vergonha de seu passado.

Conversei com ela e a convenci a assumir seus erros e encarar os problemas de frente.

Ela pediu então para seguir viagem conosco. Nós aceitamos.

 

Como ninguém pôde nos ajudar, resolvemos voltar a estaca zero.

Retornamos a Min, cidade onde tudo começou.

Perguntamos de novo, desta vez para as autoridades locais, se haviam visto os sujeitos com o exército de zumbis.

Eles disseram que os homens que procurávamos haviam seguido para o norte.

Pegamos a estrada novamente...

 

Numa outra noite chuvosa (parece até coincidência), paramos numa estalagem para passar a noite. Foi horrível.

Assassinatos começaram a acontecer, sem que pudéssemos descobrir o culpado. E o pior, alguém tentou me incriminar.

Passamos a noite inteira acordados investigando o local sem descobrir quem era o culpado. As mortes continuavam acontecendo.

Foi quando então, Nakoruru e kai pegaram o desgraçado.

Era uma criatura com a capacidade de assumir a forma de qualquer um de nós, por isso nos enganou tão bem.

 

 

Na manhã posterior, continuamos nossa viagem. Chegamos a cidade de Serrum, onde os moradores encontravam-se aterrorizados.

Diziam eles que, um misterioso cavaleiro negro estava matando várias pessoas, sem deixar rastros.

Não era problema nosso, mas resolvemos ajudar assim mesmo devido a um certo senso do dever a cumprir. Ou pelo dinheiro oferecido, como outros preferiram...

Investigamos a cidade e encontramos o cavaleiro.

Derrotamos ele após um bom combate: nós sete contra ele.

 

 

Seguindo mais ao norte, finalmente encontramos uma pista do paradeiro das pessoas que procurávamos: um povoado inteiramente destruído, e pegadas de um exército que passou por ali.

Uma moradora sobrevivente, disse que haviam sido atacado por "monstros".

Isso! Eram eles!

Fomos até a cidade seguinte, Dekamera.

Procurando informações, descobrimos que havia um goblin com as descrições do goblin que estávamos procurando, hospedado numa estalagem de classe alta.

Encontramos ele e vimos: era realmente o goblin que procurávamos, Kotipelto.

Descobrimos que ele havia conseguido o livro verdadeiro: "Os Treze Amaldiçoados"

Lutamos com ele e seus guerreiros, derrotamos eles e recuperamos o livro.

Interrogamos ele, sem efeito. Tivemos que matá-lo.

Antes de morrer, ele nos avisou que se não voltasse para dar um comando a seus zumbis, eles invadiriam a cidade.

Checamos seu corpo e encontramos um mapa com um ponto assinalado.

Pegamos o mapa e seu medalhão com sua gema de energia.

 

 

Naquela mesma noite, a cidade foi realmente invadida por zumbis.

Foi um verdadeiro "Terror em Dekamera".

Tentamos fugir, mas não conseguimos.

Encontramos no meio da rua , entretanto, uma misteriosa figura encapuzada.

Ela se mostrou ser Aylette Sing, uma irmã de Kai, que ele mesmo não sabia possuir.

Ela disse que estava atrás de seu pai, que chamava-se Phillipe de Bordeaux. Achei incrível aquilo.

Phillipe de Bordeaux era meu tio. Kai e Aylette eram então... meus primos.

Que felicidade!

Pena que não durou muito, pois ainda havia o problema dos zumbis.

Encontramos um mago nessa cidade que, através do livro que havíamos roubado, poderia deter os zumbis.

Esse mesmo mago, disse que poderia devolver nossas almas se quiséssemos, mas para isso deveríamos desistir de salvar a cidade.

Que dúvida cruel: nossas almas ou os inocentes. A votação foi 5 a 1 pela salvação da cidade.

Red votou pelas almas e como nós fomos contra, se revoltou contra nós. Tentou até se matar.

No final conseguimos convencê-lo a continuar conosco.

 

 

Viajamos até o ponto assinalado no mapa, a ilha da Baía da fechadura.

Chegando lá, o mesmo cenário foi encontrado: a cidade inteira devastada e várias pegadas de zumbis encontradas.

Lutamos com alguns deles no caminho.

Chegando ao local onde os zumbis deveriam estar, não os encontramos.

Porém, detivemos um ritual satânico que ocorria no local.

Foi quando de repente, nem gosto de me lembrar...  os zumbis surgiram, nos encurralando no fundo de uma caverna, cuja abertura superior era muito alta para alcançarmos.

Earthal lembrou, então, que pentagramas podiam nos proteger do mal.

Haviam exatamente 8 deles desenhados no chão, um para cada um de nós.

Mas o pior ocorreu...

Kai e Aylette não conseguiam entrar, pois eram filhos de uma carniçal. Eram como que "meio vampiros".

Aylette que possuia alguns poderes, se transformou em um morcego e voou pela abertura superior.

Kai não tinha escolha, iria morrer.

Tentamos então ajudá-lo, pois não podíamos deixá-lo morrer sozinho.

Entramos em combate com quase 100 zumbis.

Kai não conseguiu... morreu diante de nossos olhos, sem que pudéssemos fazer nada.

Sem Ter o que fazer, recuamos e entramos novamente nos pentagramas.

Surgiu então o elfo desgraçado que havia roubado nossas almas.

Ele disse que havámos estragado seu ritual e que teria que ir embora então.

Deixou 12 zumbis tomando conta da gente.

Eu fiz questão de que ele soubesse quem nós éramos, já que ele não se lembrava da gente.

Ainda me lembro de sua gargalhada sarcástica quando disse que iríamos matá-lo, especialmente após o que aconteceu com Kai.

Antes não tivesse mencionado que gostava de Kai...

Ele trouxe Kai de volta a vida, mas não do modo como costumava ser, ele o tranformou em um zumbi e o levou com seu exército.

Assim que ele saiu, lutamos com os zumbis restantes e os derrotamos, mas com um saldo horrível: ficamos totalmente feridos e o pior, quebrei o sabre de meu pai, a única lembrança que tinha dele.

Estava fisicamente e moralmente derrotado.

Ainda me lembro da melancolia que foi aquela chuva fina batendo em nossos rostos após o combate.

Pensei bastante, respirei fundo e, nem sei como, tirei aquelas palavras inspiradoras do fundo.

Disse então: "Não chegamos tão longe assim para simplesmente desistir. Não deixaremos que a morte de Kai tenha sido em vão. Não podemos ficar abatidos, devemos prosseguir com todas as forças restantes e derrotar Tolkki (o elfo) e Necroshine".

Parece que deu certo. Nos levantamos e prosseguimos.

Reencontramos Aylette que ainda chorava a morte de Kai.

Ela nos disse que tinha ouvido eles comentarem para onde iriam: A Grande Floresta De Caithness.

 

 

Pegamos um barco abandonado e, através de meus conhecimentos náuticos, conseguimos chegar até lá.

Entrando na Grande floresta e seguindo o rastro deixado pelo exército de zumbis, chegamos a um casarão, aparentemente abandonado.

O chão, até tal casarão, era um tapete de corpos de zumbis destruídos. Haviam centenas deles.

Checando lá dentro, encontramos cenas de combate com diversos elfos negros mortos.

Havia apenas um sobrevivente, Lokki era seu nome.

Disse que Necroshine havia invadido seu reduto e uma batalha ocorrera entre os zumbis e seus amigos elfos.

Ajudamos Lokki em troca de sua ajuda para combater Necroshine.

Prosseguindo mais adentro da floresta, encontramos um povoado de elfos da luz totalmente destruído.

Os corpos encontravam-se cortados ao meio e pendurados nas árvores. Uma cena aterrorizante.

Um pouco mais adiante, numa clareira, finalmente encontramos o motivo de toda nossa desgraça: Necroshine.

Ele estava acompanhado de Tollki, um guerreiro esqueleto e mais cinco zumbis, entre eles Kai. Discutiam com um elfo caído ao chão.

Sacamos nossas armas e eu disse a meus companheiros o quanto foi bom lutar ao lado deles durante esse tempo todo, pois poderia não sair vivo do combate final.

Todos nós nos despedimos, talvez adivinhando o final que nos aguardava...

Fomos então para o combate. O mais sangrento que já tivemos...

 

Blue Mary... pobre Blue Mary... teve suas vistas cegadas por uma espadada certeira, pouco antes de tombar.

Aylette foi trespassada por uma espadada mortal. Necroshine a trouxe de volta como um de seus zumbis. Tivemos que enfrentá-la também.

Earthal, meu bravo amigo... Usou toda sua energia mágica restante para petrificar Necroshine e nos salvar, caindo inconsciente no chão. Kai o matou com uma joelhada no pescoço, quebrando-o.

Póllux, a cada golpe, lutava contra a morte, devido seus ferimentos e tentava salvar a todos. Ainda me lembro que consegui ver de relance no meio do combate, o momento em que ele acabou com 2 zumbis ao mesmo tempo. Formidável!

Nakoruru... nem vi. Encontrei-a morta no final do combate, estava decapitada.

Red, que havia desaparecido momentos antes do combate Ter início, surgiu por traz de Tolkki acabando com ele. Depois disso ainda me ajudou com meu zumbi.

Saldo final do combate: todos mortos, exceto eu, Red e Póllux, qu encontrava-se quase morto. Eu adquiri uma cicatriz permanente no rosto para me lembrar deste trágico dia.

 

Red conseguiu despetrificar Necroshine. Tentamos fazê-lo ressuscitar nossos amigos, Sem efeito.

Acabamos matando-0.

Antes de morrer ele nos contou a verdade: nossas almas estavam o tempo todo conosco, tudo não passara de ilusão. Seu plano era juntar o maior exército de zumbis possível para acabar com os elfos negros, razão de várias desgraças em sua vida. Disse ainda, que a vila dos elfos da luz havia sido desrtuída por Lokki e seus homens.

Matamos Lokki por Ter mentido para nós.

Tentei de tudo que pude...

Não consegui evitar o destino trágico de meus amigos.

Sentei ao lado de uma árvore e chorei, enquanto a chuva caía sobre nossas cabeças. Adormeci...

Quando acordei, Póllux estava morto. Não agüentara os ferimentos.

Red já havia enterrado os outros.

Acabei tendo minha última discussão com Red, que não agüentou mais tanta desgraça e sofrimento e acabou se suicidando.

Sozinho...

Sem meus amigos...

Tudo que ainda podia fazer era retornar a minha terra natal, Araterre.

 

Chamei o elfo sobrevivente para ir comigo, pois acabei descobrindo que, por uma incrível coincidência, ele era pai de uma elfa que morava em Sauvons, minha cidade natal.

Peguei tudo que me restara da batalha e segui viagem com ele.

 

Antes de ir, enterrei os corpos de Pólux e Red junto aos outros.

Deixei um memorial para eles, era o mínimo que podia fazer.

Vagamos dias pela floresta com muito poucas provisões e sem nenhum meio de transporte.

A cada dia que passava, via nossas mortes mais próximo.

Comecei a escrever então para, como disse, me lembrar dos bons momentos e conseguir me manter vivo.

A fome, sede e cansaço eram enormes.

Conseguimos sair da floresta.

Começamos a vagar então pelas planícies de Caithness.

Vagamos ainda sem muita esperança de sobrevivência.

Ontem fomos atacados por ladrões da estrada que cruzaram nosso caminho.

Lutamos e os vencemos.

Um deles fugiu dizendo que voltaria com reforços.

Fugimos o mais rápido que pudemos.

Andamos mais um dia.

Great Fire, o elfo que me acompanha, caiu de cansaço esta manhã.

Não pude deixar ele sozinho, já havia perdido amigos de mais na vida, não iria perdê-lo também.

Fiquei lhe fazendo companhia até agora...

Estou dizendo isso porque já estou avistando aqueles ladrões de novo, vindo ao longe e com reforços.

 

Vou tentar combatê-los...

 

 

Jean de Bordeaux.

 

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