Histórico Completo - Banjin

        Em Mizuma, a primeira cidade sahudesa encontrada aos pés de Zarak, havia um constante estado de atenção, pois sempre apareciam andarilhos que atravessavam o reino dos anões e se dirigiam à cidade, além dos próprios anões. Estranhos eram normalmente bem-vindos, menos os orcs. Invadindo do oeste, quadrilhas desses seres estúpidos atracam-se com viajantes, roubando, matando e pilhando sem remorso. Não raramente a própria cidade era atacada, mas fortemente repelida pelos soldados locais. Parte da eficiência da tropa local era o treinamento de um mestre chamado Tatsumasa Inui. Além do treinamento em armas, todos os soldados passavam por um treinamento básico a médio em luta desarmada, a especialidade de Tatsumasa. Seu estilo se chamava Jushiki Muteki ryuu.  

Tatsumasa era pago pelo daimyo para oferecer o treinamento, o que dava certo conforto material para ele. Ele possuía uma esposa e dois filhos, um casal (Kaede e Akira). Akira, o mais novo, treinava a arte com o pai, e era seu discípulo preferido. O estilo Muteki é muito possante, e completo, com técnicas de ataque poderosas e defesas que também permitem bastantes recursos ao usuário. Kaede, uma linda adolescente, aprendia os afazeres e casa e era discípula do curandeiro da cidade. Era de um gênio forte, apesar de sempre restringido pelos pais. Ao colher ervas e frutos ao pé da montanha um dia, viu alguns soldados espancando uns velhinhos que moravam mais ao longe da cidadela. Algumas pessoas realmente moravam a uns dois quilômetros da cidade principal, para cuidar de cabras. Kaede não achou nem um pouco justo uma tropa de soldados fortemente armados juntando nos velhinhos, e gritou para pararem. Os soldados já iam esbofeteá-la quando viram que era a filha de Tatsumasa. Então simplesmente foram embora. Ajudando os velhinhos ela descobriu que Katsumoto sama, o daymio, pedia sempre do dobro ao triplo dos impostos para quem morasse mais longe para cuidar das cabras. A razão dada era que como eles moravam mais longe eles tinham que realocar mais soldados e isso custava mais...

        Aquilo mexeu com Kaede. Se cuidar das cabras era tão importante para a cidade, alguém tinha que fazer ué! Obviamente que ia ficar mais caro, mas o triplo dos impostos era demais. Ela reclamou com a mãe, que não disse nada. Akira também não fez comentários relevantes (“Tu cuida de cabra por acaso?”), mas ao reclamar com o pai, ela tomou um tapa na cara. “NUNCA duvide das ações do nosso daymio!!” e outras frases parecidas. Ele nunca aceitou de qualquer forma. Sempre que ia colher as ervas da montanha ela ia conversar com os velhinhos das cabras e ficava muito triste com a situação. Ela realmente havia tomado as dores do pessoal.

         Um dia, após pensar muito ela dá um ultimato no pai: “Pai, esse daymio é um crápula injusto!! Quero que você fale com ele e se ele não baixar os impostos que pare de treinar seus homens!!”. Tatsumasa ao ouvir aquilo fez uma cara de puto e deu um soco na filha. Ela chorou e chorou. Na sua cabeça Katsumoto sama era realmente um crápula e seu pai era conivente com tudo isso... quando então, aos 17 anos decidiu sair de casa em protesto. Deixou uma carta para os pais agradecendo tudo, pegou um dinheiro e poções e partiu.

        A viagem sem rumo de Kaede a levou até Tozaisen, mais ao norte de Sahud. Lá, ela conseguiu arranjar um emprego com seus conhecimentos em ervas e naturalismo. Muito triste pelos velhinhos ela acreditava que o choque de “perder a filha” talvez “trouxesse a razão” de volta ao pai lutador. Ela foi tocando a vida, conheceu um garoto chamado Ken, por quem se apaixonou. Anos se passaram e ela até conseguira montar sua lojinha com Ken, ficando famosa na cidade. Um dia ela mandou uma carta aos pais, que responderam prontamente. Lá em Mizuma as coisas estavam bem, e que em dois meses haveria o Haru Matsuri (Festival da Primavera). Seria uma boa chance para eles se reencontrarem. Kaede convenceu Ken de fechar a loja por um tempo e ir conhecer os pais dela.

        O que eles não sabiam é que uns três dias antes do Festival começaram a ocorrer ataques pesados dos orcs. A razão não ficou clara, talvez estivesse ocorrendo algum ritual para os deuses orcs, mas o que ficou claro é que eles estavam seqüestrando as mulheres que encontravam no caminho. Isso ia pegar Ken e Kaede no meio do caminho... Tatsumasa meio receoso mandou patrulhas para tentar pega-los no meio do caminho. O pior ocorreu. A pequena caravana onde o casal ia foi pego de surpresa por uma quadrilha de orcs... e como haviam umas cinco mulheres jovens (uma delas especialmente maravilhosa!!) na caravana deixou os orcs loucos. Os dois cocheiros e Ken foram sumariamente degolados e queimados, enquanto as mulheres eram estupradas seguidamente. Algumas morreram com tanta violência, e Kaede chegou a desmaiar. De madrugada Akira e um grupo de soldados achou os restos da caravana e seguiram os rastros. Os orcs foram executados sem perdão, mas dando muito trabalho. O líder deles era feroz, deixando até Akira inconsciente. As mulheres foram levadas de volta para a cidade. Kaede acordou alguns dias depois, pegando só o último dia de festival, o que pouco importou a ela, uma vez que perdera o marido.

        Se recuperando, ela decidiu voltar para Tozaisen. Ela percebeu logo depois de um tempo que estava grávida. Na véspera ela e o marido haviam feito amor (“Ah amor... na viagem fica meio complicado hehehehe”) e ela ficou muito feliz. Iria cuidar do filho dela e Akira com todo o amor...  como cuidar da loja e tudo mais sozinha, ela decidiu vender tudo e voltar de vez para Mizuma passar a gravidez com os pais. Essa viagem foi normal, Tatsumasa havia mandado seus melhores soldados para ir busca-la. A gravidez foi apresentando problemas no final. Durante o parto houve complicações sérias e Kaede acabou morrendo...

“Uééééé Uééééé”!!!

“... quê isso???”

“Caramba... Ô Akira-kun... como era esse tal de Ken san??”

“Não sei pai. Ele foi carbonizado pelos orcs...”.

“Porra... devia ser um cara MUITO DO FEIO!!!”

        O filho de Kaede não era humano, mas um meio-orc. Do líder orc daquela quadrilha, mais exatamente, Azzgnaroth. Tatsumasa achou o moleque feio pra diacho, mas foi cuidando dele de qualquer forma. Como ele tinha traços mais humanos que de orc, e a mãe era muito bonita, Banjin, como foi nomeado o monstrinho, passava por um humano feio. Ele claramente se mostrou mais resistente que a criança normal, o que agradou a Tatsumasa... “É... moleque forte... é realmente um Inui!!!” e logo logo ele começou a treina-lo. Além de resistente era forte e ágil também o monstrinho. Aprendendo rápido as técnicas ele progredia de forma espantosa. Com as outras crianças ele se dava bem, apesar do apelido de ‘monstro de Zarak’. Ah, ele comia MUITO também...

         Banjin começou a aprender as técnicas secretas do Muteki ryuu. Akira e os demais soldados preferiam usar armas, pois as achavam mais eficientes que os punhos, deixando o Muteki ryuu em segundo plano. Mas não Banjin. Em simulações de treinamento ele sempre lutava desarmado, nem sequer aprendendo a usar qualquer arma. Esse poder deu a Banjin uma autoconfiança que transbordava hahahaha

         Tatsumasa estava orgulhoso de seu neto. Akira agora era o líder dos soldados, e ele queria saber aonde Banjin chegaria... Apesar do seu intelecto mais baixo que o normal hehehe ele achava que o monstrinho ia longe. Aos 15 anos ele participou da primeira incursão contra os orcs. Comandados por Akira os soldados e Banjin conseguiram repeli-los das imediações da cidade. As técnicas de luta desarmadas de Banjin já haviam superado há muito as de Akira, e ele mostrou um ótimo reforço. Os guardas ficavam estarrecidos de ver o moleque ir totalmente desarmado enfrentar orcs!!! Achavam que Tatsumasa havia enlouquecido de vez, mas a experiência do velho guerreiro se provou certa mais uma vez.

         Um dia, no ano seguinte, passou pela cidade uma caravana de caithnessenses que passaram por Roppongi atrás das famosas sedas. Um velhinho achou uma boa oportunidade de ir com eles para Caithness, junto com seu netinho, o calado Norihiko. Eles precisariam de guarda-costas e Banjin, agora um guerreiro excelente mesmo aos 16 anos, se propôs a ir. “Ô ookina (vovô), deixe-me conhecer o outro lado das montanhas!!” Tatsumasa concordou, achou que seria bom para ele, Kaede iria gostar que seu filho conhecesse novos horizontes, ele achou que iria ser muito bom para ele. Grande parte do seu conhecimento foi adquirido viajando por toda Sahud, conhecendo lutadores, técnicas e estilos o que o tornaram um grande mestre. Pelo menos saber se defender ele sabia que Banjin era apto. Antes de ir, Tatsumasa lhe deu uma armadura usada por seu avô em guerras. Era linda, toda cromada e usada apenas nos braços. “Essa armadura”, contou-lhe Tatsumasa, “foi usada pelo meu avô em guerras. Era feita exatamente para guerreiros como ele, eu e você que incorporaram o caminho das mãos vazias...”. Tatsumasa havia dado a ele apenas em sua despedida, para que a presença da armadura nunca afetasse sua autoconfiança. Com o novo equipamento, Banjin se une aos caithnessenses, ao curandeiro e a Norihiko, indo em direção de Zarak...

         O começo da viagem é tranqüilo, sem incidentes. Com os caithnessenses Banjin começa a aprender algumas palavras e expressões, e ele e Norihiko passam a se conhecer melhor. Ele acha o garoto bem religioso e quieto, então evita ficar enchendo o saco. Ele passa a encher o saco dos caithnessenses hehehe. No topo da montanha eles encontram uma patrulha de anões, que não se mostram amistosos, mas não agressivos. Um dos caithnessenses, o que está ensinando Banjin, inventa de falar alguma coisa na língua dos anões. Pra quê...Aparentemente “saco de merda” e “muito fortes” se pronuncia parecido. Os anões ficam putos, e NÃO TOLERAM insultos de estrangeiros. Há um impasse aí, e o mané tenta falar algo para contornar e só piora a situação... começa um combate. O velho curandeiro tenta proteger o neto, que saca o arco. Banjin responde instantaneamente e nocauteia um dos anões. Os caithnessenses saem correndo, apenas um deles fica, tremendo com uma espada curta nas mãos... mas é acertado por um machado de arremesso. Os anões atacam Banjin ao mesmo tempo, e mesmo que ele tentasse desviar os golpes sem usar os antebraços não ia dar, então ele começa a aparar os machados de duas mãos e a armadura nem sente. Banjin fica estarrecido com o poder de defesa do “Tekkou” e sai mandando pé na cara dos anões. Um dos anões ia atacar Banjin pelas costas quando é acertado por flechas. O velhinho e seu neto o salvaram. Correndo atrás dos demais caithnessenses ele vê que outros anões o alcançaram e estavam os levando presos para escravos ou sei lá o quê.

         Banjin entra arregaçando com um Flying Jump Kick chutando um anão da ribanceira!! Todos ficam surpresos e ele sai metendo o pau em todos. Logo, com a ajuda de Norihiko e seu avô, todos os anões são derrotados. Um último anão estava escondido entretanto e atravessa o crânio do velhinho com seu martelo de guerra!! Norihiko entra em pânico e quando ia ser a próxima vítima o anão é arremessado com o choque da técnica secreta de Banjin “GouFubaku” (Explosão de Aço), caindo pelo precipício...

         Norihiko, Banjin e os dois caithnessenses que sobraram continuam a viagem em tensão total... bem-vindos em Zarak eles sabe que nunca serão. Descendo as trilhas, eles avistam uma cidade ao longe...Tacitus. Lá chegando os dois caras se separam de Norihiko e Banjin. Os dois com cara de tacho numa cidade em outro país... sozinhos. Um mago chamado Taliesin encontra com os dois estrangeiros na rua e sente um poder alto emanando de Norihiko. Ele começa a conversar com eles, e vê que o mais forte apenas que fala algo em ânglico, tudo errado e truncado. Bem, com mímica ele fica sabendo que os dois estão praticamente perdidos na cidade sem teto nem comida. O mago adota os dois. No decorrer do ano, ele ensina ânglico aos dois, e a Norihiko também algumas magias. Ele fica sabendo mais tarde de um tal santuário onde poderia usar seus dons mágicos com todo poder. “Essa vida de mago de Caithness acabou!!”, partindo então com os dois, ele se assenta lá.

         O santuário é uma cidade ainda em construção quando eles chegam por lá. Um local inexplicavelmente com mana normal no meio de Caithness... e aparentemente os governantes tem MUITO dinheiro. No começo Banjin fica como guarda-costas do mago, mas logo arranja um trabalho de segurança na cidade. Como a cidade está se erguendo TODA ajuda é bem-vinda. Ele também ajuda a erguer as casas, e vai trabalhando. Norihiko vai sendo ensinado pelo mago.

         Um dia, Norihiko se despede de Banjin...

“Banjin tenho uma coisa séria a lhe dizer...”

“Tu é gay? Eu sei já.”

“Tsc. É sério. Eu falei com nossa Oráculo e ela disse que tenho que fazer uma viagem... mas que nos reencontraremos em breve. Esse será o nosso karma.”

“Mas porquê magrela? Já acabou seu treinamento com magia, sei lá??”

“Não... esse treinamento nunca acaba.”

“Ah é? Eu já acabei. Sou mestre.”

“Tá bom... vou arrumar as coisas e vou indo.”

“Não esquece a maquiagem hein?”

“Sayonara...”

 

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