Capítulo 2 – Codinome Delta

By Wu Riez

 

          Ainda na agência do UBS em Zurique, decide-se que vão primeiro às montanhas de San Maurice investigar o acidente, principalmente porque não há dinheiro suficiente para todos chegarem a Lietchenstein. Nikki saca todo o dinheiro possível de sua conta corrente de universitária para comprar as passagens. Eles também anotam o contato de Andrei Markov. Arrumam com o banco transporte até a estação de trem.

          A viagem até San Maurice decorre sem problemas. Ao chegar, no entanto, as coisas não são tão fáceis. Por onde começar? Como ficar sem dinheiro? Nikki tem uma idéia que pode dar certo, se a sorte estiver a seu lado: o cassino local. Contar cartas pode ser fácil para alguém com uma memória perfeita. Nikki e Franz vão lá jogar Black Jack. Por algumas rodadas, Nikki consegue ganhar algum dinheiro, mas logo em seguida, perde tudo. Desolados, abandonam o plano, agora piores do que começaram.

          Franz procura no jornal local o jornalista que escreveu a matéria, há 16 anos. O repórter o recebe, mas quando Franz menciona o acidente, o repórter muda de fisionomia, começa a se esquivar das perguntas e enxota Franz. Mas o homem-múltiplo é persistente, e pretende insistir na entrevista, ainda mais agora que sabe que há algo estranho nisso tudo.

Enquanto isso, Kurt e Samael foram até o local do acidente. Lá perguntaram para o populacho local o que teria acontecido, mas ninguém sabia dizer, por fazer tanto tempo. Ninguém, a não ser um velho doido mas simpático que ali vivia. Dádiva dos céus também, já que além de fornecer informações, forneceu comida, que era extremamente bem-vinda depois de um dia inteiro sem comer. Não que Kurt precise... O velhinho contou que aquela estória contada nos jornais era muito estranha. O jornal contava que aventureiros que escalavam o monte foram pegos por uma avalanche. Mas eles tinham ouvido uma explosão naquela noite, o que não constava da reportagem, e também o repórter parecia ter editado maliciosamente as entrevistas.

Kurt e Samael conseguiram, na maior cara-de-pau, um lugar pra dormir na casa do velhinho, para eles e seus amigos. Não sem antes limparem a neve do telhado da casa por um punhado de euros. Já Franz se entretia invadindo primeiramente o jornal local, com uma de suas cópias numa roupa de snowboarder ensangüentada. Não conseguiu que o repórter abrisse a porta do escritório, o seguiu até a garagem, onde ele entrou no carro e fugiu. Franz pulou em cima do carro e quase se deu mal. Tentou correr atrás, mas não conseguiu. Tentou também persuadir seus amigos a fazer o mesmo, alegando que ele tinha certamente algum envolvimento nisso tudo. Mais tarde, foram até a sua casa, onde Franz invadiu como um gatuno a casa mas não conseguiu achar o repórter, que, àquela hora, já estava longe.

No dia seguinte, desistiram de perseguir mais pistas, pois estavam exaustos e sem dinheiro. Foram a um bar e ligaram para Ruggell, e falaram com Andrei Markov. Ele pediu a localização deles e disse que chegaria em breve. E foi bem breve, mesmo, dada a distância.

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Andrei Markov

Andrei Markov chegou e fez questão de mostrar que estava acompanhado de outros cinco homens. Estes eram tipos militares, de cabelo raspado, fisicamente fortes, etc. Logo puxou um aparelho detector de metais do bolso e pediu para ver suas nucas com ele. Assim que terminou, pediu para que o acompanhassem (entraram numa aeronave VTOL), e foi contando a história.

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X07 Thunderstorm, avião stealth (protótipo da SAAB)

Ali, nas montanhas de San Maurice, há 16 anos, funcionava a base secreta do programa AR-15 (Alien Resistance-15). Sim, nós não somos a única raça inteligente do universo, e estamos sendo visitados por uma raça alienígena, que prepara uma invasão. No final da década de 60, os ufólogos mais ricos do mundo se juntaram e criaram o Programa Alien Resistance (Programa AR), que visava pesquisar e criar instrumentos vantajosos para a luta contra a raça alienígena. O programa AR-15 visava a criação de superseres mediante clonagem e engenharia genética. Em 13/06/1991, os programas foram atacados, e aparentemente todos foram destruídos. Nas montanhas de San Maurice, os cientistas conseguiram escapar levando consigo os clones que desenvolveram em laboratório, criando-os como filhos em Altdorf. Andrei Markov, na época um soldado encarregado da segurança, também sobreviveu e reativou o programa sob as ordens do financiador (que por enquanto se mantém desconhecido).

Tem-se aqui a idéia de quão poderosos são os inimigos, ou quão infiltrados eles estão na nossa sociedade. Encobrir os ataques não foi tarefa fácil (agora sabemos quem assustou tanto o repórter). E o que dizer do caso dos adolescentes do AR-15? Em menos de quinze minutos após a morte de um dos pais, já se tinha a identidade e a descrição dos suspeitos – no caso, eles.

Ainda restava um problema: May Lee e Piero Vogel tinham sido capturados pela polícia e acusados do assassinato dos pais. Certamente, eles seriam apagados em breve. A sorte deles era que ainda estavam sob custódia da polícia de Altdorf. Markov elaborou um plano de resgate emergencial; a equipe Beta e os adolescentes embarcaram no Thunderstorm e rumaram para Altdorf. Lá, a aeronave flutuou em cima da carceragem, os soldados desceram por cordas militares; ouviu-se rajadas de tiros e eles retornaram, trazendo Piero e May com eles.

Agora, os adolescentes fazem parte da Equipe Delta, a equipe principal do AR-15 (a equipe de apoio, a Equipe Beta, é formada pelos soldados ex-forças especiais). Cada um recebeu um nome-código:

Delta 1

Franz Wagner

Delta 2

Nikki Schwartz

Delta 3

Piero Vogel

Delta 4

May Lee

Delta 5

Kurt Krantz

Delta 6

Samael Smirnoff

 

 

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