Histórico Completo - Akuma

Okinawa é um arquipélago ao sul do Japão, que na Antigüidade era um reino independente, como todos os demais na Ásia. Entretanto por sua posição estratégica, ao fornecer um posto avançado marítimo, foi disputado por vários reinos asiáticos constantemente. Várias dinastias chinesas e impérios japoneses assumiram comando das ilhotas, alternadamente e  seguidamente. E os okinawenses sempre sofreram muito com essas invasões. Nunca foi o objetivo exterminar toda sua população, mesmo por parte dos chineses ou japoneses, afinal era apenas o ponto estratégico. Mas na disputa do território entre os dois povos, os okinawenses acabavam no meio das lutas de espadas e tiroteios, e muitos sempre morriam. Em um “período de paz” entretanto, o dia-a-dia era normal como nos outros países. Obviamente sempre havia imposições, como religião e principalmente o uso de armas. Esse drama se perdurou por vários anos, e atualmente o arquipélago faz parte do território japonês.

O drama de povo subjugado era aceito por muitos okinawenses, até pelo fato de que se os generais dos exércitos chineses e japoneses quisessem, a população desapareceria do planeta. Muitos então aceitavam a dominação, e pensando sob certo ponto, eles estavam protegidos pelos exércitos. Em 1810, nasceu no clã Shimabukuro um jovem que foi chamado de Gouki. Caçula de cinco filhos, era uma criança impetuosa, diferente das demais, e achava estranho o fato de soldados de outro país, que falavam outra língua (o dialeto de Okinawa é BEM diferente do japonês tradicional), andarem por aí impunentemente e ocasionalmente maltratando passantes. Ele nunca aceitou isso e levou umas pancadas na cabeça pela “falta de respeito” ao invasor. Se não passasse de uma criança talvez estivesse morto já. Seus pais nunca entenderam o motivo de tanta revolta, uma vez que eram simples camponeses que aceitavam passivamente a invasão. Seus irmãos também... mas Gouki era simplesmente diferente. 

Gouki criancinha :)

A chegada de nobres japoneses em 1823 no arquipélago começou a assustar os okinawenses. Samurais tomando conta da ilha era uma coisa. Nobres chegando para invadir era outra. Famílias foram expulsas de suas terras para construção de castelos para nobres de segunda e terceira linha, que nunca iriam assumir posições relevantes no Japão. Ai a coisa ficou séria. A guarda dos nobres não tinha a menor disciplina dos samurais, e abusavam dos okinawenses. Em uma noite chuvosa, Hatsuki (irmã mais velha de Gouki) chegou em casa ensopada e suja de lama. Aos prantos e soluçando contou que havia sido estuprada por um nobre bêbado e por sua guarda. Os pais ficaram chocados, e eles e seus irmãos tentavam confortá-la. Gouki não. Aquilo mexeu com ele de tal forma que naquela hora mesmo ele foi atrás de seus amigos. Uma vez um deles havia sido convidado para entrar em um grupo de resistência de Okinawa. Os grupos de resistência eram formados de lutadores, que treinavam artes marciais. A posse de armas era proibida, e os treinos também, então eram sempre feitos à noite em locais ermos. Naquela mesma noite Gouki entrou em um desses grupos, os ‘Dragões Verdes de Okinawa’.  TODO dia, após ajudar os pais na lavoura, Gouki andava dois quilômetros para o treino. O mestre, Goutetsu, era faixa-preta em Goju-ryuu, um estilo de Karate.  O Karate é um estilo de artes marciais originário de Okinawa, com fusão em técnicas chinesas e japonesas. Originalmente era usado em guerra, então o objetivo primário era matar o adversário.

Os pais de Gouki temiam que os samurais a guarda nobre descobrisse que o jovem Gouki participava desses grupos de resistência, pois a família inteira era assassinada nesse caso (um costume normal no Japão). Mas o espírito de Gouki era tão forte que seus pais eram incapazes de dizer nada. O jovem okinawense chamou a atenção de Goutetsu, pela força e pelo espírito.  Nunca ele havia visto alguém tão determinado e obstinado. Em uma noite ele decidiu em quem seria a primeira investida: um nobre havia mandado fuzilar a família inteira apenas porque a filha esbarrou nele. À noite, os karatekas investiram em sua carruagem e mataram todos os guardas e o nobre. Foi a primeira investida de Gouki. Ele tinha apenas 15 anos. Forjado nessas batalhas para a vida ou morte, ele foi se desenvolvendo e se tornando um guerreiro frio, que não se abalava com a morte, seja dos companheiros ou dos inimigos. Seus pais não mais o reconheciam.

Goutetsu aprovava as técnicas de Gouki, e decidiu que quando chegasse aos 18 anos ele iria passar todas as técnicas secretas do estilo. Para os alunos “normais” ele passava apenas o Dim-Mak (Breaking Blow, presente em relatos da época, onde guerreiros desarmados desafiavam samurais e quebravam com os cotovelos e punhos espadas e armaduras!!).  Gouki então passou a treinar mais avidamente ainda, esperando esse dia chegar. Os Dragões Verdes ganhavam sua reputação como o maior grupo de resistência da ilha, começando a chamar a atenção dos samurais. Os combates contra os samurais eram os mais mortíferos. O mais absurdo era que a contagem de mortos era de um para um! Para cada Dragão Verde morto, um samurai havia tombado...

Nessa época Gouki se desenvolveu mais ainda. Junto com outros guerreiros escolhidos a dedo, Goutetsu iniciou o treinamento secreto, que incluía o controle do ki e o aprendizado de técnicas mortais. Com o avanço no treinamento Gouki nem mais aparecia em casa, sendo o dojo do mestre Goutetsu sua casa. Goutetsu e seus alunos especiais estavam conseguindo realmente arrasar a guarda nobre e os assustar da capital do arquipélago. Os Dragões Verdes estavam com fama chegando no Japão já. Gouki tinha 19 anos.

 Gouki não tão criancinha assim...

O Shogun então para acabar com essa história decidiu convocar a elite dos samurais para destroçar os Dragões Verdes e com eles a esperança de um dia expulsar os samurais e ser um reino livre. O Shinsengumi então partiu para Okinawa. Formado apenas por mestres espadachins, costuma-se dizer que eram o mais invencível grupo de espadachins da história registrada...!!

A chegada dos guerreiros muito preocupou Goutetsu... que organizou uma reunião com os seus discípulos. Ele propôs que abandonassem ou o grupo ou a família, porque agora a parada era mais séria que nunca... entretanto muitos discípulos, Gouki inclusive, acharam que era exagero de seu mestre e apenas disseram que iam manter a “rotina”.  Goutetsu disse novamente que esses não eram samurais normais... e que agora ia ser guerra. Nenhum dos seus discípulos, cegados pela confiança da juventude, acharam que iam ser derrotados.

Uma guerra psicológica então começou, com os samurais do Shinsengumi matando impunentemente cidadãos de Okinawa para atrair os Dragões. Goutetsu sabia da tática cruel deles, e não quis dar um passo em falso... dessa vez eram o Shinsengumi. Os samurais, além disso iam investigando as famílias, para deduzir onde moravam os guerrilheiros. Até que uma mãe de um dos discípulos foi decapitada do nada em uma manhã. Os okinawenses estavam em terror, esperando que os Dragões tomassem uma satisfação por eles... quando o filho da mãe morta incitou seus amigos a atacar, em plena luz do dia. Todos morreram perante os poderosos samurais do Shinsengumi. Gouki, Goutetsu e outros discípulos não foram nesse ataque.

Goutetsu decidiu acabar com o grupo, pois não teriam chance, ainda mais agora com mais de metade do grupo morto. Ele não queria ser responsável pela morte dos jovens... e em paralelo a isso os samurais investigaram e iam chegando às famílias dos outros jovens. Gouki juntou seus colegas e decidiu rechaçar esses samurais da ilha de uma vez por todas, em um ataque-surpresa. No dia do ataque porém, três samurais invadiram a casa dele e começaram a matar os pais e irmão de Gouki. Hatsuki inclusive foi cortada ao meio da cabeça aos pés literalmente. Chorando e correndo para a casa de um de seus colegas viu a mesma coisa, sendo que seu amigo já estava morto. Quando ia avançar cegamente contra os samurais, é segurado por Goutetsu, que havia testemunhado tudo. Ele diz para deixar, porque ia acabar morrendo...

Andando e chorando até o ex-dojo, Goutetsu diz para Gouki esquecer tudo e ir para as montanhas meditar. Gouki se pergunta porque seu mestre diria isso a ele. Ele diz que abandonara a posição de mestre, que um verdadeiro mestre não levaria seus discípulos à morte etc... mas Gouki diz que foi culpa deles, e responde que irá para as montanhas. Goutetsu indica para ele seu mestre, que é seu pai, agora um eremita: Gouken.

Partindo para as montanhas do norte de Okinawa, Gouki, com 20 anos, se perde nas partes remotas da ilha e desmaia de cansaço. Sem seus amigos e familiares ele acha que a morte até que seria algo de bom... quando encontra um velho eremita. Era Gouken.  Descansado e contando sua história para o pai de Goutetsu, Gouken o aceita como discípulo, porque sente seu potencial. Iniciando seu treinamento em meditação taoísta, Gouki consegue alcançar níveis superiores de consciência. Renegando todos os bens materiais, Gouki se torna um eremita como Gouken... e com o passar dos anos ele consegue transcende-lo. Em uma tarde especialmente inspirada, Gouki consegue se sentar com a verdadeira paz no espírito, e começa a meditar. O som dos passarinhos, os passos de Gouken e sua sandália de couro... o universo e Gouki se tornaram um só.

 

...

 Gouki acorda de sua meditação...

Se sente diferente... e se levanta. Gouken sumiu. Há neve por todos os lados...  quando então ele observa do alto da montanha fumaça vindo da vila que ficava mais próxima das cavernas. Achando que era um incêndio ele se dirige até lá, e vê que na verdade são fábricas... uma coisa nunca antes vista. As pessoas têm medo dele... e chegam uns caras marrentos querendo expulsá-lo, para chamar atenção das meninas.  Mas Gouki simplesmente os ignora quando o decidem atacar. Gouki esmaga os crânios dos três. Aparecem policias querendo prende-lo, que são executados novamente. Gouki se lembra da época que lutava... e gosta...

A partir desse momento ele começa a invadir os dojos dos Karatekas para desafiar a todos e sai matando geral. Achando que a cidade está estranha e todos estão fraquinhos, Gouki começa a duvidar de quanto tempo ficou meditando... quando descobre que se passaram mais de 120 anos!!! Quase tendo um treco ele começa a gritar e a concentrar inconscientemente seu ki e o canaliza formando um canhão energético de suas mão, destruindo o quarteirão inteiro...!!!  

Procurando novos desafios para seus novos poderes, Gouki, agora já conhecido como “Akuma” (demônio), parte para outras regiões da Ásia, passando vários anos, especialmente na Coréia e China. Desafiando e matando várias pessoas, e enfrentando os policiais que sempre vinham atrapalhar, Gouki não se adaptara aos novos tempos, onde matar era proibido e as artes marciais se tornaram caminhos espirituais...

 Até que um dia, de tão conhecido na Ásia por suas destruições em massa, ele chamou a atenção de alguém...

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