Os bandeirantes partem de São Paulo
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Os paulistas no Nordeste Chegando ao Brasil, à frente de uma poderosa armada, em janeiro de 1639, o conde da Torre trazia a missão de expulsar os holandeses do Nordeste. Depois de passar pela Bahia, alcançou o Rio de Janeiro, onde pediu ao governador Salvador Correia de Sá e Benevides que reunisse reforços na capitania de São Vicente. O governador, por sua vez, transferiu a tarefa para D. Francisco Rendon de Quebedo, genro de Amador Bueno. Depois de muitos esforços, Quebedo conseguiu juntar apenas 22 infantes e 54 índios, quantidade um tanto ridícula para quem queria expulsar os holandeses do Brasil. Na verdade, os paulistas estavam mais interessados em caçar índios das reduções jesuíticas do que em combater os aguerridos inimigos no distante Nordeste. Diante disso, as autoridades resolveram conceder perdão a todos os "criminosos" que se apresentassem. Ora, o bandeirismo era formalmente considerado crime. Mas era também a principal atividade dos paulistas. Choveram então as adesões ao apelo de Quebedo. Apresentaram-se, entre outros, João Sutil de Oliveira, "alistado para o fim de seu pai, Francisco Sutil de Oliveira, obter o perdão das muitas bandeiras em que tomou parte'', e Alberto de Oliveira, "filho de Rafael de Oliveira, o Velho, que fez todos os gastos do aviamento, para ser perdoado das entradas que fez ao sertão'. Mas o bandeirante mais famoso que resolveu participar da expedição foi Antônio Raposo Tavares. Reforçado, assim, pelos sertanistas, o corpo paulista juntou-se ao conde da Torre no Rio de Janeiro, em fins de 1639. Mas foi derrotado no mar, junto com roda a armada luso-espanhola, diante da costa paraibana, no ano seguinte. Os bandeirantes desembarcaram, então, no Rio Grande do Norte , retirando-se até a Bahia, sob as ordens de Raposo Tavares e Luís Barbalho. A seguir, Raposo Tavares, depois de atravessar o sertão, voltou a São Paulo para conseguir reforços, enquanto um grupo de sertanistas prosseguia na luta contra os holandeses. Segundo algumas notícias, uma parte da expedição fez uma viagem bem mais extensa: quando a frota se dispersou, no litoral paraibano, fugindo diante dos holandeses, alguns navios com bandeirantes continuaram navegando até chegar a Cartagena das Índias (na Colômbia). |
Partindo
de São Paulo
Os paulistas não teriam podido atacar as missões por anos seguidos se não contassem com o apoio, ostensivo ou velado, das autoridades coloniais. Embora não se saiba ao certo quais as expedições promovidas pela Coroa e quais as de iniciativa particular, sendo igualmente imprecisa a designação de entradas e bandeiras, o traço comum a todas elas foi a presença, direta ou indireta, do poder público. Muitas vezes era este que financiava a expedição; outras, limitava-se a fechar os olhos para a escravização dos índios (ilegal desde 1595), aceitando o pretexto da "guerra justa". As guerras "defensivas" Interesse público e interesse particular interligavam-se desde as expedições "defensivas" do século XVI, dirigidas contra as tribos do vale do Paraíba, do Anhembi (Tietê), do Mogi-Guaçu e de outros rios paulistas Chefiadas pelos capitães-mores e autoridades, esses ataques preservaram o núcleo de povoamento no planalto - e revelaram as potencialidades econômicas da "caça ao índio" (preação). Durante o governo de Jerônimo Leitão, que foi capitão-mor de São Paulo de 1579 a 1592, os oficiais da Câmara resolveram, "em nome do povo", que a guerra fosse levada aos carijós, tupinaés e tupiniquins. A frente de forças compostas de mamelucos, Jerônimo Leitão assolou durante seis anos as aldeias do Anhembi, escravizando muitos índios. Em busca do ouro O bandeirismo ofensivo, de apresamento, coincidiu com a chegada a São Paulo, em 1599, de D. Francisco de Sousa, sétimo governador-geral do Brasil (1591-1602). Certo da existência de metais preciosos no interior, D. Francisco organizou várias entradas, que partiram de diversos pontos da Colônia. Além disso, atribuiu estrutura oficial às expedições, que receberam divisões militares, ouvidores do campo, escrivães e capelães, além de roteiros pré-determinados. Patrocinadas por D. Francisco foram as bandeiras de André de Leão (1601) e Nicolau Barreto (1602). A primeira buscava minas de prata e cruzou o sertão durante nove meses, seguindo pelos vales dos rios Tietê e Paraíba, ultrapassando a Mantiqueira e chegando às nascentes do rio São Francisco. A segunda estendeu-se por dois anos. Teria chegado à região do Guairá, regressando com um número considerável de índios, que algumas fontes estimam em 3000. A partir de então coexistiram as expedições de prospecção (busca de metais preciosos) e de apresamento ("caça ao índio"), e definiram-se as linhas gerais da expansão bandeirante. Levando suas bandeiras para o sul, os paulistas atingiram as reduções do Tape e do rio Uruguai para sudoeste, as do Guairá; e a oeste, as do Itatim. Mas houve também expedições que percorreram terras de Minas Gerais; outras, cruzando os sertões goianos e matogrossenses, subiram os afluentes do Amazonas e atingiram o grande rio, enquanto outras se defrontavam, na bacia do São Francisco, com a marcha para o interior dos criadores de gado nordestinos. O território brasileiro definia seus contornos, ganhava coesão interna - e os bandeirantes, já famosos por conhecerem os perigos do sertão eram chamados pelas autoridades para combater inimigos distantes: os holandeses, os "índios bravos" do Nordeste açucareiro e os negros que se rebelavam contra o regime de escravidão. |
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Francisco Antonio Luciano de Campos - 1999-2000