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Não agüentei o barulho na Catedral RJ
Amigo Kutscher, se me permite chamá-lo assim, pois apesar de
não lhe conhecer pessoalmente, porém temos as mesmas opiniões com relação a
certas coisas um tanto constrangedoras que eu tenho infelizmente presenciado,
durante as celebrações das missas e demais encontros católicos que participo.
Vou lhe relatar um fato, acontecido no dia 27/04/2003, domingo, na 15a
Festa da Misericórdia, na Catedral de São Sebastião, na cidade do Rio de
Janeiro.
Confesso que pensei muito, se devia ou não lhe enviar este relato, mas já vi
tanta coisa triste e lamentável dentro da Igreja, e, muitas vezes, todos acham
normais para os nossos dias. Inclusive, certa vez, enviei-lhe um e-mail dizendo
que não concordava com aquilo que você dizia sobre tantas profanações dentro
da Igreja, mas de tanto ultimamente ver coisas que as vezes me deixam surpreso,
começo a avaliar que muitos dos seus artigos estão certos.
Eu sai da minha casa, na cidade de Niterói RJ, e me desloquei até a Catedral
do Rio de Janeiro para dar somente uma olhada na festa, pois haviam me dito que
iria começar as 13h00, e eu estava bem atrasado. Cheguei na Catedral, por
volta das 15h20 min, já na chegada, antes mesmo de entrar, percebi que o som da
música estava altíssimo, pois da rua se escutava claramente.. Porém, ao adentrar na
Catedral, simplesmente era como se eu não mais reconhecesse aquilo como a Casa
de Deus, pois realmente o som da música era algo ensurdecedor. Por alguns
minutos, ao olhar para os fieis que lá estavam, tive a impressão de estar numa
casa de shows ou algo assim. Eram pessoas dançando, outras pulando, por alguns
instantes comecei a me sentir mal diante de tanto barulho e euforia. Tenho a
dizer, que respeito quem gosta deste tipo de coisa na Casa de Deus, acho até
válido numa festa, que se celebre com muita alegria, mas sem exageros. E não
era somente eu, que naquele momento pensava assim, pois uma senhora que estava
ao meu lado disse: "Tá bonita a festa né moço, mas vou ter que sair um
pouco, pois tem muito barulho, e estou ficando com dor de cabeça, eles poderiam
diminuir um pouco este som". Quando a senhora disse isto, eu fui até o
encontro de uma pessoa que vi circular de um lado para o outro, e parecia dar
ordens, inclusive falava e gesticulava com outros perto do altar. Conclui que
poderia ser um dos organizadores da festa. fui ao seu encontro e disse:
"Olá, boa tarde irmão, desculpe lhe dizer, mas você não acha que a
música está um tanto alta? Até uma senhora saiu se queixando de dor de
cabeça." E ele, me olhando seriamente, me disse: "Você é católico?
Não gosta de alegria? Isto é uma festa amigo". Eu respondi: "Por
perguntar sobre a música alta, já não sou mais considerado católico? Se meus
ouvidos estão desacostumados a tamanho barulho na Casa de Deus, seria por não
gostar de alegria? Agora, todo o bom católico, deve ser moderninho, e
gostar desta algazarra toda, pois senão já não é mais um católico? Estranho
isto, né irmão". E ele me disse ironicamente, já dando às costas para
mim: "Cresça amigo, somos a Igreja do Novo Milênio, somos renovados,
louvamos ao Senhor através da música, e não está alta, não seja radical ok".
Infelizmente, depois deste fato, eu resolvi me retirar, pois realmente me senti
muito mal diante do barulho e agito geral, somado a resposta deste irmão, pois
a música estava muito alta, e a senhora, à qual eu havia falado, estava certa,
o barulho era de dar dor de cabeça, era difícil até falar com outros naquele
ambiente.
Tenho a dizer, que também gosto da renovação carismática, inclusive já
estive várias vezes na Comunidade Canção Nova, pois os encontros lá são
maravilhosos, porém para tudo existe um limite. Não gosto de exageros
impostos, quase que a força dentro da Casa de Deus, acho que, como católico
fervoroso e praticante, tenho o direito de falar e protestar contra tais coisas lamentáveis,
como excesso de barulho, num lugar Sagrado e de profunda reflexão.
Agora, eu pergunto: Você sai da sua casa, para ir até a Casa de Deus, a Santa
Igreja, afim de encontrar um ambiente de paz, tranqüilidade e alegria
(moderada), mas ao chegar lá, encontra barulho e algazarra, a ponto de ter que
vez por outra sair para tomar um ar, afim de poder ficar dentro da Casa de Deus
por mais tempo. Desculpe a franqueza, mas se isto é ser Igreja do Novo
Milênio, prefiro ser a Antiga e tradicional, pois me sentia mais em paz e tranqüilo
para falar com Deus, fazendo as minhas orações. Sei que muitos não vão
gostar deste meu relato, pois certos amigos meus me disseram para relevar este e
outros fatos, porém, sinceramente, sinto um aperto no meu coração, diante de
tantas coisas tristes que tenho presenciado dentro da Igreja e também fora
dela. Confesso, sr. Kutscher, que há algum tempo acesso os seus sites, e não
concordo com algumas matérias, porém, infelizmente, cada vez mais, concordo
com outras, que até pouco tempo atrás eu discordava. Acho, que muitos irmãos
ao ler as matérias do seu site, mais cedo ou mais tarde, poderão infelizmente
comprovar algumas coisas tristes e até profanas, que acontecem dentro das
nossas Igrejas e paróquias. Se não podemos denunciar, pois causarmos escândalo,
então o que podemos fazer? Nos calarmos diante destes fatos, então não
posso pedir mais silêncio na Casa de Deus, sou menos católico ou alegre, por
não gostar de muito barulho dentro da Igreja? Como vou dizer para os meus
filhos, que a Igreja é a Casa de Deus, um lugar Santo, de paz e reflexão, onde
se fala com Deus, onde se ora, buscando o silêncio para a alma, uma sintonia
com Deus. Mas ao chegar lá, só se escuta música altíssima, danças, pulos e
etc...Que cantem, louvem, dancem, pulem e orem, mas que seja moderadamente e com
respeito, não se precisa exagerar, pois desculpe a franqueza, mas Deus não é
surdo, espero que realmente, com tanta algazarra em algumas Igrejas e encontros
católicos, se esteja realmente agradando a Deus.
Sabe sr. Kutscher, racionalistas e fundamentalistas, são estes católicos
modernos, que impõe quase que a força, festas, encontros e missas barulhentas
e agitadas, não dando mais valor a um momento de silêncio e reflexão. Não
são os católicos tradicionais que estão rachando os alicerces da Igreja, mas
sim, está nova estrutura que muitos católicos abraçaram, de uma Igreja
moderna e dinâmica, que mistura uma salada de coisas que o mundo oferece, e até espiritismo
e esoterismo, com as
coisas Santas de Deus. È realmente uma lástima, que em muitas paróquias, para
atrair os fieis, estejam se afastando mais e mais do Deus Santo, e se unindo as coisas do
mundo, conforme o senhor já disse em tantos artigos do seu site. As vezes fico
imaginando o quanto você irmão, não deva receber vários e-mails ofensivos,
por causa dos seus sites e artigos, pois eu apenas de comentar este fato para
alguns colegas fui muito criticado. Disseram-me que se eu comentasse este
infeliz acontecimento na Catedral do Rio, eu estaria escandalizando aos meus
irmãos, mas sinceramente penso, que escândalo é o que muitos católicos
estão fazendo em certas paróquias, obrigando-nos ao costume de tanto
barulho e algazarra dentro da Casa de Deus. Vamos refletir sobre isto irmãos,
transbordemos de alegria e louvemos ao Deus Vivo, mas sem exageros.
Peço desculpas aos irmãos católicos, mas eu tinha que desabafar sobre este
fato ao qual não aprovo.
Um grande abraço, Paz e bem.
Ronaldo Sampaio, Niterói RJ
www.portalanjo.com
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