O mais reputado teólogo dentre os adversários de Vassula pensou ter
encontrado nela a antiga heresia chamada "patripassianismo" de Noet,
Epigone, Cleomene e Praxas, para quem foi o próprio Pai encarnado que
sofreu a Paixão; porque para eles, Ele seria uma só pessoa, e não a
Trindade.
No manuscrito original, do qual a edição omitiu as referências para
dificultar o controle das acusações, o autor apresenta quatro
referências ao texto original em Inglês de acordo com a primeira edição.
NB10:18+ (neste texto datilográfico, o adversário de Vassula sempre
cita a primeira edição em Inglês: a reprodução em offset do manuscrito -
não o segundo, nem o tipografado); NB18:10+; NB54:29+;
NB48:38+.
1. Em 07/04/1987, não é o Pai quem está falando, o que é, além do mais,
muito raro em Vassula. É Jesus, como ela e seus leitores sempre o
reconheceram e como o contexto indica. NB10:18
O que levou o leitor à confusão é que às vezes Vassula chama Jesus de
"Pai", de acordo com o título dado ao Rei Messias por Isaías 9:10. E se
ele é nosso irmão como homem, ele é Pai como Deus; Autor de sua própria
existência. Por isto, ele chama seus discípulos. 'Minhas pequenas
crianças' (João 13:33). Vassula viu este relacionamento filial como
sendo ao mesmo tempo fraternal e nupcial. Estas diversas facetas são
muito bem expressadas por esta mulher casada, que não confunde o plano
humano com o místico. Felizmente, porque se ela está habituada à
linguagem do Cântico dos Cânticos: "Não o deixe beijar-te com os beijos
de
sua boca" (Cânt 1:3), ou mesmo à de certos místicos, celebrando seu
casamento com Jesus, ele receberia terrível avalanche de críticas. Pelo
simples fato de usar o verbo 'sentir' para expressar o amor que ela tem
por Cristo ou que Cristo tem por nós, é acusada de sentimentalismo e
erotismo em insinuações sexuais. Entretanto, Vassula não é ambígua. Se
Jesus a beija, o faz em sua testa, como um pai. Tudo é como deveria ser,
no reino da opinião como no reino da teologia. O Cristianismo nunca
dotou de culpa, nem o coração, nem sentimentos.
2. Na segunda passagem incriminatória:
Em 08/11/1987, o interlocutor divino diz: "Minha Cruz está sobre
você, suporte-a com amor; Minha Cruz é a porta à verdadeira vida,
abrace-a com vontade. Abnegação e sofrimento levam a um caminho
divino." NB 18:10
É Jesus quem fala, e claramente, como o diz no primeiro Eu: "Eu ,
(Moi) teu Jesus."
Então, por que atribuí-lo ao Pai, por que golpear Vassula com a flecha
envenenada do Patripassianismo?
3. Na terceira passagem incriminatória é Jesus quem fala de sua
cruz e o contexto é muito claro. É Jesus sozinho quem fala naquele dia
em particular, várias páginas de extensão. NB54:15+
O que permitiu ao inquisidor achar a heresia que procurava, está nas
linhas anteriores, onde Jesus repete Jo 12:23-25, ele relembra o momento
em que anunciou a iminente chegada de sua "hora"(Jo 12:23) e onde
a voz do Pai o tinha glorificado (12:24-25). Mas é Ele quem provoca da
passagem a voz do Pai, e não o Pai quem fala em todas as páginas.
4. O acusador acreditava ter achado atribuição errônea da Paixão ao Pai
em uma quarta passagem. De fato, nesta passagem, Vassula ouve
sucessivamente a voz do Pai; que diz: "Minha criança" e
então a do Filho: "penetrai minhas chagas, coma do meu Corpo e beba
do meu Sangue..." NB 48:38
Aspas, asteriscos e uma nota manuscrita ao pé da página indicam mudança
de interlocutor:
"Agora é o Filho quem fala" diz a nota.
O teólogo, que lê muito rapidamente, atribui ao Pai o que o Filho diz.
Ele tem, sem duvidar da desculpa de trabalhar sobre o texto manuscrito,
se preocupado com a exatidão. Mas após isto, teria que ter dado atenção
aos menores detalhes a fim de não distorcer o texto.