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1� pag. da caracteriza�ao

Do ponto de vista social e cultural, o Bairro Alto, possui uma longa e conhecida tradi�ao boemia que atrai novos visitantes, residentes e prprietarios seduzidos pela fama do Bairro Alto como lugar de moda, de voca�ao ludica, cultural e urbana. No entanto, o grande perigo que o Bairro atravessa, motivado pela sua centralidade, sera a perda progressiva da sua popula�ao heterogenea, base essencial da sua identidade e dinamica social.

Poder-se-a dizer que o Bairro Alto tem diariamente 3 fases vitais nas quais existe como que uma mudan�a sucessiva de gentes e de tipos de vida:
Durante a manha vive-se o bulicio das cargas e descargas, de forma a abastecer-se o comercio existente, e a ida para os empregos. As mulheres eos idosos dirigem-se as pequenas lojas e mercearias de bairro( em forte decrescimo), onde se pratica um comercio tradicional, em que os comerciantes assumem um papel de interlocutores no que respeita a assuntos referentes a vida de comunidade do Bairro;

Ao inicio da tarde ha a entrada da popula�ao exterior, constituida por empregados da Baixa que pretendem almo�ar, ou por alguns turistas. Os residentes mais idosos jogam as cartas nos degraus das portas de entrada, nas tabernas ou ainda no Clube do Rio de Janeiro;
 
  A noite ha como que uma substitui�ao de gentes- os turistas e os lisboetas ocupam os restaurantese as casas de fado mais caros. Avan�a a noite e e elevadissimo o numero de casas nocturnas, de bares e "pubs" que vao abrindo.

Segundo um inquerito efectuado pela C.M.Lisboa, acerca da conserva�ao dos edificios do Bairro Alto, em 780 edificios analizados (cerca de 3100 fogos) apenas 10 a 15 % apresentavam um estado de conserva�ao razoavel, enquanto cerca de 20% correspondiam a edificios em pessimo estado de conserva�ao, presisando urgentemente de repara�oes bem profundas, havendo muitos edificios que
necessitavam de reconstru�ao ou substitui�ao total.

As causas detectadas foram multiplas, desde anomalias resultantes da constru�ao dos edificios ate ao envelhecimento natural ou acelerado dos materiais, devido a falta de manuten�ao ou mesmo devido as altera�oes volumetricas. A falta de manuten�ao dos edificios, ao longo de dezenas de anos, levou a problemasd de infiltra�oes de agua com a deteriora�ao de rebocos, revestimentos e pavimentos ( principalmente os de madeira), a situa�ao de risco nas instala�oes electricas e a inadequa�ao das redes de esgotos.

  Nos anos 60-70, o Bairro Alto era ja considerado uma zona congestionada, registando-se ai uma elevada ocupa�ao humana, o que se tem agravado nos dias de hoje, com as dificuldades acrescidas de circula�ao e estacionamento.

Com um tecido urbano denso, os quarteiroes-tipo apresentam-se sub-divididos numa apertada malha de lotes, desaparecendo quase todos os logradouros, para dar lugar a novas constru�oes horizontais ( tais como casas de banho, cozinhas, marquises ou mesmo armazens de apoio as actividades comerciais) e verticais (constru�ao de novos pisos o que permite o aumento do numero de fogos ). Devido ao exagero destes acrescentos, a maioria dos edificios, no 1� andar, nao tem ilumina�ao e ventila�ao na fachada tardoz, o que tem como consequencia imediata a diminui�ao das condi�oes de seguran�a nos edificios.

  Existem alguns problemas de seguran�a estrutural, como a dificuldade de acesso de viaturas de bombeiros, em caso de incendio ( devido a reduzida largura das ruas ou a sua ocupa�ao com viaturas estacionadas), dificuldade na circula�ao de peoes e de viaturas. Da inventaria�ao dos problemas existentes no Bairro Alto, sobressaem ainda os da higiene, que se podem ver atraves do mau estado de conserva�ao das coberturas associados as infiltra�oes e deficiente ventila�ao e secagem o que cria fungos e bolores prejudiciais a saude, mas instala�oes sanitarias ou mesmo a sua ausencia, bem como a propaga�ao de roedores, insectos e parasitas.
Tal como torna dificil e lenta a actua�ao do gabinete tecnico do Bairro Alto.

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