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Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version By Luh Moon |
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Capítulo 02 - O doce sabor do amor
Aquele silêncio já estava incomodando-a demais. Durante o caminho ele só abrira a boca para bocejar, uma sem conta de vezes. Ela devia ter dado uma série de suspiros enfastiados também, mas tinha a impressão que ele sequer percebera isso. Finalmente estavam no hotel, há alguns metros apenas do quarto. Os poucos segundos que ele levou para abrir a porta, pareceram uma eternidade. Ela suspirou mais uma vez, longa e pesadamente... Desta vez ele ouviu-a e olhou-a seriamente. - O que foi? – perguntou ao vê-la torcer os lábios entrando no quarto. - Nada... – largou a bolsa sobre a mesa e jogou-se na poltrona. - Juliette... Está mentindo... Ela virou o rosto e olhou na direção do balcão onde havia um pequeno pote de vidro, cheia de balas sortidas. - Não estou... Sério! – apanhou uma bala. - Tem alguma bala de mel aí? – esticando o braço para apanhar o vidro que ela alcançava para ele. Suspirou longamente. – Não vai dizer o que houve? - Aconteceu de novo... – olhando-o seriamente enquanto levava a bala à boca. - O que? – remexendo no vidro. - Estamos tão exaustos por causa do evento que mal temos vontade de conversar... - Ah... – ele olhou-a seriamente. -Isso... – colocou uma bala na boca, largou o vidro sobre a mesinha e foi sentar-se ao lado dela. - Você não fica pensando... – olhando as próprias unhas. - O tempo todo... – olhando-a. - Não How... Pensando se vale mesmo a pena... Se tudo isso compensa? – percebeu quando ele franziu a testa. - É claro que vale a pena... Obviamente... – calou-se. Estava realmente cansado demais. Ficava chateado por ter a namorada ali e não ter animo algum para trocar sequer algumas palavras. Não que não gostasse de conversar com ela, muito pelo contrario. Apenas estava tão esgotado, que até mesmo o esforço para articular as palavras parecia excessivo. E agora isso... Ela parecia insatisfeita e isso o incomodava. - Isso já perdeu a graça... –levantando-se e indo para o quarto. - O quê? –apenas voltando-se na poltrona. - Nós dois... - Do quê você está falando?– franzindo a testa e ajoelhando-se na poltrona para olhá-la melhor. - De tudo Howie! Estou cansada de tudo isso... Estar com você é ótimo, mas... Não tem mais graça... – sentou-se na cama. - O que não tem mais graça? Eu? – ouviu um suspiro. - Nós... Nossa relação... - mais um longo suspiro. Faltavam uns poucos dias para que Juliette e Howie completassem um ano juntos. Eram realmente perfeitos juntos e pareciam felizes. Todos costumavam dizer que formavam um lindo casal... Os meninos brincavam dizendo que morriam de inveja dele. Mas com o aumento de trabalho para eles, ela começara a sentir-se cada vez mais deslocada. Secretária de um produtor em Hollywood ausentava-se frequentemente do trabalho para estar com o namorado e ultimamente isso começara a lhe causar problemas também. - Por quê? Quando isso aconteceu? – surpreso. - Está acontecendo... – ela sorriu, jogando-se de costas na cama. -Você não vê? - Do que você está falando afinal? - ele levantou-se e caminhou lentamente até ela. - Não temos mais ânimo sequer para falar sobre o tempo... – ela suspirou. Olhou-o atentamente sentando-se na cama e apoiando os cotovelos nas pernas. – Sabe há quanto tempo não ficamos juntos? - Hein? – ele franziu a testa. - Julie! - Eu estou falando sério How... – ela jogou-se novamente na cama. - Você por acaso sabe há quanto tempo não ficamos juntos? – ela o viu fita-la seriamente. – Ah... Vamos... você sabe do que eu estou falando! - Não sei... Eu... – pensativo. - 21 dias... – suspirou. - O escritório está uma bagunça e James está quase pronto a me despedir... Eu não sei se devemos continuar com isso... - Isso? – ele levantou-se indo sentar ao lado dela. - Está falando de nós? Não posso acreditar nisso... – sacudindo a cabeça. - Pense um pouco Howie... Antes de mim, não havia paparazzi atrás de você... Ninguém ficava especulando coisas sobre sua vida amorosa... Tudo era mais tranqüilo e... Para mim as coisas também não andam perfeitas... - Mas Juliette... Eu quero isso... Pouco importa as fofocas e tudo o mais... Eu amo você... – nervosamente. - Eu sei meu doce! – ela sorriu abraçando-o. - Eu também amo você... O caso é que... – saindo da cama. – Estamos nos esgotando... Talvez estejamos apenas fazendo mal um ao outro... - Não! Você só me faz bem... – angustiado. - Não é tão simples Howie... – ela suspirou. - Veja agora... Eu não posso perder meu emprego. Vou viver de que? Como vou pagar o aluguel do apartamento e minhas contas? - Eu... Eu... – ele não sabia o que dizer. - Você está bem amparado, tem sua vida organizada... Além disso, tem o apoio dos seus amigos e família e... Eu não tenho nada além do meu apartamento e de mim mesma... – sentando-se novamente em uma poltrona. - E quanto a mim? Não significo nada para você? – apontando as mãos para o peito. - Claro que significa... – ela passou a mão no rosto. - Mas... Há um ano atrás você não estava aqui e... – pensou por um momento. – Quem sabe se daqui a um ano estará ainda... Não posso deixar tudo para trás assim... - ele levantou-se e foi ajoelhar-se em frente a ela. - Eu estou entendendo direito? Está terminando comigo? – cenho franzido. - Pode parecer cruel... – ela olhou-o nos olhos. - Mas talvez seja melhor para nós dois... - Como? – ele colocou as mãos sobre as dela. - Como nos separarmos pode ser melhor? Não acredito que esteja falando assim depois de um ano... - Howie... Eu não estou crescendo... Não mudei uma linha da minha vida desde que conheci você... Parei tudo para poder estar com você... Entende? E mesmo assim... Mesmo assim, não está funcionando mais... - Não estou entendendo... – balançando a cabeça. - Olhe pra nós! Exaustos... Tudo o que fazemos quando estamos juntos e posarmos para fotos e irmos a eventos... Não posso mais fazer isso... - O que incomoda você? Diga-me... – com uma nota dolorida na voz. - Tudo! – ela suspirou cansada. -Eu queria ser como as outras meninas e não me incomodar com nada... Mas está me incomodando e eu não posso mais viver assim... - levantando-se novamente. - Eu incomodo você? – confuso. - Não How... Não é você. Mas... Essa rotina e todo o resto... Não agüento mais isso... Minha vida está um caos... E mal consigo estar com você... Não era isso que eu imaginava pra mim... - Juliette! Se quer trabalhar... Não precisa vir sempre que eu viajar... Mas... - Oh! Se eu fizesse isso, quando ficaríamos juntos? Ele baixou a cabeça e houve um longo momento de silêncio. Ambos estavam cansados e com tudo aquilo, pareciam ter uma tonelada sobre a fonte. Juliette não queria se separar dele, mas sua cabeça estava confusa, sua vida estava confusa... E tudo aquilo começara junto com seu relacionamento. Já era hora de fazer alguma coisa, por mais doloroso que fosse. Não podia mais prosseguir naquele redemoinho que estava levando-a cada vez mais para baixo. Parecia poder prever seu futuro: uma neurótica depressiva que vive sob o efeito de tranqüilizantes. Não! Não queria viver daquele modo! Não podia! - Eu não sei mais o que dizer... – olhando o chão. - Não precisa dizer nada... Não há o que dizer... Não tem jeito How... Chegamos num ponto complicado... Não nos restam opções... Eu... Eu sinto muito! - Sente muito?? O que é isso? Atendimento de aeroporto? ‘Perdemos suas malas senhor. Sentimos muito’? – ele viu-a sacudir a cabeça. - O que quer que eu diga? Não posso mais fazer isso... Simplesmente não dá... - Então é assim? Fica difícil e você desiste? - Está muito difícil e há muito tempo... Difícil pra mim... Entende isso? – ela suspirou pesadamente. - Não... Não consigo entender... –sacudindo a cabeça. - Vou tentar ser o mais clara possível, meu doce... –olhando-o nos olhos e segurando as mãos dele. – Estar com você é a melhor parte nisso tudo... A melhor parte em não viver mais a minha vida, em estar prestes a perder meu emprego, a melhor parte em ter me afastado da minha família e amigos, por que todo o meu tempo livre é unicamente seu... – ele ouvia-a atentamente. – Mas quando a melhor parte dessa confusão toda começa a não fazer mais sentido, tudo parece doloroso demais e inútil... Entende? - Está me culpando por isso? Está dizendo que por minha causa sua vida está fora de controle? - Howie! – ela parecia irritar-se. - Não estou culpando você por nada... O caso é que... – respirou fundo. – Essa relação está... Está me sufocando... - O quê? – ele arregalou os olhos e levantou-se irritado. - Agora você está sufocada? O que mais quer de mim? Ligo pra você a cada dois dias... Sempre que está aqui estou sempre do seu lado... O que mais quer de mim? – alterado e gesticulando bastante. - Por Deus! Não se irrite desta maneira... Estou tentando ser franca e direta... Para que continuar insistindo em algo que não dará em nada? Veja como estamos... Cansados... Por que insistir em sermos cegos? - Não estou sendo cego... É você que está vendo tudo com lentes de aumento... Ela suspirou. Quedou-se sentada sem animo algum. Ele passou a mão pelo rosto. Aquilo não podia estar acontecendo. Sequer entendia o que estava acontecendo ali. Entendia que estavam cansados, mas não via nisso motivo para um rompimento. Gostava mesmo de Juliette, da companhia dela e de como se sentia sempre que estava com ela. Pensar em separar-se dela era doloroso e triste. E não via motivos para aquilo tudo, entendia que ela estivesse pressionada e enfastiada, mas daí a romper com ele, pensava que era um enorme exagero. - Julie... Eu amo você! - Howie... Não se vive de amor! – olhando-o seriamente. - Não sei mais o que fazer... - sacudiu a cabeça e sentou-se próximo dela parecendo desolado. - Não sei mais como lhe explicar isso... – suspirou. - Por favor... Tente! - ajoelhou-se em frente a ela que olhou ao redor sem mover a cabeça. - É o seguinte Sweet: estou passando pouco tempo no trabalho e isso está complicando a minha vida, também estou passando muito pouco tempo com você e todo o tempo que estamos juntos está ficando cada vez pior. Ou estamos muito cansados, ou estamos cheios de compromissos, ou as duas coisas... Acha realmente que estamos felizes assim? - Eu estou feliz... – baixando a cabeça. - Você está feliz? – ela suspirou. - Feliz em me ver estressada e cheia de problemas? Feliz em me ver andar de um lado para o outro atrás de você e com um sorriso artificial no rosto? Está realmente feliz vendo que eu não estou feliz? – apertando os olhos. - Você não está feliz??? – ele levantou-se rapidamente. - Quando isso aconteceu? Por não me falou? Podíamos dar um jeito... Ainda podemos... – andando pelo quarto. - Quando?? Howie está acontecendo, o tempo todo... Falar com você? Como? Você está sempre ocupado, tem coisas importantes para fazer... Quer dar um jeito nisso? Quando? No meio dos shows, em uma coletiva ou durante alguma sessão de fotos... – levantou-se. – Não! Quem sabe você queira resolver isso numa das festas que freqüentamos por obrigação, não é uma boa idéia??? – gritando. - O que quer que eu faça?? Por favor... – a viu voltar-se. - Howie! Você está surdo?? O que quer fazer? O que você pode mudar?- gritando enquanto ele sacudia os braços. - Alguma coisa... Diga o que eu posso fazer e eu farei... - Eu digo o tempo todo... – suspirou. - Mas sempre há alguma coisa entre nós e... – mais um suspiro. – Eu estou cansada Howie, eu sinto muito... – sentando-se novamente. - Então é isso? Vai acabar aqui? Assim? – sério. - Eu não sei... – ela levantou-se devagar e olhou-o nos olhos. - Realmente eu não sei... Imagina algum modo de ao menos melhorarmos isso?? -Nós nos amamos... Deve haver algum modo... - olhando-a ternamente. - Não sei... Não consigo imaginar um modo de... – quase chorando. - Oh Julie... Eu amo você! - Eu também amo você! - Temos um bom motivo para continuar tentando, não acha?- ele aproximou-se, beijando-a suavemente. Mas seus olhos pousaram sobre o relógio na parede. - Oh! Meu Deus! – afastando-se dela rapidamente. - O que foi? O que houve? - A entrevista! – ele apanhou o casaco vestindo-o. - Esqueci da entrevista... Preciso ir.. Conversamos depois... – indo na direção da porta. - Howard Dwaine Dorough! – gritou. – Se sair agora... - Mas Julie... – – ele voltou-se sem saber como agir. - É disso que eu estou falando! Vê? Parece que não ouviu uma palavra do que eu disse... – os olhos dela se enchiam de lágrimas. - Mas eu preciso ir e... – balbuciou, apontado a porta. - Oh! – ela resmungou. - É claro! É bem possível que se você atrasar alguns minutos a terceira guerra mundial seja deflagrada. – irritada – Acorda Howie! O mundo não gira em torno de você e dos Backstreet Boys! - Hei! Acalme-se! Precisa mesmo reagir assim? - Estávamos tentando conversar aqui, ou não? – franzindo a testa. – Estamos no meio de uma crise... - Mas... Meu amor, agora eu não posso... - Ok! – ela suspirou. - Você venceu! – erguendo os braços. – Vá para a sua entrevista... Eu vou embora! - O quê? – ele parou e encarou-a. - Eu vou embora! – lentamente. – Entendeu? Vou sair do seu quarto em primeiro lugar... Vou ficar no meu quarto, quieta, sozinha... Amanhã eu vou embora... De volta para minha casa em Hollywood... Adios! – caminhou decididamente até a porta. - Julie... Julie... – mas apenas a viu sair. Ele ficou parado por um momento, tentando entender o que havia acabado de acontecer ali. Sua cabeça estava rodando. Tinha tido um dia cansativo e longo, mas em compensação estivera com sua garota o tempo todo e... De um minuto para outro tudo tomara outro rumo. Tudo ficara intenso e confuso. Precisava pensar e... A entrevista! Não tinha tempo para pensar naquilo... Pensaria nisso mais tarde.. Juliette o amava, não iria simplesmente ir embora. Saiu a caminho da sua entrevista. Como ele podia ser tão cego e insensível? Será que era tão difícil ver que ela não estava feliz? Que ela não estava confortável naquela situação? Entrou no elevador com uma imensa vontade de chorar... As outras meninas deviam estar com seus namorados, ou dormindo... Descansando... Como elas conseguiam suportar tanta pressão? Como elas agüentavam tudo aquilo? Sacudiu a cabeça. Ela devia ser uma idiota... Devia voltar até lá e pedir desculpas... Mas ele não estava mais lá... Tinha ido até aquela entrevista. Quando o elevador parou em seu andar, ela saiu caminhando desanimadamente. Tinha a cabeça baixa e os braços languidamente soltos ao longo do corpo. Na verdade, sentia-se como uma boneca de pano. Mole e vazia... Sentiu algumas lágrimas escorrendo. Mas por que estava chorando? Se ele não entendia como ela estava sentindo-se o que mais poderia fazer? Nada! Tudo o que restava era voltar para casa e reorganizar sua vida... Sabia desde o começo que não seria fácil namorar um cantor famoso, cercado de atenção e mídia. Mas jamais imaginara que seria daquele jeito. Tudo estava tão enfadonho e cansativo. O próprio Howie parecia sempre tão abatido. Só o vi disposto e feliz quando estava com os outros. No restante do tempo ele parecia distante. Entrou em seu quarto e jogou-se sobre a cama. - Droga! Droga! Droga! – soqueou o travesseiro violentamente. Mas tinha um grande problema em tudo aquilo... Ela o amava! Por mais que tudo parecesse uma loucura sem fim ela o amava. Mesmo que não passassem mais que alguns minutos tranqüilos e felizes. Enterrou a cabeça no colchão. Não queria pensar naquilo. Não podia pensar naquilo agora... Sua vida estava em ruínas... Ergueu a cabeça e enxugou o rosto, irritada. Ele não entendia! Tudo o que ela queria era uma palavra de compreensão, um minuto da atenção dele e... Sempre havia uma reunião, entrevista ou qualquer outro compromisso. Horas esperando, incontáveis momentos de solidão... Não queria mais aquilo. Era por isso que deixar sua vida virar de pernas para o ar? De que adiantava arriscar seu futuro, seu emprego... De que adiantava apostar tudo naquilo? Levantou-se da cama e caminhou apressadamente até o outro cômodo. Abriu a geladeira pequena que havia no canto e tirou de lá uma grande barra de chocolate. Sentou-se no chão desembrulhando o doce e se pôs a comê-lo furiosamente. Enquanto mastigava aquela massa açucarada, as lágrimas escorriam dos seus olhos. Nem mesmo aquilo lhe parecia doce agora...
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