| Romantismo | |||||||||||||||
![]() |
|||||||||||||||
![]() |
|||||||||||||||
| William Turner, "The evening at Deluge" | |||||||||||||||
| Henry Fuseli, "Nightmare" | |||||||||||||||
| O Romantismo, corrente art�stica que teve o seu apogeu entre 1820 e 1850, representa a primeira rotura na tradi��o cl�ssica e tamb�m uma contesta��o cr�tica ao presente. Contra as regras estabelecidas, assume a defesa da liberdade e da individualidade pela apologia dos sentimentos. As primeiras manifesta��es encontram-se j� no Pr�-Romantismo, no final do s�culo XVIII, apresentando novas tem�ticas, revelando uma paleta mais forte e um tratamento da luz mais vibrante. O Romatismo, para al�m da sua exist�ncia como movimento art�stico, apresenta-se sobretudo como movimento cultural e ideal da vida, colocando os ideais e os sentimentos acima da raz�o. Tem express�o como corrente art�stica por toda a Europa, com especificidades que distinguem os v�rios enquadramentos hist�ricos e vivenciais, com destaque para o Romantismo franc�s, alem�o e ingl�s. O drama individual e a po�tica dos sentimentos prefiguram uma arte rom�ntica de grande intensidade existencial, em que a vida e a morte coabitam sem conflito e onde a pr�pria natureza � dotada de sentimentos, como fica expresso no percusso do alem�o Caspar David Friedrich, pintor de intensa subjectividade: �O pintor n�o dev pintar apenas o que v� exteriormente, mas o que descobre em si pr�prio. E se em si mesmo n�o encontra nada, mais vale deixar de pintar o que v� � sua frente. De contr�rio, os seus quadros ser�o como esses biombos atr�s dos quais apenas se espera encontrar doentes, ou talvez defuntos.� Os pintores rom�nticos criam universos imagin�rios, onde o fant�stico, o ex�tico e o sonho s�o tidos como realidades poss�veis, em oposi��o � exist�ncia quotidiana, mon�tona e repetitiva. O acto da cria��o � sobrevalorizado, em detrimento da obra de arte tecnicamente perfeita. A divulga��o de temas inspirados em civiliza��es ex�ticas (Marrocos, por exemplo) e em culturas ent�o consideradas oficialmente marginais (como negros e ciganos), a representa��o de animais selvagens e temas orientalizantes, constituem tamb�m uma das dimens�es do fant�stico expressa por pintores como os franceses G�ricault e Delacroix, o espanhol Goya, o su��o F�seli e o ingl�s Wiliam Blake. O imagin�rio, o pat�tico e o sublime combinam-se no ide�rio rom�ntico. A natureza � ref�gio e fonte de inspira��o para o artista rom�ntico, mas n�o � a natureza entendida de um modo cl�ssico. Ela representa e reflecte os estados de esp�ritos do indiv�duo. Para o rom�ntico, a natureza � dotada de sentimentos. Os ingleses Turner e Constable exploraram esta via comk resultados inovadores na �rea pl�stica, tanto no que diz respeito � representa��o como � t�cnica. Turner explora de tal modo o dramatismo da natureza, a intensidade e o movimento da luz, que chega a certas propostas abstractizantes que s�o pioneiras desta via na futura modernidade. As paisagens mar�timas s�o geralmente agitadas e filtradas por uma neblina que procura dar a intensidade da vibra��o e suscitar sentimentos. Por sua vez, os cen�rios campestres s�o temas centrais ou servem de enquadramento a figuras e a constru��es. Muitas vezes, ru�na e natureza combinam-se num ambiente nost�lgico, em que o individualismo e a intui��o da vida subjectiva prevalecem. Esta apet�ncia pela tomada da natureza n�o como modelo, mas como pretexto para a cria��o, tornando-a reflexo da pr�pria identidade espiritual do artista, n�o ce cingiu apenas �s artes pl�sticas, tendo ali�s encontrado na literatura (em particular na poesia) uma express�o fort�ssima, como � o caso do portugu�s Bocage, que traduziu muito bem o esp�rito rom�ntico da seguinte forma: O c�u, de opacas sombras abafado, Tornando mais medonha a noite feia, Mugindo sobre as rochas, que salteia, O mar, em crespos montes levantados; Desfeito em furac�es o vento irado, Pelos ares zunindo a solta areia; O p�ssaro nocturno, que vozeia No agoireiro cipreste al�m pousado; Fomam um quadro terr�vel, mas aceito, Mas grato aos olhos meus, grato � fereza Do ci�me e saudade a que ando afeito. Quer no horror igualar-me a natureza; Por�m cansa-se em v�o, que no meu peito H� mais escuridade, h� mais tristeza. |
|||||||||||||||
| Quest�es | |||||||||||||||
| HOME | |||||||||||||||