Prosa Po�tica
Quero a eternidade numa sombra e um vestido vermelho de imortalidade, uma outra luz que me deseje e mais uma vez o frio sobre a pele. Quero um mar nocturno e uma Lua de Inverno, uma praia s� para mim onde emirjam das �guas algas vermelhas que me cubram o corpo como rubis. Quero um arrepio na espinha e uma m�o de fogo que n�o me consuma a dor, e mergulhar no infinito e trazer de l� b�zios que me contem hist�rias. Quero saber os segredos do c�u e roubar uma estrela para guardar no peito, e uma brisa mditerr�nea para partilhar contigo enquanto adormeces ao amanhecer. E quero estar ao teu lado quando o mar se tornar vermelho e o teu toque me provocar um arrepio na espinha...
Negro

Venho aqui arrastando a sombra do meu pr�prio ser, muito certa do seu peso que me verga a vontade. J� n�o sou propriamente um corpo, sou apenas opacidade conclusiva, fuga e resto, um breve eco de um mau pretexto para existir. nada tenho em mim que palpite, tudo pulsa apenas escurid�o e negro, abismo e vazio... Em tudo me perco, de todos os montes caio, sou um fantasma preso dentro de mim mesma, gritando para rasgar a pele e morrer muitas vezes at� ser suficiente. Sou preto. Tenho em mim tanto negro como nunca julguei ser poss�vel, e agora tenho-o todo a subir-me na garganta para que n�o me esque�a que me esqueci da minha pr�pria regra, quando deixei o
Medo entrar. E o medo corr�i-me as entranhas, as da alma essencialmente, at� ao cume da solid�o, fazendo-me para sempre acreditar que sou t�o zero como a impossibilidade de sorrir quando me olho ao espelho.
Elipse

Hoje abri novamente a caixinha. caixinha, relic�rio de segredos, mas segredos de ningu�m, palavras j� n�o minhas. Tudo o que encontro s�o ainda as pedras, pedrinhas, cujo brilho desvaneceu e que pouco me contam j� sobre os ligares que visitaram. S�o palavras perdidas e praias que n�o conheci, oceanos de tristeza que se afundaram no esquecimento. Mas para qu� relembrar a noite, se est� j� distante o frio, e apenas resta numa almofada adormecida o cheiro do meu sonho? Hoje reabri a minha caixinha e eram as mesmas folhas delicadas como a minha pele de ritmos ensurdecedores, a arder de paix�o por ti. J� n�o s�o os meus ecos nem as minhas mar�s, apenas o cheiro a maresia do meu mundo azul de profundo sil�ncio. Era eu que estava fechada e afinal � a ti que liberto. Voas junto a mim. No c�u, um rio de estrelas, e o teu corpo a brilhar sobre o meu...
A Noite do �mega

Esta noite, a noite mais escura da alma, de ru�dos tumultuosos, vozes ensurdecedoras que n�o se calvam dentro de mim. Julguei ir ver o fim da noite antes de adormecer, pensei que nem o cansa�o conseguiria vencer a ang�stia. O que eu desejei foi um sil�ncio imenso. Paz de esp�rito. Mas nem quando os olhos se fecham as vozes deixam de me atormentar.  Eu e o meu amor dentro de �gua. N�o consigo nadar, os bra�os pesam-me toneladas. Arrasto-me como se o meu corpo fosse mais pesado que a Terra, sufoco para tirar um bra�o fora de �gua. At� que desisto de tentar. Mergulho num azul profundo que � sil�ncio total, paz total, nada total. � um vazio azul que n�o me d�i, a �gua fria no meu corpo quente... E eu bem no fundo sem desejar regressar � superf�cie. Respiro como se aquele fosse o meu lugar. Ponho todo o meu mundo � prova deixando-me estar mais um momento. E acordo antes de saber se o meu amor me teria resgatado do vazio. A anestesia � uma esp�cie de morte... mas n�o resolve as dores da alma.

Mas agora faz-se tarde e n�o houve mais noites de luar, nem sombras a real�ar a luz. Apenas um vermelho muito fundo a gritar estridente ao meu ouvido a eventualidade a queda.
A Noite I

Foi uma noite de luar m�rbido. O luar que ontem me fez querer vomitar. Hoje ainda mais amargo e nauseabundo, revolveu-me �cidos no est�mago, e quis vomitar o cora��o. Tingir o rio de vermelho, deixar o c�u sempre preto. N�o tenho dedos. Tenho mem�rias. Uma vertigem milesimal na expectativa do toque que hesitava. Noite sem luar, cheia de brilhos opacos. Cortavam-me facas a pele por dentro do peito, relembrando agonias do vazio, mas duas m�os preenchiam-me o tempo e o espa�o � volta do corpo. E quando todo o c�u se poderia ter apagado, mergulhei num oceano de azul, dois olhos que me pediam que voltasse.

S�o conversas comigo pr�pria a partir de um mote alheio. Da tens�o nas veias que eu queria para mim. Queria esse torpor do �xtase por baixo da pele, como se o mundo finalmente me desse resposta.
A Noite II

Um monstro habita-me, cor de cinza, as paredes do peito. A noite mais escura da minha alma torna o c�u vol�til e fugidio. O negro dentro de mim est� demasiado distante de qualquer luar. Apenas quando mergulho. Quando abafo um transe, de olhos fingidamente abertos.

E os mesmo passos de um travo amargo como a acidez do �ltimo Inverno latejam como se me abrissem feridas no peito. Mem�rias de frio. Um mesmo rio e um mesmo luar, mas a aus�ncia n�o a reconheci. As pedras da cal�ada n�o me disseram o teu nome.

Eu tamb�m conhe�o o abandono. O seu cheiro e o seu tacto estonteantes Percorrendo-me a espinha at� � boca, incitando a vertigem. Abandono numa selva escura, mas os olhos como vulc�es, e eu encolhi-me ent�o pela primeira vez, serpenteando... Uma escurid�o cheia de luminosidade azul. Vi-te assim. Curei-me assim. Curei-me morrendo.

Numa constante espera do redespertar.
A Noite III

H� um c�u escuro dentro de mim, e expande-se at� �s paredes h�midas do meu corpo. Olho a Lua de fogo, gritante, e sinto a urg�ncia de um v�mito. O dia n�o me diz nada, mas a noite transporta-me aos labirintos a mem�ria. A noite mais escura da alma. Vozes, ou�o vozes que j� n�o existem. Espero uma outra que tarda. Todo o c�u parece um gigante candeeiro, a luz apagada antes de me ter encolhido debaixo dos cobertores, e eu tenho um medo aterrador do sil�ncio infinito do preto. Porque n�o vens embalar-me o adormecer, trazer-me o azul ao pesadelo? Caminho s� � espera de te encontrar. Para que me leves a casa, talvez onde a noite me engole.
A Noite IV

H� uma transpar�ncia que me atravssa, um frio que me ncontra sentada numa poltrona. st�o as luzs apagadas e eu n�o me movo porque tenho medo de caminhar at� ao corredor. As sombras apanhar-me-�o aqui como me apanhar�o l�, de qualquer das formas. Instantes de mem�ria que me perfuram. Espremem-me o peito, contorcendo-o. Se me levantar, caio, se me levantar, caio... Procuro os dedos que em tocam subtilmente as costas. Procuro fechar os olhos no seu calor. Sonhar com uma lua azul...
A Morte

A escurid�o nada mais traz do que escurid�o. A solid�o nada mais traz do que solid�o. O vzio ser� sempre, e eternamente, apenas vazio. Secura. Quil�metros e quil�metros de desertos secos. Secos. Almas velhas e podres a sonhar com o mundo. Que n�o volta, que n�o volta... O amor � areia que se escapa por entre os dedos. E eu sou o corpo estendido na praia, levado pela mar�. Sangue na boca. Cheia de �dio e arrependimentos.
Todos os poemas e contos s�o da minha autoria.
Cita��es e transcir��es est�o devidamente identificadas.
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