Ensaias
com dedos de rubi um gesto decadente
sobre
o piano adormecido
a
sala vazia
já
se bebeu o champanhe e já se partiram os copos
espera
um instante
volta-te
e
repara como não há ninguém.
Deixas-te
cair sobre um vestido vermelho
e
desenrolas a nudez de nácar pelos contornos das cadeiras
como
se ensaiasses uma dança
pés
de lua descalça
desafiando
o ritmo
desequilíbrio
vertigem
que se aproxima
perante
a ausência dos smokings em seus sapatos de verniz
repara
não
está ninguém para te ouvir.
Pousa
um suspiro sobre o palco
e acende uma nova madrugada de desassossego.