A Nave

 

 

Era uma pequena navezinha sonhadora que vagueava pelo negro da noite sempre noite do céu sem fim à procura de mais estrelas. Uma cúpula finíssima, translúcida, de Universo à sua volta e sempre o desejo de tocar as margens, beber um pouco do silêncio ensurdecedor do espaço... Eram sempre como que risos distantes percorrendo cada fibra de tempo que se desenrolava à volta do firmamento. E o tempo dobrava-se e encolhia-se e esticava-se e a navezinha sempre a perfurar-lhe as entranhas à procura de novos tempos. E ria-se junto ao brilho que lhe vinha de um e de todos os lados, como que cúmplice da eternidade, sentido em cada suspiro do silêncio o pulsar de um grande corpo celestial que a envolvia. Era isso, o ritmo, todos os corações em uníssono. E então fechou os olhos cansada e não quis mais voar. O desconhecido manter-se-ia sempre infinito. Enquanto não se movesse havia sempre a possibilidade de se mover...

 

 

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