| Naturalismo | ||||||||||||||
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| Edouard Manet, "D�jeuner sur l'herbe" | Georges Courbet, "A Origem do Mundo" | |||||||||||||
| Ao longo do s�cilo XIX, a pintura v�-se na necessidade de p�r em causa o real, tal como era considerado pela arte cl�ssica e rom�ntica. A recente descoberta da fotografia, e da sua aplica��o no retrato e na reprodu��o de obras de arte, colocavam a pintura em quest�o, pelo menos a pintura convencional e acad�mica, resultante de regras te�ricas. O ontexto hist�rico dos anos 30 e 40, marcado por conflitos sociais e pelo aparecimento de novas teorias sobre a sociedade, tamb�m se reflectiu no entendimento da arte. T�cnicos como Proudhon afirmavam que a arte devia ter fins sociais e que o artista devia comprometer-se com as grandes causas humanit�rias e denunciar as contradi��es e as injusti�as atrav�s da sua obra. O Naturalismo/Realismo � a nova corrente art�stica surgida em meados do s�culo, que reflecte e veicula esta ideologia. Proclama-se uma arte anti-acad�mica e objectiva, pr�xima da realidade palp�vel do mundo contempor�neo. Enquanto os artistas neocl�ssicos e rom�nticos se fundamentavam no passado e no fant�stico, interpretados a partir de modelos ideiais ou da subjectividade do pintor, os realistas partem do real f�sico e social. Os temas sociais do mundo rural e urbano s�o abordados com grande evidencia e a gravura torna-se um meio privilegiado de divulga��od e cenas e tipos sociais. O artista procura denunciar as realidades cru�is da sociedade e apresentar a natureza tal como ela se manifesta, e n�o como � pensada. Para al�m dos temas da actualidade, plasticamente, a pintura naturalista/realista afasta-se do Academismo, procurando atrav�s do registo directo dar um novo tratamento � luz e uma nova consist�ncia aos volumes. A Escola de Brbizon foi um importante n�cleo de artistas reunidos, procurando inspira��o no seio da natureza e revelando afinidades no campo pl�stico - s�o pintores do retrato e da paisagem, mas todos eles interessados em tornar a pintura mais real e verdadeira, pelo que as suas obras n�o eram constru�das no atelier, mas ditadas pela pr�pria natureza. Desta escola, sobressaem nomes significativos como os de Corot, T. Rousseau, Daumier (que abordava essencialmente temas sociais e tipos humanos), Millet (que interpretava um realismo mais sentimental, em que as figuras e as poses eram retiradas da simplicidade do qiotidiano), e ainda o mais significativo de todos - Courbet; na verdade, Courbet, representa o apogeu da pintura realista/naturalista,e � considerado o seu inventor. Foi um homem de temperamento exuberante e ideias avan�adas, e em grande parte um auto-didacta, que aprendeu com Rembrandt, Van Dyck e Vel�squez. Ali�s, uma das suas obras mais importantes, �O Atelier�, estrutura-se de uma forma muito pr�xima � d' �As Meninas� de Vel�squez, fundamentalmente pela forma como o artista introduz a sua pr�pria figura no quadro, exibindo a cena n�o do seu ponto de vista, mas do ponto de vista do pr�prio espectador... Este quadro magnificente acaba por ser considerado, mais do que um auto-retrato, uma "auto-apoteose" que resumia o seu trabalho de sete anos. Esta corrente que rompia definitivamente com as ra�zes do academismo rom�ntico, parecia triunfar dominar o s�culo, com o seu esp�rito experimental, e uma crescente fus�o entre os contextos das v�rias manifesta��es art�sticas acompanhava o movimento cient�fico e filos�fico positivista de Comte numa procura efusiva da objectividade como necessidade de focar o real e o exibir. �Dado que a ci�ncia pensa doravant encarregar-se do futuro total da humanidade e do seu progresso, exigir� ao mesmo tempo que a arte se submeta aos seus m�todos de observa��o objectiva e agarre a sua ambi��o de resolver o problema social posto pelos progressos mec�nicos�, diz Ren� Huyghe. � todo este programa que se agita no fundo do pensamento dos realistas/naturalistas. O naturalismo, quer como corrente art�stica, quer como corrente liter�ria, propunha-se a sanar os males e os v�cios da sociedade atrav�s da cr�tica fervorosa e da den�ncia. Tudo isto resulta na produ��o de obras como �A Origem do Mundo� de Courbet, o �Almo�o na Relva� de Manet, �O Crime do Padre Mouret� de Emile Zola, �Os Maias�, de E�a de Queiroz,.... |
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