Montanha

 

 

 

 

Do alto da rocha o vento batia-me nos pés e levantava-me os cabelos. Do alto da rocha eu podia ver o mundo e, quieta como se não ousasse um movimento que arriscaria o meu precário equilíbrio, esticava-me para ouvir as vozes das marionetas lá em baixo. A rocha era minha montanha e eu seria certamente a boneca de trapos. Contorcia-me no meu ser, na verdade procurando a Ilha. Vejo acima da bruma, como espuma branquinha e fria das ondas que se enrolam na praia, mas nada vejo além dela. É como se todas as coisas existissem ao mesmo tempo e à mesma velocidade, que se tornava demasiado ensurdecedora para que pudesse agarrá-la. Passado, presente e futuro na minha rocha. Na minha montanha a face da eternidade, sempre um eco de todas as batalhas já vistas e todas as histórias já contadas. Talvez a ilha se tenha afundado, engolida pelo oceano, e a rocha estivesse por um momento distraída. Eu tenho os olhos bem abertos, arregalados, e sinto a vertigem. Está na hora de acordar sobre a casinha de madeira. Mãos desconhecidas agarram-me para brincar...

 

 

 

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