Jazziness

 

 

 

Entrelaço os cabelos com a lua e toco a madrugada na ponta dos dedos

Alcanço um voo vertiginoso em direcção ao azul

Esboço de Inverno.

 

 

 

Encrispa-se-me a pele no frio que escorre pela vidraça

Tenho o teu rosto cravado no olhar

Para além de todas as coisas

Respiro o teu nome

E arrepio-me na ausência de todas as coisas.

 

 

Há um morto que caminha sobre o meu peito

Escava vulcões à flor da pele

 

 

 

Tinge o luar de negro.

 

 

 

Todos os contornos são de prata dentro dos beijos que nunca demos

Recordo mais uma vez o ritmo do teu corpo

O vaivém de montanhas sobre o meu

E é no murmúrio fino e acre da saudade

Que estala o grito surdo da minha nudez.

 

 

 

Tardiamente.

Espero-te ainda, entre vagas de êxtase estilhaçado pelo quarto.

 

 

Desperto os sons nocturnos do abraço em que me deixaste

Procuro esse abraço

Enrosco-me dentro do abraço

 

 

 

E adormeço ao frio.

 

 

Não há noite para além de ti.

Procuro na superfície de todas as coisas um rasgo do teu cheiro

E seguro nas mãos o vestígio de um toque

Seguro-o contra o peito

 

 

 

Tardiamente.

 

 

 

 

 

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