Hora
Vespertina
Entre astros de éter
Abro os dedos e entrelaço as mãos
Construo uma catedral virada para o mar
Onde chamo as ondas que se enrolam pelos cabelos
Das musas que chamo ao noitecer
E escrevem na hora vespertina o teu nome em azul
Seguro entre os lábios um suspiro gélido
Aroma nocturno que exala do teu pescoço
Onde pouso a cabeça e adormeço distraída
Procurando na tua língua a humidade da paixão
E no teu sexo quente o ritmo do êxtase
Regresso nas madrugadas marítimas
Como vaga de algas submersas dentro da pele
E desdobro o meu corpo sobre o horizonte
Onde o silêncio desenha o primeiro crepúsculo
Dentro do teu abraço
Seguro um búzio na mão fechada
E o teu amor na liquidez do meu seio
Tardiamente.