Expressionismo
Edvard Munch, "Karl Johan ao Anoitecer" Henri Matisse, "Harmony in Red"
A Arte do in�cio do s�culo XX marca uma ruptura definitva com o realismo e com as tradi��es academicas oitocentistas, esbo�ando uma tentativa radicalmente nova, uma revis�o total dos valores adquiridos e um esfor�o por assentar a cria��o art�stica sobre princ�pios revolucion�rios que nunca mais cessaram de revelar uma aud�cia crescente, pela rejei��o cada vez mais fervorosa de todas as ideias e formas de express�o do passado cultural. � o reflexo da nova vida moderna, projectada numa nova aventura, a vontade de produzir energias novas e acrescidas, descobrindo sempre mais e mais al�m atrav�s do vis�vel da Natureza - agora a necessidade primordial j� n�o � a de representar a realidade natural, mas a de manifestar a realidade profunda e aut�ntica do Homem, at� � sua raiz. E � no seio de uma profunda inquieta��o socio-cultural que vemos surgir como feras as novas vontades radicais de ren�ncia total, atentando-se numa no��o mais perturbada e confusa do Homem que ostenta um car�cter agressivo contra o racional. A necessidade fundamental � agora a explos�o de emo��es em estado puro, e a express�o dos mais veementes conflitos interiores, caminhando-se cada vez mais paa uma individualiza��o/pessoliza��o do proceso art�stico. � assim que nascem o Fauvismo e o Expressionismo, derrubando violentamente toda a harmonia ligeira da tradi��o cl�ssica.

A
Express�o assume agora muitas formas, mas todas essencialmente ligadas a quest�es de paix�o, tens�o, inquieta��o, conflito, intensidade, ritmo, obsess�o, desassossego, ang�stia... Trata-se, enfim, de manifestar toda a profunda turbul�ncia dos mundos interiores humanos. Por isso � que o realismo descritivo perde aqui import�ncia face ao sentimento, porque se acreditava que a adop��o das formas chamadas "primitivas" e das cores ditas em estado "puro" reflectiam essa vis�o do Homem no seu estado natural - o de indiv�duo, s�, especialmente dentro de si pr�prio. A tarefa � uma verdadeira miss�o de procura do essencial, al�m de todo o o ornamento de superf�cie, tal como afirmava Matisse da seguinte forma:

�O que eu busco acima de tudo � a express�o... [mas] ...a express�o n�o consiste apenas na paix�o espelhada num rosto humano...Todo o arranjo do meu quadro � expressivo.�


Matisse foi talvez o verdadeiro pioneiro entre os fauves e expressionistas, pela sua caracte�istica expressiva de aceitar sem medo os planos lisos de cor, berrante e violenta, em formas t�o sintetizadas que apenas restava o essencial indispens�vel para a representa��o... Mas ele n�o marcou necessariamente nenhum percurso, nem deixou atr�s de si a mem�ria de uma escola. Quanto muito, isso aconteceu mais tarde com uma pequena associa��o de artistas nos grupos Die Br�cke e Der Blaue Reiter, mas de uma forma geral cada artista seguiu o seu pr�prio percurso em busca das experi�ncias expressivas que mais intimamente se relacionavam com as suas pr�prias viv�ncias. Temos o exemplo do simbolismo de Gauguin, que assumiu a necessidade de express�o da espiritualidade essencial humana, na sua forma mais primitiva e natural.
Van Gogh, que se dedicou obsessivamente at� � loucura � afirma��o pessoal de uma esperan�a ardente numa renova��o espiritual, com uma linguagem pictoral muito pr�pria, imbu�da de significados muitos particulares;.
Edvard Munch cria tamb�m uma linguagem pr�rpia muito pr�xima da de Van Gogh, mas apenas a n�vel simb�lico - a sua preocupa��o obsessiva � a da express�o de uma inquieta��o interior, de um profundo desespero de existir, no fundo, o �xtase da condi��o humana. As imagens que cria s�o mem�rias perturbadoras de pesadelos e sofrimentos, sempre ecos de dor e ang�stia, perseguindo sempre o indiv�duo at� � loucura, at� ao mais fundop das sombras...
James Ensor encontra-se algo pr�ximo de Munch, na express�o essencial do macabro na vida humana. As suas imagens s�o de facto m�rbidas, perturbadoras e inuietantes, impregandas de um sarcasmo atroz, como se a sua vis�o da exist�ncia e da vida fosse a de um espectador perante um circo de sombras e fantasmas, observando cad�veres andantes como actores. A vida torna-se ent�o um circo fantasmag�rico de express�o grotesca...
Egon Schiele � talvez o mais "moderno" dos expressionistas, at� porque j� se encontra muito pr�ximo da express�o secessecionista de Klimt, mas n�o podemos deixar de verificar nos seus quadros, essencialmente retratos figurativos carregados de uma for�a expansiva incr�vel. A figura humana � apenas o pretexto para a cria��o de uma linguagem extremamente pessoal de reflex�o sobre a condi��o humana, sempre a condi��o humana, e a exist�ncia essencial do Homem, na sua forma mais b�sica, mais primitiva, mais pura, mais genu�na...

E a men��o destas distintas concep��es da nova express�o apenas servem de mote para uma reflex�o muito pertinente que se faz hoje a n�vel da Hist�ria da Arte: � muito provavelmente o Expressionismo que introduz a possibilidade de cada artista se express�o livre e individualmente, sem constrangimentos de associa��o a qualquer movimento colectivo, pelo que se pode dizer que � a partir desta altura que se d� a crescente valoriza��o da exposi��o do "Eu" em vez da representa��o da realidade natural. E basicamente, este liberdade foi aumentando de volume e aud�cia, at� que conduziu � arte que hoje chamamos "moderna", em que n�o h� qualquer unifica��o de estilos. O mote � apenas "cada um por si", e cada artista preza apenas a express�o individual das suas pr�prias preocupa��es, sem qualquer inten��o de coer�ncia com a restante comunidade art�stica...


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