Abro
os braços ao canto nocturno
Asas
da alabastro
e
bailo nas pontas dos pés sobre o lancil da varanda
Perfuro
o brilho da escuridão
julgo ver dois navios cruzarem-se ao longe
onde
adormecemos, nós, numa mesma praia
Ao
largo
Embrulho
as mãos na amargura e toco os lábios vazios do teu beijo
Encontro
a aridez do deserto nas frestas da pele
como
fracturas no núcleo do abismo
gelo
agredindo a rocha
Não
te encontro mais sob os meus passos
E
mesmo assim caminho
como
se trincasse pétalas de rosa
e
desenho-te dentro do sonho
escrevendo
o teu corpo no firmamento
E
alcanço-te na precipitação da despedida
E
é incontornável que te ame ainda
na
liquidez deste túnel
Onde
percorro os espaços entre o silêncio
num
ritual tardio do despertar.