Não há amores perfeitos, meu amor.
Não
há amores-perfeitos, dizes tu no amargo silêncio.
E
eu encosto o corpo aos contornos das coisas
Procuro
redesenhar o lugar vazio que arrasto ao meu lado.
E
entre os dedos que tremem no auge do inverno
seguro
as pétalas roxas de um beijo que já não demos
Foi
tarde demais.
Agora
já não te dou as mãos,
guarda-las
vazias dentro dos bolsos,
infinitos
como poços engolindo abismos.
Fracturamos
o abraço
deixei
de te esperar ao fim da tarde surgindo ao largo,
sempre
tarde demais.
Hoje
acordo, tarde demais,
fecho
os olhos e viro-me para o lado
enquanto
estilhaço o vaso aos meus pés.
E
entre os fragmentos das flores mutiladas ouço-te,
contradizendo
o silêncio...
Não
há amores perfeitos, meu amor.