Buenos Aires - Rio de Janeiro em duas rodas

Bicicleta: a melhor forma de se conhecer um país

Tudo começou em Mannheim (Alemanha), quando alugamos umas bicicletas verdes, velhas e vagabundas para economizar o do ônibus. Os primeiros percursos foram curtos (40 km) e bastante precários. Da primeira vez que fizemos um passeio mais longo não tinhamos barraca, de noite choveu pra caramba e a solução foi dormir debaixo de uma ponte...

Com o tempo fomos aumentando os percursos, cada vez com mais infra-estrutura (barraca, fogareiro, etc). No entanto, o espírito inicial continua o mesmo: uma bússola e um mapa na mão, o destino final e inúmeras possibilidades de caminhos a serem tomados, cidades a serem visitadas e pausas a serem feitas. Resumindo, a mínima organização possível, bom humor e disposição para o imprevisto.

Estamos destinando esta página para dar prosseguimento com estas bicicletadas, desta vez na América do Sul! E a aventura não vai parar por aqui, o Tancra já tá pensando em fazer um próximo passeio no continente asiático.

Buenos Aires - Rio de Janeiro

Largada! - a saída está planejada para o dia 21.12.97 que é um domingo. Até lá vamos arrumar um hotel/pensão em Buenos Aires para o pessoal ir se reunindo...

Percurso - são aproximadamente 3.000 km para serem cumpridos em (mais ou menos) um mês. Uma boa média de velocidade (passeio) são uns 20 km/h. Contando com as pausas, imprevistos, mau tempo, panes, queda de bagagem (e/ou ciclista), 120 km/dia é uma média bem realista. A nossa experiência diz que que com tempo bom, nenhuma pane e terreno plano dá pra fazer uns até 200 km/dia (mais do que isso acaba prejudicando o rendimento nos dias seguintes).

Trajeto - o trajeto ainda nã foi decidido, as opções são:

  1. Pelo litoral - pegando um barco de Buenos Aires até o Uruguai, seguir em direção à Montevideo e ir beirando e acompanhando o litoral. Parece que no Rio Grande do Sul a areia da praia é tão dura que dá até para ir de bicicleta pela praia! Chegando no norte do litoral paranaense a alternativa seria pegar um barco para atravessar até o litoral paulista e depois seguir sempre pelas estradas paralelas às praias em direção ao Rio de Janeiro!
  2. Pelo Rio Paraná - pegando um barco de Buenos Aires até Colonia del Sacramento (Uruguai), seguir rumo norte até Uruguaiana e atravessar o Rio Uruguai em Passo de los Libres (Argentina). Continuar sentido norte até Posadas (Argentina) e cruzar o Rio Paraná em Encarnación (Paraguai). Acompanhar o Rio Paraná pelo lado paraguaio até Ciudad del Este e reentrar no Brasil por Foz do Iguaçú. Continuar ao longo do Rio Paraná e depois ir ao longo do Rio Grande até o começo da Serra da Canastra. Encontrar uma forma de passar a serra sem ter que pegar uma subida muito brava (sugestão?) e depois descer em direção ao Rio de Janeiro!

Chegada - a chegada está planejada para o final de janeiro, com direito a um belo de um churrasco e aquela cerveja gelada!

Você quer participar também?

  1. Indo com a gente durante todo o percurso.
    Para tal é só entrar em contato conosco. Mais tarde vamos nos organizar um pouco melhor e (quem sabe?) até botar a foto e apresentação do pessoal que vai entrar nesta roubada. O custo da jornada compreende basicamente a passagem de ida até Buenos Aires, gastos com água e comida durante a viagem e (quando for o caso) ocasionais pernoites. Os pré-requisitos são:
  2. Dando palpites.
    Se você souber de uma cidade legal pelo caminho, um lugar que valha a pena ser visitado, um bom trecho para ser percorrido de bicicleta ou tenha alguma outra dica, fique à vontade para nos mandar a sua sugestão!
  3. Indo com a gente uma parte do caminho.
    Quando fixarmos o percurso a ser seguido e por quais cidades passaremos, então poderemos combinar de nos encontrarmos com você. Você poderá então dar umas pedaladas conoscoaté a próxima cidade, ou quem sabe, até o Rio.
  4. Indo ao churrasco da chegada.
    Se você é daqueles que prefere uma festa (sem ter que para tal passar 250 h em cima de um selim), sinta-se convidado para o churrasco da chegada...

Principais Passeios

  • Mannheim - Stra�burg (Estrasburgo) 300 km em 2 dias

    Foi o primeiro grande passeio, com direito a todas as trapalhadas possíveis. O Tancra quase foi atropelado por um trem (quando ele pegava um atalho), erramos no caminho e fomos parar em uma Autobahn (via expressa de alta velocidade), não levamos barraca e choveu pra caramba. Na primeira noite dormimos debaixo de uma ponte, na segunda no meio da floresta e às 4:00 da manhã choveu tã forte que tivemos que nos abrigar em um posto de gasolina. O Tancra e o Thomas dormiram novamente no posto, mas por pouco tempo. Meia hora depois chegou o dono, furioso, mandando todo mundo embora...

  • M�nchen (Munique) - Rothenburg o.d. Tauber - Berlin 800 km em 7 dias

    O Jorge e o Gui sairam de Munique na sexta-feira depois do almoço, mas não tiveram muita sorte, só nesse dia o pneu da bicicleta do Gui furou 4 vezes! Eles não foram tão longe quanto esperavam e no sábado a coisa foi piorando. O Gui começou a ter dores no joelho, de tarde choveu forte pra caramba e quando ainda faltavam uns 60 km para Rothemburg os dois fizeram uma pausa e foram o pedaço que faltava de trem.
    Em Rothemburg só tinha o Cabron esperando pelos dois, já que o Tancra e o Milan desistiram no último momento. O combinado era sair domingo cedinho mas acabou atrasando porque tava tendo uma festa na cidade, que por sinal é lindíssima.
    Os primeiros dias foram bem tranquilos, fez bastante sol, tiveram muita brincadeira e muitas paradas para se conhecer as cidades pelo caminho. Ao entardecer começava a busca de um lugar propício ao acampamento, de preferência às margens de um lago ou riacho, foram poucas as vezes que o grupo acabou tendo que se refugiar em uma pensão ou camping.
    O caminho escolhido para se atravessar as montanhas que fazem fronteira com o norte da Bavaria foi muito bem escolhido, além de bonito a subida foi constante mas não tão ingreme. Do outro lado já se dava para notar que se encontravam na antiga Alemanha comunista. As construções eram na maioria mal conservadas, as casas com telhas de pedra e todas muito parecidas. O contraste econômico era grande, mas a região continuava tã bela quanto antes.
    O ritmo melhorou bastante, o grupo atingiu uma boa condicao física e o Gui dopava o joelho de tal forma, que na subida ele acabava indo mais rápido do que os outros. Depois de subir 900 m, vieram as descidas e na quinta-feira faltavam só uns 200 km,!
    A turma resolveu então acabar com as brincadeiras e largar o pau até Berlin. Foi ai que as bicicletas comecaram a quebrar... O pneu da bicicleta do Gui furou 6 vezes em 2 dias. A bicicleta do Cabron, que tinha sido comprada na semana anterior, parecia ter mais de um ano de uso. O eixo da roda traseira da bicicleta do Jorge entortou, o rolamento estourou e o sistema de marcha quebrou. No final ele teve que comprar uma nova roda, arracar a marcha fora, encurtar a correia e fazer os últimos 180 km com uma marcha só.
    Nos dias finais, acabou-se passando mais tempo consertando bicicleta do que viajando. O planejado era chegar quinta-feira em Berlin mas eles acabaram chegando mesmo no sábado para no domingo de manhã pegar o trem de volta.

  • Karlsruhe - Stra�burg - Nancy - Karlsruhe 500 km em 4 dias

    A saída foi na sexta-feira, lá pelas 5 da tarde, desta vez o grupo estava completo: Tancra, Cabron, Jorge, Milan e Mannheimer. A galera tava na maior pilha para começar o passeio e acabamos aproveitando o finalzinho da tarde para ir até depois da fronteira com a Franca (~50Km). Achamos uma floresta legal para acampar, o Mannheimer catou lenha pra caramba, mas na hora de fazer fogo ninguém tinha trazido fósforo. Nós tinhamos duas barracas, que dariam para os cinco, mas o Milan prefiriu dormir fora. Ele disse que estava acostumado a viajar de carona pela Europa e dormir nos parques ao ar livre.
    No segundo dia do passeio ainda não tinhamos decidido para onde iriamos, a ideia inicial era ir até Nancy (~200 km), mas o Mannheimer estava fazendo pressão para irmos só até Stra�burg (~100Km), pois ele queria estar de volta no domingo. Combinamos de ir "na direcao de Nancy", mas independente de onde estivessemos, no domingo voltariamos para a Alemanha.
    O primeiro acidente aconteceu com o Jorge, ele estava na frente descendo uma ladeira feito um maluco, apareceu um caminho de bicicleta, ele entrou nele e olhou para trás para ver qualquer coisa e não reparou o catoco que tinha no meio da pista (para impedir que carros usem o caminho de bicicleta). Imagina só, uns 100 kg levando mais uns 30 de carga naquela velocidade toda... O cara conseguiu evitar a colisão frontal mas a coitada da bicicleta não resistiu a tal manobra e o garfo da frente quebrou, ele deu uma cambalhota com a bicicleta e saiu rolando uns 5 metros! Por sorte não aconteceu nada com ele e ainda por cima tinha uma loja de bicicleta por perto..
    Depois do acidente resolvemos mudar os planos, ir primeiro para Stra�burg e depois para Nancy. Até Stra�burg foi tranquilo, passamos a tarde lá e de tardinha fomos arrumar um lugar para ficar (andamos só uns 70 km). Acampamos na mesma floresta onde tinhamos ficado no ano passsado.
    No domingo de manhã fomos para Nancy e o Mannheimer voltou para a Alemanha. O caminho de bicicleta era bastante plano e fomos acompanhando o canal que liga o Reno ao Mosel. O Milan não estava levando quase nada, tinha só uma bolsa e o saco de dormir. Nao é que ele parou para fazer xixi, a bicicleta tombou, a bolsa dele saiu rolando e caiu no canal! A bolsa boiou e começou a ser levada pela correnteza, a sorte é que na margem a correnteza não era muito forte e deu tempo dele recuperar a bolsa. Chegamos em Nancy só de noite (~170 km).
    Na segunda-feira fizemos uma pausa, passeamos pela cidade e fizemos um pick-nick no parque e só lá pelas 14:00 demos início a operação retorno. Resolvemos voltar pelo norte da Alsacia, é uma região muito bonita mas um pouco montanhosa. Esse dia nao rendeu muito, o Cabron foi ultrapassar o Milan e o derrubou, o coitado se esfolou todo, o joelho e a calça comprida ficaram em frangalhos. Com tudo isso, não deu para ir muito longe (~70 km).
    Nessa noite o Milan levou mais um susto, tava frio pra caramba (~5 C) e todo mundo (menos ele) foi dormir na barraca. Não é que à noite apareceu um javali! Imagina só o susto que o cara levou, acordar com um javali grunhindo no ouvido... O Milan queria que queria entrar na barraca. O coitado tava com tanto medo que nem percebeu que estava tentando entrar pelo lado errado da barraca. Quando ele conseguiu entrar, tinha deixado o saco de dormir lá fora e não queria por nada desse mundo sair para pega-lo.
    Na terça acordamos cedo e voltamos para Karlsruhe, acabamos chegando por volta de 23:00 (~150 km), só não chegamos antes porque tinha muita montanha, e no meio do caminho o Tancra fez questão de visitar o museu da "Linha Marginau".

  • Karlsruhe/M�nchen - Ulm - Lindau - Konstanz 240 km em 2 dias

    O Tancra saiu de Karlsruhe na quinta-feira à tarde para estar em Ulm às 14:00 do dia seguinte, andou uns 80 km, se perdeu no meio do caminho, resolveu dormir atrás de um arbusto na praça, mas não teve sorte. Às 3:00 começaram a chegar as pessoas da feira, não deixando ele dormir. O Tancra pegou o primeiro trem para Ulm e foi dormir no hotel.
    O Jorge fez o contrário, foi dormir cedo e saiu às 5:00 da matina, chegando em Ulm pouco antes do meio dia (140 km). Foi uma das poucas vezes que a bicicleta dele não deu problema, mas de qualquer forma ele viajou só e não tem testemunhas!
    Os dois participaram de um seminário e no domingo pegaram um trem para Lindau, onde fizeram meia volta pelo Bodensee (lago de Constância), passando pela Áustria e Suiça.

  • Friedrichhafen - Meersburg - Konstanz - Radolfzell 50 km em 2 dias

    Em construção

    Passeios de um dia

  • Mannheim - Heidelberg - Mannheim (40 km em 2 horas) - fizemos o percurso pelo menos umas 10 vezes.

  • Mannheim - Frankfurt (150 km em 9 horas)

  • Mannheim - Lorsch - Mannheim (70 km em 6 horas)

  • Mannheim - Worms - Mannheim (70 km em 6 horas)

  • Mannheim - Schwetzingen - Mannheim (25 km em 3 horas)

  • Luxor - Vale dos Reis - Luxor (35 km em 3 horas) - na base do "Sahlam alayco" e "Halah halah" conseguimos negociar o preço do aluguel das bicicletas (pagando 20% do oferecido inicialmente) e demos um belo de um passeio pela região onde existia a cidade de Thebas, culminando o passeio numa visita ao Vale dos Reis, na tumba do faraó.

    Fotos

    Os bicicleteiros comemorando o final da temporada Verão 95


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