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Visita à Mona Lisa
De repente me vi em frente à
Mona Lisa.
Perplexa, examinei-a com
cuidado.
Era ela. A legítima filha de da
Vinci.
Seus olhos me perseguiam por
todos os ângulos.
Teimei em não notar que me
olhava.
Era eu quem devia examiná-la.
Descobrir detalhes ainda não
vistos.
Pensei no DNA, mas era o DNA de
da Vinci,
Clonada de sua alma.
A
mesma face indefinida
O
mesmo olhar descomprometido
A
mesma lonjura dos séculos.
Os mesmos lábios num esboço de
sorriso.
Descobri seu cansaço
Querendo romper a alcova de
vidro
Onde fora enclausurada.
A
pobre Mona Lisa estava ali
Sem um afago, sem uma carícia
palpável,
Sem poder, pelo menos pousar
para uma foto.
Era famosa. Eternamente famosa.
A
história lhe renderia eternas
homenagens.
Os poetas, escritores e
pintores,
Massageariam eternamente seu
ego,
Enquanto da Vinci seria lembrado
eternamente.
Fechei os olhos. Mergulhei na
minha pequenez.
Era verdade, a vida imita a
arte.
Mona Lisa era igual, em seu
destino,
A
milhares de outras mulheres.
Imaginei o beijo mais terno na
minha face,
Nos meus olhos e na minha boca
E
chorando me despedi de Mona
Lisa.
Ayda Bochi Brum
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