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Metamorfose
Eu estava tão triste!
O mundo me parecia tão mau.
Eu vi homens,
respeitáveis homens,
assassinando o amor.
porque a Moura Torta,
com ares de boa, de calma,
já arrancou muita alma
e só corpo deixou;
ambulantes, cambaleantes,
sonambulantes,
rios sem curso
caudais esturricados
cruz de braços mutilados
conchas vazias
adormecidas na praia
do imenso mar sem horizontes
à espera do infinito.
E a minha tristeza
vinda do amor assassinado
encontrou a tua mão
em concha úmida, espalmada.
E a Moura Torta
numa explosão extrema
ficou princesa boa
e ressuscitou o amor
e o corpo bebeu alma,
e a alma, cheirando a
horizonte
gritou ao infinito:
Meu Deus! Que mundo bom!
Ayda Bochi Brum
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