As Setas de Gibran

 

 

Gibran ensinou que filhos são setas disparadas.

Pois arremessei, gradativamente, as minhas setas

Rumo ao infinito.

Queria que visitassem o sol e todas as estrelas.

Que conhecessem o universo

Que entrassem nas nuvens

E purificassem seu corpo e sua alma

Na fonte original

E, assim, preservá-los da dor.

Sei que foram.

Que conheceram um mundo

Onde o amor o respeito e a justiça

Eram uma verdade absoluta.

Eles estavam salvos.

Eram bons. Não sofreriam.

Por que Gibran não me falou da lei da gravidade,

Que os trouxe de volta para o mundo,

Onde a maioria não viajara ao infinito,

E eram setas disparadas pra ferir?

Abracei meus filhos. Amparei-os pela mão.

Entramos na morada dos homens astutos.

Entre surpresas de encanto e desencanto,

Sei que sofreram. Até choraram.

Mas, preservados pela viagem ao infinito,

Não desistiram da honestidade e da justiça.

Como Gibran Khalil Gibran

Ofereceram o rosto à tempestade

E com ela aprenderam.

Gibran tinha razão.

 

Ayda Bochi Brum

  


  
 


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