|
De repente, no melhor do sono, toca o despertador.
É hora de levantar para ir à escola ou ao trabalho. Não é raro que
exatamente neste instante, se trave uma importante batalha. Por um
lado, o sono, a preguiça, o desejo de continuar deitado devaneando
e imaginando todo tipo de situação gostosa. Por outro, a noção do
dever, da obrigação, do compromisso assumido. A vontade mostra uma
direção; a razão a direção oposta. Na minha opinião, uma boa definição
de disciplina seria a aquisição da capacidade que permite que a razão
seja mais forte e vença nossa vontade e nossa preguiça. É porque desenvolvemos
essa qualidade que conseguimos fazer exercícios maçantes todos os
dias na mesma hora. É porque somos disciplinados que evitamos comidas
com muitas calorias ou prejudiciais à saúde. Vem da razão a força
que nos faz abrir mão de coisas materiais para poupar e atingir um
objetivo maior. Pessoas disciplinadas são capazes de estudar quando
estavam mesmo é com vontade de assistir à televisão ou bater papo
com os amigos.
Não
resta a menor dúvida: pessoas disciplinadas terão maiores chances
de sucesso nas atividades às quais se dedicaram. Tenderam a ser criaturas
aplicas e determinadas, buscando com afinco alcançar seus objetivos.
Se tiverem razoável talento, vencerão no jogo competitivo da vida.
Entre talento e disciplina, é melhor ter os dois. Porem, a longo prazo,
acho que a disciplina é mais importante.
Não nascemos disciplinados. Passamos
os primeiros tempos de nossa existência cheios de vontades e amargando
fortes dores e revoltas sempre que nossos desejos não são satisfeitos.
Toleramos mal as frustrações. É verdade que, desde o início, há pessoas
que aceitam melhor as contrariedades. Essa capacidade de aceitação
aumenta à medida que se desenvolvem a linguagem e o raciocínio lógico.
Ambos nos ajudam a compreender por que nossas vontades nem sempre
podem ser satisfeitas. O fato de existirem explicações e razões que
determinam a não realização de determinado desejo nos acalma e nos
deixa mais tolerantes para com frustrações inexoráveis. Aprendemos,
pela reflexão e pela lógica, a agüentar melhor as dores. Entendê-las
nos ajuda a suportá-las .
Acredito que a principal tarefa da educação, especialmente durante os primeiros anos de vida, consiste em desenvolver a razão e suas forças com o intuito de sermos capazes de “domesticar” nossas vontades. Uma visão equivocada da psicologia nos conduziu nas últimas décadas, a dar muita ênfase e privilegiar o livre exercício do desejo. O papel da razão - freio limitador dos impulsos - foi encarado como algo repressivo e negativo. Alem disso, os pais, com medo de traumatizar os filhos e de perder o amor deles, têm si furtado à tarefa às vezes desagradável, de estabelecer limites e estimular as crianças a usar com eficiência a razão para dirigir suas vidas.
|
|
Na educação infantil, essa é a tarefa número um dos pais. Ao aprender a utilizar a razão em benefício próprio, a criança e depois o adulto experimentam enorme satisfação quando se sentem disciplinados. Sim, porque é nestes momentos que nos consideramos animais mais sofisticados, chamados com propriedade de racionais. A alegria íntima de quem se levanta cedo, faz exercícios e chega na hora certa aos compromissos assumidos é algo que não pode ser subestimado. Agente se sente forte quando consegue se controlar (coisa muito difícil). Sente que venceu a batalha interior. A auto-estima logicamente aumenta. Para
que nossos filhos venham experimentar essas sensações de contentamento
e força, devemos lhes ensinar, desde cedo, a abrir mão de suas vontades,
sempre que a razão assim achar conveniente e útil. Dr.
Flávio Gikovate é médico psiquiatra, diretor do Instituto de Psicoterapia
de São Paulo e autor de vários livros, entre eles Ser Livre e Homem,
o Sexo Frágil? É
TAREFA DOS PAIS FORTALECER O LADO RACIONAL DA CRIANÇA COM O INTUITO
DE “DOMESTICAR” SEUS DESEJOS. |
|
O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO! QUANDO... É
jovem, não tem experiência. É
velho, está superado. Não
tem automóvel, chora de “barriga cheia”. Fala
em voz alta, vive gritando. Fala
em tom normal, ninguém escuta. Não
falta no colégio, é “CAXIAS”. Precisa
faltar, é “TURISTA”. Conversa
com os professores, está malhando os alunos. Não
conversa, é desligado. Dá
muita matéria, não tem dó dos alunos. Dá
pouca matéria, não prepara os alunos. Brinca
com a turma, é metido a engraçado. Não
brinca com a turma, é um chato. Chama
à atenção, é um grosso. Não
chama à atenção, não sabe se impor. A
prova é longa, não dá tempo. A
prova é curta, tira chance do aluno. Escreve
muito, não explica. Explica
muito, o caderno não tem nada. Fala
corretamente, ninguém entende. Fala
a “língua” do aluno, não tem vocabulário Exige,
é rude. Elogia, é debochado. O
aluno é reprovado, é perseguição. O
aluno é aprovado, “deu mole”. É,
o professor está sempre errado mas, se você conseguiu ler até aqui,
agradeça a ele!
|
|
DISCIPLINA E EDUCAÇÃO |