| Preguntei a um sertanejo
Móde uma prosa puxá Pruquê rezão nasce rôxa A frô do maracujá? Antonce o Dotô nun sabe? Nunca lhe insináro não? Essa istóra é cunhicida Pro dimais, no meu sertão. Apois antão, eu lhi conto A istóra qui ouvi contá Pruquê rezão nasci rôxa A frô do maracujá Maracujá já foi branco Eu posso inté lhi jurá Mais branco qui caridádi Mais branco do que o luá Quando a frô brotava nêle Lá prus cunfim do sertão Maracujá paricia Um ninho de argudão Mai um dia, há muito tempo Num mêis que inté num mi lembro Si era maio, si era junho, Si era agosto ou setembro Nosso Sinhô Jesus Cristo Foi condenado a morrê Numa cruis, crucificado Longe daqui cumo o quê Pregáro Cristo a martelo E ao vê tamanha crueza A Natureza intêrinha Pôs-se a chorá di tristeza Antonce, chorava us campo Chorava as fôia, as ribêra Sabiá tomém chorava Nos gáio da laranjêra Chorava os boi no currá Ôtos, na manga, chorava Pois nessa hora tão triste A tristeza campiava E tinha, junto da cruis Carregadin de fulô Um pé de maracujá Aos pé de Nosso Sinhô I o sangue de Jesus Sangui pisado de dô Nus pé du maracujá Tingia todas as fulô. E as fulô, coitadinha Sintino a mêrma dô, Ia ficano ruxinha, Cumo sangui do Sinhô. Apois foi essa, dotô A istóra que eu vi contá A rezão pruque nasce rôxa A frô do maracujá. |
![]() |
| Catulo da Paixão Cearense |
| A Frô do Maracujá |
![]() |
![]() |
![]() |