| Branca de Neve Guilherme de Almeida |
| Eu te guardo no fundo da mem�ria,
como guardo, num livro, aquela flor que marca a tua delicada hist�ria, Branca de Neve, meu primeiro amor. Amei-te... E amei-te, figurinha aluada, porque nunca exististe e porque sei que o sonho � tudo � e tudo mais � nada... E �s o primeiro sonho que sonhei. Hoje ainda beijo, comovido e tonto, a velha m�o que um dia me mostrou aquela estampa do teu lindo conto, princesinha encantada de Perrault! Que fui eu afinal? � Um pobre louco que andou, na vida, procurando em v�o sua Branca de Neve que era um pouco do sonho e um pouco de recorda��o... Procurei-a. Meus olhos esperaram v�-la passar com flores e gal�es, tal qual passaste quando te levaram, no ata�de de vidro, os sete an�es. E encontrei a Saudade: ia alva e leve na urna do passado que, afinal, � como o teu caix�o, Branca de Neve: � um ata�de todo de cristal. E parecia morta: mas vivia. Corado do meu beijo que a ro�ou, despertei-a do sono em que dormia, como o Pr�ncipe Azul te despertou. Sinto-me agora mais crian�a ainda do que naqueles tempos em que li a tua hist�ria mentirosa e linda; pois quase chego a acreditar em ti. � que o meu caso (estranha extravag�ncia!) � a tua hist�ria sem tirar nem p�r... E esta velhice � uma segunda inf�ncia, Branca de Neve, meu primeiro amor. Publicado no livro Encantamento (1925). Poema integrante da s�rie II - Alma. In: ALMEIDA, Guilherme de. Toda a poesia. 2.ed. S�o Paulo: Livr. Martins, 1955. v.5 |
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| Arco-�ris: 2- Azul |