A Figura de D. Sebastião

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Nasceu em 20 de Janeiro de 1554 filho do príncipe D. João, jurado herdeiro do trono em 1554 e D. Joana de Áustria, filha de Carlos V. Morreu na batalha de Alcácer-Quibir em 4 de Agosto de 1578. D. Sebastião nasceu vinte dias depois da morte do seu pai, sendo por isso "O Desejado". Pouco inteligente e pouco culto ( Joel Serrão - Dicionário de História de Portugal ) de temperamento irrequieto e impulsivo, extraordinariamente vaidoso, nunca admitiu a mais pequena observação ou ouviu qualquer conselho.
 
Ainda que tivesse ficado na história como O Desejado, as suas incapacidades de governante foram trágicas para Portugal, levando-nos em Alcácer-Quibir à nossa maior derrota militar, seguida da perda da independência. Os seus desequilíbrios mentais, agora muito na moda, são descritos em pormenor na História de Portugal de Veríssimo Serrão.
 

 

 

Batalha de Alcácer Quibir

 

 
Fugia das mulheres e do amor como o diabo da cruz, tanto porque julgava esse sentimento efeminado incompatível com os seus hábitos guerreiros, e porque o seu espírito religioso lhe fazia ver o ideal da vida humana na castidade ascética. D. Sebastião tornou-se completamente um escravo dos jesuítas, que tudo tinham feito por lhe desenvolver o fervor religioso, que animavam o seu afastamento das mulheres, porque a influencia duma mulher, esposa ou amante, destruiria para sempre a influência do confessor.
 
Como as cortes insistiam para que el-rei escolhesse noiva entre as princesas europeias, D. Sebastião resignou-se, e principiou a negociar-se o seu casamento com a célebre Margarida de Valois, irmã de Carlos IX. No entanto o  embaixador francês em Lisboa escreveu a Carlos IX, indicando-lhe que D. Sebastião sofria de "blenorragia", estranha doença para quem detestava o sexo fraco, e assim os propósitos de casamento foram cancelados.
 
 
Durante uma viagem que fez pelas províncias, fugindo da peste de Lisboa, praticou as maiores extravagâncias. Mandava abrir os túmulos dos reis seus antepassados, extasiava-se diante dos que tinham sido guerreiros, mostrava o mais completo desdém pelos pacíficos, principiando a inspirar a todos os mais sérios receios esta sua índole destemperada e bravia que se curvava ao jugo dos jesuítas. 
 
Ficou extasiado pelo tamanho das ossadas de D. Afonso III, e repreendeu severamente os restos de D. Pedro I no seu túmulo, que não foi aberto, pelas suas loucuras amorosas com Inês de Castro ! Os restos mortais de D. Sebastião foram sepultados no Mosteiro dos Jerónimos em 1582, com a presença de Filipe I de Portugal.
 
 
Os negócios de Estado foram sempre um peso para ele, tendo sempre alijado em outros os cuidados da governação. Nunca casou," Falar-lhe em casamento é falar-lhe em morte" informava o embaixador de Espanha, e o padre José de Castro conhecedor dos arquivos secretos do Vaticano, dizia que o rei nunca casou porque não podia casar.
 
 

 

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