A partir de
1012
constituíram-se reinos de taifa em Huelva, Badajoz (dinastia dos Banu al-Aftas, com quatro monarcas),
Sevilha (Banu ' Abbad, com três monarcas) Niebla (Banu Yahya, com três monarcas), Faro (Banu
Harun, com dois
monarcas), Mértola e Silves (Banu Muzayn, com dois monarcas). Todos eles abrangeram, durante algum tempo,
o espaço
«português». O mais importante foi o de Badajoz, que chegou a abarcar todo o Portugal de hoje a sul do Douro -
com excepção da parte do Algarve -, além de territórios no vale do Guadiana, actualmente pertencentes a
Espanha que durou desde
1022 até 1094.
O fraccionamento do Califado e as lutas, por vezes violentas, em que se envolveram muitos dos reinos de taifa, favoreceram os Cristãos e o progresso da
Reconquista. Em meados do século XI, os avanços do rei de Leão e
Castela, Fernando I, conquistando Coimbra e ameaçando o vale do Tejo, induziram o rei de Badajoz a pedir auxílio
aos chamados Almorávidas.
Os Almorávidas haviam erguido um imponente império no Norte de África. Sentiu-se
a ameaça que representavam para a independência dos pequenos reinos de taifa. Mas os muçulmanos espanhóis
não tinham outra escolha. Os Almorávidas desembarcaram na Península, repeliram de facto os Cristãos mas
resolveram ficar e reunificá-la sob o seu jugo.
Invertendo alianças, o rei de Badajoz pediu ajuda aos Cristãos,
abrindo-lhes as portas de Santarém e de Lisboa (1093). Em vão. O poder almorávida tomara-se forte de mais para que se lhe resistisse. Todo
o al-Garb 1hes caiu nas mãos (1094-1095). Pouco depois, as duas referidas cidades eram recuperadas e a
fronteira muçulmana atingia novamente a bacia do Mondego.
Os reinos de
taifa não
duraram o bastante para criar no Sudoeste da Península Ibérica um conjunto político unificado. Para mais, os
seus laços com o resto da Espanha muçulmana mantiveram-se sem quebra, dentro dum sistema fácil de
comunicações e de relações económicas desenvolvidas. Foram Estados que nunca se sentiram auto-suficientes
nem isolados do resto do mundo.
Os seus chefes jamais assumiram o título de
califa, ou sequer o de rei, actuando
sempre como representantes de uma autoridade suprema fictícia. Acentuaram-se, apesar de tudo, os localismos
durante a sua existência. e tais localismos nunca tiveram força bastante para cristalizar em independência,
ajudaram certamente a sacudir um jugo doravante havido por insuportável.
Metidas nos seus pequenos interesses e
oprimidas por um sistema militar cada dia mais pesado e rude, as parcelas locais do al-Garb tomaram-se as melhores
aliadas dos cristãos na Reconquista.
(Condensado da História de Portugal de A.H. de
Oliveira Marques)