A Conquista de Ceuta - 1418

Bula "Sane charissimus" de Martinho V

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D. João I
 
 
Na conquista  de Ceuta a Igreja aprova a expansão portuguesa e deu-lhe a sua mais calorosa bênção. Sucessivas bulas papais, aliás negociadas pelos representantes portugueses em Itália, apoiaram os projectos militares de Portugal ou aplaudiram as conquistas já levadas a efeito, rotulando uns e outros de santos e de cruzada, convidando os soberanos cristãos a darem-lhe ajuda, concedendo indulgências e até uma percentagem nos rendimentos da igreja - fim desde sempre almejado.
 
 
 
Bula "Sane charissimus" de Martinho V
 
« Tanto pelo minucioso relato de pessoas dignas de fé como pela voz da fama, soubemos que o nosso muito prezado filho em Cristo, D. João, ilustre rei de Portugal, ardendo em zelo de propagação da fé cristã, resolveu emprgar o poderio que pelo Sumo Rei lhe foi dado na exaltação do seu glorioso nome e no extermínio de seus inimigos.  organizado um exército de soldados cristãos para combater os sarracenos e outros infiéis que, nas terras de África e convizinhas, afligiam os cristãos com repetidos assaltos, cativeiros e morticínios, partiu para os territórios e lugares que eles retinham em seu poder, a arrancou valorosamente da sua intolerável opressão o lugar de Ceuta, que eles, de há longos anos atrás, haviam ocupado, restituindo-o ao suavíssimo jugo da fé cristã.
 
Este mesmo rei, como esforçado atleta e campeão da fé católica, pretende prosseguir vigorosamente a vitória que lhe foi dado alcançar contra os referidos infiéis. E, reunida em volta de si uma copiosa multidão de cristãos, determinou, com a ajuda daquele Senhor em cuja causa está devotamente empenhado, empregar todo o seu poder e o dos seus ditos reinos em subjugar os referidos sarracenos e infiéis, e submeter ao culto da verdadeira fé as terras que eles ocupam.
 
Para a realização de tão fausto empreendimento, implorou humildemente o nosso patrocínio e o da Igreja Católica em que está abrangida a congregação dos mesmos fiéis. Nós, com o mesmo intuito, mediante o conselho de nossos irmãos, dispensamos mercês espirituais, isto é, remissões e indulgências àqueles que à dita empresa forem chamados.»
 
( Bula Sane charissimus, 1418)
 
Nem a Igreja nem os Portugueses estavam em boa verdade sendo hipócritas, porque o Cristianismo medieval abrangia todos estes meios, e outros muitos, que os nossos preconceitos de hoje geralmente consideram cruéis, desumanos e puramente materialistas.
 
 
( Condensado da História de Portugal - A.H. Oliveira Marques )
 

 

 

 

 
 
Honestamente, a Igreja e os Portugueses não precisam de desculpas. A conquista de Ceuta e outras guerras e lutas da Época dos descobrimentos,  passaram cerca de 500 anos antes dos 55 milhões de mortos provocados no tempo presente, pela segunda guerra mundial.
 
Nessa guerra de ontem, muitos países pseudo-civilizados, que além dos feridos e mortos das batalhas e dos bombardeamentos em massa de civis, assaram em fornos de gás ou assassinaram nos campos de concentração, da Europa e da Ásia, milhões de vidas inocentes e indefesas, sem honra nem glória,    choram hoje lágrimas de crocodilo ao ler essas batalhas e conquistas de Africa, Ásia e América.
 
No entanto,  em nome  da estrela de David, da cruz, do crescente, da foice e o martelo ou da barbárie, cometeram  e estão de forma directa ou indirecta  a cometer no presente,  as maiores  atrocidades e crimes  contra toda a humanidade, em quase todos os lugares do mundo.
 

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