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- D. João I
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- Na conquista de Ceuta a Igreja aprova a expansão
portuguesa e deu-lhe a sua mais calorosa bênção. Sucessivas bulas papais, aliás
negociadas pelos representantes portugueses em Itália, apoiaram os projectos militares de
Portugal ou aplaudiram as conquistas já levadas a efeito, rotulando uns e outros de
santos e de cruzada, convidando os soberanos cristãos a darem-lhe ajuda, concedendo
indulgências e até uma percentagem nos rendimentos da igreja - fim desde sempre
almejado.
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- Bula "Sane
charissimus" de Martinho V
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- « Tanto pelo minucioso
relato de pessoas dignas de fé como pela voz da fama, soubemos que o nosso muito prezado
filho em Cristo, D. João, ilustre rei de Portugal, ardendo em zelo de propagação da fé
cristã, resolveu emprgar o poderio que pelo Sumo Rei lhe foi dado na exaltação do seu
glorioso nome e no extermínio de seus inimigos. organizado um exército de soldados
cristãos para combater os sarracenos e outros infiéis que, nas terras de África e
convizinhas, afligiam os cristãos com repetidos assaltos, cativeiros e morticínios,
partiu para os territórios e lugares que eles retinham em seu poder, a arrancou
valorosamente da sua intolerável opressão o lugar de Ceuta, que eles, de há longos anos
atrás, haviam ocupado, restituindo-o ao suavíssimo jugo da fé cristã.
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- Este mesmo rei, como
esforçado atleta e campeão da fé católica, pretende prosseguir vigorosamente a
vitória que lhe foi dado alcançar contra os referidos infiéis. E, reunida em volta de
si uma copiosa multidão de cristãos, determinou, com a ajuda daquele Senhor em cuja
causa está devotamente empenhado, empregar todo o seu poder e o dos seus ditos reinos em
subjugar os referidos sarracenos e infiéis, e submeter ao culto da verdadeira fé as
terras que eles ocupam.
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- Para a realização de tão
fausto empreendimento, implorou humildemente o nosso patrocínio e o da Igreja Católica em
que está abrangida a congregação dos mesmos fiéis. Nós, com o mesmo intuito, mediante
o conselho de nossos irmãos, dispensamos mercês espirituais, isto é, remissões e
indulgências àqueles que à dita empresa forem chamados.»
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- ( Bula Sane charissimus,
1418)
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- Nem a Igreja nem os
Portugueses estavam em boa verdade sendo hipócritas, porque o Cristianismo medieval
abrangia todos estes meios, e outros muitos, que os nossos preconceitos de hoje geralmente
consideram cruéis, desumanos e puramente materialistas.
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- ( Condensado da História de
Portugal - A.H. Oliveira Marques )
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- Honestamente, a Igreja e os Portugueses não
precisam de desculpas. A conquista de Ceuta e outras guerras e lutas da Época dos
descobrimentos, passaram cerca de 500 anos antes dos 55 milhões de mortos
provocados no tempo presente, pela segunda guerra mundial.
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- Nessa guerra de ontem, muitos países pseudo-civilizados,
que além dos feridos e mortos das batalhas e dos bombardeamentos em massa de civis,
assaram em fornos de gás ou assassinaram nos campos de concentração, da Europa e da
Ásia, milhões de vidas inocentes e indefesas, sem honra nem glória,
choram hoje lágrimas de crocodilo ao ler essas batalhas e conquistas de
Africa, Ásia e América.
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- No entanto, em nome da estrela
de David, da cruz, do crescente, da foice e o martelo ou da barbárie, cometeram e
estão de forma directa ou indirecta a cometer no presente, as maiores
atrocidades e crimes contra toda a humanidade, em quase todos os lugares do mundo.
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