CAPÍTULO XXII
Resumo:
O segredo do futuro. O mal secular base do bem futuro.
A auréola do poder e sua adoração mística.
EM
TUDO o que vos expús até aqui, esforcei-me em
mostrar o segredo dos acontecimentos passados e presentes, que
anunciam um futuro já próximo de sua realização.Mostrei-vos
o segredo de nossas relações com os cristãos
e de nossas operações financeiras. Resta-me pouca
coisa ainda a dizer sobre esse assunto.
Possuímos a maior força moderna, o Ouro: podemos
em dois dias retirá-lo de nossos depósitos na
quantidade que nos apetecer.
Devemos ainda demonstrar que nosso governo foi predestinado
por Deus? Não provaremos com essa riqueza que todo o
mal que nós fomos obrigados a fazer durante tantos séculos
serviu, afinal, para o verdadeiro bem, para por tudo em ordem?(1)
Ei-la a confusão das noções do bem e do
mal. A ordem será reestabelecida, um tanto pela violência,
mas enfim será reestabelecida. Saberemos provar que somos
bemfeitores, nós, que à Terra atormentada restituímos
o verdadeiro bem, a liberdade do indivíduo, que poderá
gozar repouso, paz e dignidade de relações, com
a condição, bem entendido, de observar as leis
que estabelecermos.
Explicaremos,
ao mesmo tempo, que a liberdade não consiste na devassidão
e no direito à licença; de idêntico modo,
a dignidade e a força do homem não consistem no
direito de cada um proclamar princípios destruidores,
como o direito de consciência, o de igualdade e coisas
semelhantes; também o direito do indivíduo não
consiste de modo algum no direito de excitar-se a si próprio
e de excitar os outros, ostentando seus talentos oratórios
nas assembléias tumultuosas. A verdadeira liberdade consiste
na inviolabilidade da pessoa que observa honestamente e exatamente
todas as leis da vida em comum; a dignidade humana consiste
na consciência de seus direitos e, ao mesmo tempo, dos
direitos que se não possuem, e não unicamente
no desenvolvimento fantasista do tema de seu EU.(2).
Nosso poder será glorioso, porque será forte,
governando e dirigindo, e não andando a reboque de
líderes e oradores que gritam palavras ôcas,
denominando-as grandes princípio, as quais, na verdade,
não passam de utopias. Nosso poder será o árbitro
da ordem que fará toda a felicidade dos homens. A auréola
desse poder provocará a adoração mística
e a veneração dos povos.A verdadeira força
não transige com direito algum, nem mesmo com o direito
divino: ninguém ousa atacá-la para lhe arrancar
a menor parcela de seu poder (3)
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Notas
e comentários
(1)
O Anticristo, dizem as profecias bíblicas, será
em tudo semelhante ao Cristo, isto é, para enganar aos
povos, tomará a aparência do Cristo. Vide neste
código anticristão como o mal se disfarça
com o bem.O que aqui se lê nos "Protocolos"
está de acordo com o espírito daquilo que o judeu
Max Nordau denominou Sionismo secreto, com as teorias do famoso
achadamismo, ou doutrina do sionista Achad Haam, cujo verdadeiro
nome é Asher Ginzberg.
Tomemos o livro deste escritor judeu, publicado em inglês,
"Transvaluation of values", e transcrevamos os trechos
que combinam com os "Protocolos": "Israel restituirá
à idéia do Bem a significação que
teve outrora... O Bem aplica-se ao super-homem ou à super-nação
que tenha que a força de se estender e completar sua
vida, e a vontade de se tornar senhora do mundo, sem se preocupar
com o que isso possa custar à grande massa dos povos
inferiores nem com seus prejuízos.Porque só o
super-homem ou a super-nação são a flor
e o fim da espécie humana.O resto foi unicamente criado
para servir a esse fim, para ser a escada pela qual é
possível subir à altura ambicionada..."
Por essas e outras é que, na brochura "Le sionisme:
son but, son oeuvre", L. Fry defende a tese de ser Achad
Haam, ou Asher Ginzberg o autor dos "Protocolos".
Aliás, em 1915, o judeu L.Simon, em "Morceaux Choisis
de Ginzberg", escrevia: "Achad Haam é uma abstração,
uma espécie de nome coletivo que se aplica a uma coleção
de idéias concernentes ao judaísmo e ao povo judeu."
Isto é de um nietzschenianismo hebraico bem característico.
É licito, depois de provas desta ordem, duvidar da autenticidade
essencial dos "Protocolos"?
(2)Estas
idéias são idéias legítimas do Achadhamismo.
O judeu Max Nordau, na sua polêmica com Ginzberg, em 1903,
a propósito do romance "Altneuland", dizia:
"A idéia de liberdade está acima de sua concepção.
Ele imagina a liberdade como o ghetto. Somente inverte os papéis.
Por exemplo, as perseguições continuam, porém
agora não mais contra os judeus e sim contra os gentios..."
Confere...
(3) É o poder na concepção judaica de Espinoza,
do "direito natural da força", que não
faz distinção entre o bem e o mal. A concepção
dos "Protocolos" concorda em tudo, segundo L. Fry,
op. cit., com a de Asher Ginzberg, no "Le Chémin
de la vie": "Foi no espinosismo que foi buscar sua
concepção do Estado judaico futuro, no qual a
obediência cega será a lei, mesmo se ordenar aos
homens que privem seus semelhantes da vida e da propriedade.
O direito supremo do Estado, que controla não só
as ações civis, mas também as manifestações
espirituais e religiosas do povo, numa palavra, o despotismo
civil e religioso traçado nos "Protocolos"
como linha de conduta do futuro governo vísivel dos judeus
foi tirado do tratado teológico-político de Espinoza".