CAPÍTULO XIV
Resumo:
A religião do futuro.
A servidão futura.Impossibilidade de conhecer os
mistérios da religião do porvir.A pornografia
e o futuro da palavra impressa.
QUANDO vier nosso reino,
não reconheceremos a existência de nenhuma outra
religião(1) a não ser a de nosso Deus Único,
com a qual nosso destino está ligado, porque somos
o Povo Eleito, pelo qual esse mesmo destino está unido
aos destinos do mundo.
Por isso, devemos destruir
todas as crenças. Se isso faz nascer os ateus contemporâneos,
esse grau transitório não prejudicará
nossa finalidade, mas servirá de exemplo às
gerações que ouvirão nossas prédicas
sobre a religião de Moisés, cujo sistema estóico
e bem concebido terá produzido a conquista de todos
os povos. Feremos ver nisso sua verdade mística, em
que, diremos, repousa toda a sua força educativa.Então
publicaremos em todas as ocasiões artigos em que compararemos
nosso regime salutar com os do passado. As vantagens do repouso
obtido após séculos de agitação
porão em relevo o caráter benéfico de
nosso domínio. Os erros das administrações
dos cristãos serão descritos por nós
com as cores mais vivas. Excitaremos tal repugnância
por eles que os povos preferirão a tranquilidade da
servidão aos direitos da famosa liberdade que tanto
tempo os atormentou, que lhes tirou os meios de vida, que
os fez serem explorados por uma tropilha de aventureiros,
os quais nem sabiam o que estavam fazendo...As inúteis
mudanças de governo a que impelimos os cristãos,
quando minávamos seus edifícios governamentais,
terão de tal jeito fatigado os povos que preferirão
tudo suportar de nós ao risco de novas agitações.
Sublinharemos muito particularmente
os erros históricos dos governos cristãos, que
por falta dum bem verdadeiro, atenazaram durante séculos
a humanidade, na busca de ilusórios bens sociais, sem
dar fé que seus projetos somente faziam agravar, ao
invés de melhor, as relações gerais da
vida humana.
Nossos filósofos discutirão todos os defeitos
das crenças cristãs, mas ninguém poderá
discutir jamais nossa religião, de seu verdadeiro ponto
de vista, por que ninguém a conhecerá a fundo,
salvo os nossos, os quais nunca ousarão trair seus
segredos...
Nos países que se denominam avançados, criamos
uma literatura louca, suja, abominável. Estimulá-la-emos
ainda algum tempo após nossa chegada ao poder, a fim
de bem fazer ressaltar o contraste de nossos discursos e programas
com essas torpezas...
Nossos Sábios, educados para dirigir os cristãos,
comporão discursos, projetos, memórias, artigos,
que nos darão influência sobre os espíritos
e nos permitirão dirigí-los para as idéias
e conhecimentos que quisermos impor-lhes.