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UMA
HISTÓRIA REAL DA VIDA FÁCIL
Renate
Emanuele
Vou contar
a vocês uma história banal dos dias de hoje, e que, muitos de vocês
desconhecem a realidade. Trabalhando como
assistente social, fazendo parte da diretoria de uma entidade, tive o
desprazer de conhecer um mundo o qual muito fez sofrer a minh'alma.
As mulheres de rua da Praça da Luz. Lá,
nesta casa onde oferecia-se, banho, a oportunidade de roupa lavada, uma
refeição diária, remédios, preservativos inclusive, ensinava-se
algumas prendas como elaboração de trabalhos manuais, os quais poucas tinham a capacidade
de fazer algo aproveitável. Um
dia com uma menina mirrada em meu colo, nove anos, corpinho franzino,
perguntei o que ela fazia ali. "Estou com
minha mãe"... Dizia ela. Assustada
com o fato de uma mãe ter levado a menina para aquele lugar fétido,
nojento, continuei assim mesmo indagando o porquê de uma menina naquele
lugar. Vim a saber que a "menina",
aquela criança em meu colo, era também uma prostituta como todas as
outras mulheres, moças ali presentes. Meu
coração de mãe estava despedaçado ao ver aqueles olhos que deveriam
conter a inocência, já contaminados com a maldade do mundo.
Perguntei a mãe porque ela levava a sua própria filha para
esta vida, pois no meu entendimento, Mãe, é o ser que nesta vida
nos acarinha, nos ajuda a crescer, viver, nos protege do mal do mundo,
nos orienta, e naquele momento percebi que isto ali, era somente uma
demagogia, pois a mãe desta pobre menina, como todas as outras, que por
este mundo se multiplicam, me disse:- "Eu
quando deito com um homem, eles me pagam a mísera quantia de um real e à
ela pagam dois"...

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