Forravam-se
os campos de exuberância, delicadas camomilas, ervas de perfume
brejeiro, que esmagando entre os dedos deixam exótico cheiro.
Santifiquei-me
de toda iniqüidade ,anjo puro nessa idade,beijou-me flor, tocou
meus lábios em diferenciado amor.
Manhã
embevecida de relva que a
luz vai dissipar, o mundo adormeceu e de mim esqueceu.
Posso
ouvir ecos de minha própria voz, registrados no silêncio,
pulsação acentuada no peito.
Corri
em qualquer direção, meus pés não sinto mais tocarem o chão.
Sou
agora só uma metade, parte pequena da alma que não sei
mostrar.
E
no olhar escrevi recados de um coração, esqueci de chorar
enquanto vertia dor na busca da perfeição.
Sou
meio nada na revelia de todo julgamento deixe que o tempo
desfolhe minha imagem ,arranque minha resistência de distorcida
miragem.
Fui
feito de verdades, compasso de outono onde as pequeninas flores
precisaram calar.
Eu
gosto de estar aqui cultuar a divindade explicita, gosto
de sentir vida! Sempre-vivas extravagantes, belas e esquecidas,
passaram dias choraram despercebidas.
Esquecemos
de ver o horizonte, e o sol empalideceu sonolento, apontei o
dedo para a estrela mais brilhante.
Tão
insignificante, parti de seu lado, intrigante deixei mistérios
que nunca descobriu.
Transparências
em metade da alma que lhe trouxe calma de um amor que lhe
sorriu.
NOS SEUS LÁBIOS
A FLOR
Renate Emanuele
Embebida em
uma exótica fragrância
Camomilas,
flores do campo, tenra malva
Acariciaram em
doce torpor a minh'alma
Envolvendo
todo o meu ser em aliança
E
se a flor seus lábios gentilmente tocaram
De
mim momento algum se lembrou
Pois
a flor que de seus lábios se aproximou
Foram
meus lábios que os seus beijaram
